Agricultura

Café da Colômbia amarga queda; Brasil pode ser o próximo?

De acordo com a Corficolombiana, o valor real da safra de café acumulou uma redução de cerca de 35% no que vai de 2026.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O que foi um período de ouro para os cafeicultores colombianos entre 2024 e 2025 agora dá lugar a um cenário bem diferente. A bonança que fortaleceu a renda dos produtores e impulsionou o consumo privado no país se reverteu em 2026, com queda na produção, correção dos preços internacionais e valorização do peso colombiano.

De acordo com a Corficolombiana, o valor real da safra de café acumulou uma redução de cerca de 35% no que vai de 2026. Um tombo expressivo, se comparado ao ano anterior, quando a combinação de alta produção e preços elevados levou o valor da safra a 24,4 trilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 40,8 bilhões) – o maior da história.

O que mudou?

Três fatores principais explicam a virada:

  1. Queda na produção: Entre novembro de 2025 e abril de 2026, a atividade cafeeira registrou quedas consecutivas de dois dígitos. A safra recorde de 2024-2025 (14,87 milhões de sacas, a maior em 33 anos) esgotou as reservas de energia das plantas. O excesso de chuvas no primeiro trimestre de 2026 agravou a situação, afetando a floração e atrasando o desenvolvimento dos grãos. Em julho, a produção voltou a cair 22,5%, e a Federação Nacional dos Cafeicultores projeta uma safra de cerca de 12,5 milhões de sacas em 2026 – queda de 9% ante o ano anterior.

  2. Preços internacionais em correção: O café arábica acumula queda de 13% no ano, passando de 363,2 para 317,2 centavos de dólar por libra. O Banco Mundial estima uma queda de cerca de 13% nos preços ao longo de 2026, impulsionada pela perspectiva de safra recorde no Brasil (cerca de 70 milhões de sacas). Embora as chuvas em Minas Gerais tenham gerado alta em julho, a tendência é de correção.

  3. Valorização do peso colombiano: A moeda local se valorizou 16,5% no acumulado do ano, reduzindo ainda mais o preço recebido pelo produtor em moeda local. O preço interno do café caiu de 2,9 milhões para 2,3 milhões de pesos por carga, o que significa que o cafeicultor recebe hoje cerca de 700 mil pesos a menos por cada carga comercializada.

Impacto que vai além do produtor

A reversão do boom não afeta apenas quem planta café. Cerca de 550 mil famílias dependem diretamente da atividade, em aproximadamente 603 municípios. Nessas regiões, a renda gerada pelo café também movimenta comércio, transporte e serviços.

O café é o quarto produto mais exportado da Colômbia. No acumulado do ano até junho, o valor das exportações caiu 9,7% e o volume exportado recuou 18,5%.

A situação ainda é agravada pelos efeitos do terremoto que atingiu as regiões cafeeiras do oeste do país, onde se concentra 44% da área cultivada. A Federação já está no terreno identificando danos em residências, propriedades e infraestrutura rural.

🔧 O que isso ensina para o produtor brasileiro?

A história da Colômbia é um alerta para o produtor rural brasileiro: a dependência de fatores externos – clima, câmbio e preços internacionais – torna o setor vulnerável a oscilações bruscas.

Algumas lições práticas:

  • Diversifique fontes de renda e não concentre toda a expectativa em uma única safra.

  • Invista em armazenagem e planejamento para vender nos momentos de preços mais favoráveis.

  • Acompanhe indicadores globais como previsões climáticas (El Niño/La Niña), estoques mundiais e políticas cambiais.

  • Fortaleça a gestão financeira da propriedade, criando reservas em anos bons para atravessar períodos de baixa.

Como destacou a Corficolombiana, o principal desafio não é apenas recuperar os níveis observados durante o período de prosperidade, mas fortalecer a capacidade de sustentar o crescimento e a geração de renda ao longo de diferentes ciclos econômicos e climáticos. No campo, planejamento e resiliência fazem tanta diferença quanto uma boa lavoura.

Fonte: Bloomberg.

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