Calagem e Adubação no Plantio e na Formação do Cafezal na Região Amazônica
Para a recomendação de calagem e de adubação é necessária a análise química do solo. Para tanto, anteriormente é necessário efetuar a amostragem do solo, considerando duas situações: a formação inicial do cafezal (implantação) e a manutenção do cafezal durante a fase de produção. Ressalta-se que em ambos os casos, para se obter dados analíticos que realmente representem os atributos químicos e físicos do solo, a amostragem deve ser criteriosa e seguir as recomendações necessárias.
Amostragem do solo
A amostragem de solo para a formação do cafezal deve ser feita, preferencialmente, de três a seis meses antes do preparo do solo para o plantio. Inicialmente, é feita a seleção de áreas homogêneas quanto ao relevo (espigão ou chapada, encosta e baixada), à textura do solo (argilosa, média e arenosa), à coloração do solo (avermelhado, amarelado etc.) e ao histórico da área (tipo e tempo de cultivo) (Figura 1).

Posteriormente, procedesse a coleta de 15 a 20 amostras simples em cada área homogênea que se pretende avaliar a fertilidade do solo, nas profundidades de 0-20 cm e de 20-40 cm, retirando-se o mesmo volume para cada amostra simples e colocando o solo em recipiente limpo, como por exemplo, um balde de plástico.
As amostras simples devem ser retiradas ao acaso, percorrendo a área em ziguezague. Evitar locais próximos de estradas, cercas, caminhos, formigueiros e resíduos sólidos. As amostras simples de 0-20 cm não devem ser misturadas no mesmo recipiente que contiver as de 20-40 cm. Após coletar e misturar separadamente, as amostras de solo das duas profundidades (0-20 cm e 20-40 cm), retirar aproximadamente 500 gramas de cada profundidade, que representa a amostra composta, embalar (saco plástico), identificar (data, localização e profundidade) e enviar ao laboratório para análise.

Calagem para o plantio
A acidez do solo promove aumento da atividade de íons alumínio (Al3+) e também sua disponibilidade no complexo de troca do solo. Além do Al3+ ser absorvido pelas raízes das plantas, o que provoca toxidez, evita que as bases trocáveis como íons Ca2+, Mg2+ e K+ ocupem o complexo de troca, provocando lixiviação e perda desses nutrientes por ocasião de adubações.
Ressalta-se a existência de trabalhos que relatam menor tolerância do cafeeiro canéfora ao Al3+ quando comparado ao cafeeiro arábica (MAURI et al., 2004; MATTIELLO et al., 2008; GUARÇONI; PREZOTTI, 2009), principalmente onde ocorrem níveis elevados de Al3+ nas camadas subsuperficiais do solo, como comumente observado nos solos na região Amazônica, evitando o aprofundamento do sistema radicular do cafeeiro.
Outro problema em solos com baixo pH é que pode haver aumento na disponibilidade de manganês (Mn2+), que também é tóxico em doses elevadas, sendo requerido pelos vegetais apenas em pequenas quantidades.
A toxidez que pode ser provocada por alumínio e manganês influencia negativamente o crescimento, o desenvolvimento e, consequentemente, a produtividade dos cafezais. Portanto, a elevação do pH de solos ácidos pela prática da calagem é fundamental para se obter índices de produtividade satisfatórios. A quantidade de calcário a ser aplicada ao solo é determinada com base nos resultados da análise do solo.
A necessidade de calcário é calculada pela seguinte fórmula:

em que:
NC = necessidade de calcário (t ha-1).
CTC = capacidade de troca catiônica do solo (cmolc dm-3).
V2 = saturação por bases desejada (50% a 60%).
V1 = saturação por bases do solo (%), fornecida pelo laudo de análise.
PRNT = poder relativo de neutralização total do calcário a ser utilizado.
A aplicação de calcário deve ser realizada em área total onde será implantado o cafezal. O calcário deve ser distribuído uniformemente na superfície do terreno e incorporado na camada de 0-20 cm do solo, preferencialmente dois meses antes do plantio, conforme determinado pela necessidade de calcário (NC).
É importante destacar que devido aos solos do Estado, de maneira geral, apresentarem baixos teores de magnésio, recomenda-se a utilização de calcário dolomítico, pois além de elevar o pH e fornecer cálcio, também é fonte de magnésio para as plantas.
Quando a necessidade de calcário for superior a 5,0 t ha-1 recomenda-se aplicar a metade da dose antes da primeira aração ou gradagem e a outra metade antes da segunda gradagem. Este procedimento é feito para uniformizar a distribuição do calcário na camada arada do solo (0-20 cm), o que permite um crescimento mais abundante e melhor distribuído das raízes das plantas. Para quantidades menores que 5,0 t ha-1 pode ser realizada uma única aplicação, seguida da incorporação com arado ou grade aradora.
Além da calagem em área total, pode ser realizada também a calagem na cova de plantio. A quantidade de calcário a ser aplicada na cova deve ser calculada considerando o volume de solo da cova. Essa aplicação pode ser feita para complementar a calagem em área total, uma vez que o calcário é distribuído na camada de 0-20 cm e a cova é aberta com 40 cm a 60 cm de profundidade.
A calagem na cova de plantio permite maior crescimento radicular em profundidade. Porém, conforme já mencionado é complementar e não deve substituir a calagem em área total, pois quando a calagem é realizada apenas na cova ocorre restrição ao crescimento do sistema radicular.

