Agricultura

Boas Práticas para o Manejo da Cigarrinha e dos Enfezamentos no Milho

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
Boas Práticas para o Manejo da Cigarrinha e dos Enfezamentos no Milho
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Nenhuma medida tomada de forma isolada é eficaz no manejo dos enfezamentos, uma vez que a gravidade destas doenças é o resultado da interação entre o inseto-vetor (D. maidis), os patógenos (espiroplasma e fitoplasma) e a planta hospedeira (milho).

A severidade dessas doenças depende basicamente de três fatores: híbrido de milho utilizado, a fase de infecção das plantas e as condições ambientais.

O problema dos enfezamentos só pode ser manejado efetivamente por meio da integração e da ação sinérgica de todos os responsáveis da cadeia de produção do milho em cada região agrícola.

Por se tratar de doenças que se disseminam por meio de um inseto-vetor não é possível determinar o nível de dano econômico, pois a severidade da doença vai depender de quantas cigarrinhas são portadoras dos molicutes em uma população e não necessariamente do tamanho da população de cigarrinhas.

Assim, a tomada de decisão (reativa) em controlar o inseto-vetor é atualmente com base na presença ou ausência.

As medidas de manejo preventivas são as mais recomendadas, visando a redução da população da cigarrinha e das fontes de inóculo dos molicutes (disponibilidade de milho ao longo do tempo).

A seguir, listamos 10 medidas que devem ser adotadas para reduzir a população da cigarrinha-do-milho, a multiplicação dos molicutes e minimizar os riscos de alta incidência dos enfezamentos nas propriedades e em nível regional.

01. Mantenha as lavouras limpas (faça dessecação com herbicidas) e elimine com antecedência as plantas hospedeiras (milho tiguera) na área, nas margens de estradas, em lotes vagos e em canteiros;

02. Não semeie milho ao lado de lavouras com plantas adultas que apresentem sintomas de enfezamentos e/ou da virose da risca. Quanto mais plantas adultas doentes houver na lavoura adulta, maior será a população de cigarrinhas infectantes e mais plântulas da nova lavoura de milho serão infectadas;

03. Sincronize o período de semeadura do milho na região. A determinação de uma janela de 20-30 dias para semeadura evita que as lavouras da região tenham idades diferentes e as plantas mais velhas sirvam de fonte de inóculo para as plantas mais jovens;

04. Escolha híbridos de milho com maior tolerância genética aos enfezamentos. Utilize a ferramenta de posicionamento de híbridos (abertura e fechamento de plantio) para diversificar e minimizar o problema de acordo com a característica de cada material associado com o pico populacional da praga e risco com os enfezamentos;

05. Utilize sementes certificadas e tratadas profissionalmente com inseticidas, pois possuem qualidade superior e ajudam a controlar a população de cigarrinhas desde a germinação até o estabelecimento da lavoura de milho;

06. Monitore a presença da cigarrinha-do-milho no início do desenvolvimento da lavoura, principalmente nos estádios de VE – V8 e aplique inseticidas químicos e/ou biológicos nesse período, seguindo as recomendações técnicas de cada produto, com o objetivo de reduzir ao máximo a população de cigarrinhas e consequentemente dos enfezamentos;

07. Use apenas inseticidas registrados para controle da cigarrinha, respeite a dose recomendada e rotacione os modos de ação dos inseticidas (MoA) para evitar o desenvolvimento de resistência;

08. Planeje a colheita e use máquinas bem reguladas para evitar perdas, não deixando grãos, espigas e fileiras remanescentes na lavoura;

09. Transporte o milho colhido em caminhões apropriados, evitando a dispersão de grãos pelas estradas;

10. Faça rotação de cultivos, evite o plantio de milho sobre milho e o plantio de gramíneas na sequência.

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Fonte

DE ARAUJO, Roberto Melo. Guia de Boas Práticas: Para o Manejo dos Enfezamentos e da Cigarrinha-do-milho. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa, 2020.

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