Agricultura

Arroz em casca sobe no RS, mas margem ainda aperta

Oferta limitada e estoques baixos sustentam preços; chuvas preocupam para o preparo da próxima safra.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Os preços do arroz em casca avançaram no Rio Grande do Sul nas últimas semanas, trazendo algum alívio para o bolso do produtor. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a valorização melhorou a relação entre as cotações e os custos de produção. No entanto, as margens calculadas para julho ainda ficaram abaixo das registradas no mesmo período do ano passado, mostrando que a rentabilidade do setor ainda está apertada.

De acordo com o Cepea, dois fatores principais estão sustentando as cotações no mercado spot (à vista): a baixa disponibilidade de matéria-prima e a necessidade de recomposição de estoques pelo setor industrial. Com menos arroz disponível, as indústrias precisam pagar mais para garantir o produto, mas encontram dificuldades para repassar a alta para o arroz beneficiado, o que cria um desequilíbrio na cadeia.

Produtores seguram o produto, indústrias limitam repasses

Apesar da alta nos preços, a valorização não aumentou a disposição dos produtores para negociar. Muitos ainda esperam por cotações melhores, enquanto as indústrias, com margens apertadas, não conseguem elevar os preços do arroz beneficiado no mesmo ritmo. O resultado são negociações pontuais e um impasse entre os valores pretendidos por vendedores e os ofertados por compradores.

Pesquisadores do Cepea ressaltam que as negociações seguem lentas, com ambas as partes monitorando de perto o comportamento do mercado.

Clima preocupa para a safra 2026/27

Além dos desafios comerciais, o clima tem sido outro fator de atenção. As chuvas que atingiram algumas regiões do Rio Grande do Sul dificultaram o transporte do cereal e começam a gerar preocupações com o preparo do solo para a safra 2026/27. O excesso de umidade pode atrasar o plantio e comprometer a janela ideal de semeadura, o que, se confirmado, pode afetar a oferta futura e sustentar os preços no longo prazo.

Se você ainda não vendeu sua produção, o momento é de cautela. Os preços estão subindo, mas a diferença entre o que você quer receber e o que as indústrias estão dispostas a pagar ainda é um entrave. Avalie o custo de armazenar o arroz e os riscos climáticos para a próxima safra antes de tomar uma decisão.

Para as indústrias, o desafio é repassar os custos sem perder competitividade. O acompanhamento diário das cotações e a negociação com fornecedores são ferramentas essenciais neste cenário.

🔧 Orientações para você aplicar agora:

1. Acompanhe as cotações diárias: o mercado está volátil, com preços em alta, mas margens ainda apertadas. Monitore os indicadores do Cepea e as condições climáticas para planejar a venda.

2. Avalie o custo de armazenagem: se você tem estrutura para guardar o arroz, pode esperar por preços melhores. Mas considere os custos de armazenagem e os riscos de perdas.

3. Fique de olho no clima: as chuvas que dificultam o transporte e o preparo do solo para a safra 2026/27 podem impactar a oferta futura. Se a safra atrasar, os preços podem subir ainda mais.

4. Negocie com planejamento: se for vender agora, faça uma análise de custo-benefício considerando a margem atual. Se possível, negocie prazos e condições que possam melhorar a rentabilidade.

O mercado do arroz está em um momento de transição, com oferta limitada, estoques baixos e incertezas climáticas. Estar bem informado e planejado é a melhor forma de aproveitar as oportunidades e evitar riscos.

Fonte: Cepea.

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