Adubação de plantio
A adubação de plantio é de fundamental importância para o cafeeiro canéfora, pois a exigência por nutrientes é alta, em virtude do reduzido sistema radicular da muda, no estádio inicial de desenvolvimento. As quantidades de fósforo, potássio e micronutrientes, como zinco e boro, recomendadas para o plantio da cultura do café variam conforme o resultado da análise de solo (Tabela 1).

O fósforo é um nutriente que merece destaque na fase de implantação, especialmente quando se trata de solos amazônicos e de outros solos tropicais, onde esse nutriente é um dos principais entraves para a produção vegetal (NOVAIS; SMITH, 1999), como também demonstrado em Veloso et al. (2003) avaliando o estádio nutricional de lavouras cafeeiras na região da Transamazônica.
Além de apresentarem baixos teores de fósforo na forma disponível, os solos de regiões tropicais, em geral, apresentam alta capacidade de adsorção de fósforo pelos óxidos e oxihidróxidos de ferro e alumínio. Sendo assim, a dose de fósforo aplicada ao solo não deve ser o único fator a ser levado em consideração, deve-se considerar também o volume de solo a ser fertilizado, a reatividade do fertilizante em função do tempo e a capacidade de adsorção de fósforo pelo solo (GUARÇONI; PREZOTTI, 2009).
Para o suprimento de micronutrientes tem-se a possibilidade de utilização de fertilizantes conhecidos como FTE do inglês “frited trace elements” que significa “elementos traços fritados” devido à forma como são produzidos sob altas temperaturas. Esses fertilizantes são compostos por uma mistura de nutrientes que geralmente incluem nutrientes como Boro, Cobre, Manganês, Molibdênio e Zinco dentre outros.
No enchimento das covas para o plantio, além da adubação química, pode-se utilizar adubação orgânica. A quantidade é recomendada considerando-se o teor de matéria orgânica do solo (Tabela 2).

A adubação orgânica é importante em virtude das funções que a matéria orgânica desempenha no solo, especialmente naqueles que se encontram em algum nível de degradação. Contudo, é difícil suprir as necessidades nutricionais de um cafezal apenas com adubos orgânicos, especialmente em áreas maiores por causa da grande quantidade de adubo necessária, uma vez que estes adubos apresentam baixa concentração de nutrientes, quando comparada a dos adubos minerais.
A maneira mais fácil de adotar a prática da adubação orgânica é quando se produz o adubo na propriedade agrícola, ou quando é possível aproveitar os materiais existentes nas proximidades da lavoura, como esterco de curral (bovino), cama de frango ou esterco de aves, esterco de suínos e palha de café. A composição de nutrientes varia conforme o tipo de adubo orgânico a ser utilizado (Tabela 3).

Adubação de formação
No primeiro ano, considerando o plantio na época recomendada, outubro a dezembro, após o “pegamento” das mudas no campo, deve ser feita a adubação de cobertura que consiste na aplicação de doses de nitrogênio e potássio ao redor das plantas, na distância de 10 cm do caule. Recomendam-se dividir as doses (Tabela 4), em quatro aplicações, espaçadas em 45 dias. Após esse período a adubação pode ser suspensa por coincidir com o período de estiagem.
No segundo ano, recomenda-se fazer mais quatro aplicações a partir do início do período chuvoso (outubro), com o intervalo de 45 dias entre cada aplicação (Tabela 4).

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Fonte
MARCOLAN, Alaerto Luiz; ESPINDULA, Marcelo Curitiba. Café na Amazônia. 1º ed. Brasília - DF: Embrapa, 2015.