Política Agrícola

Plantio de Soja

Daniel Vilar
Especialista
7 min de leitura
Plantio de Soja
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Cultivares

Devem ser utilizadas cultivares indicadas para cada estado/região, inscritas no Zoneamento Agrícola estabelecido pelo Ministério da Agricultura (MAPA) para cada unidade da Federação, registradas nesse Ministério e informadas nas publicações oficiais sobre orientações técnicas para essa cultura.

Entre as cultivares indicadas, deve-se dar preferência às resistentes às doenças predominantes na região em que serão cultivadas, às que apresentam altura de planta adequada à colheita mecânica e duração de ciclo compatível com a distribuição dos fatores climáticos (temperatura e chuva) e com o sistema de produção adotado (sucessão de culturas).

Aconselha-se evitar a utilização de apenas uma cultivar, a cada ano, em toda a área. Indicam-se duas ou três cultivares, de diferentes durações de ciclo, especialmente em grandes áreas, para garantir maior estabilidade de produção ao longo dos anos.

Não se deve utilizar a mesma cultivar na mesma área, em anos consecutivos, para evitar o aumento da incidência de enfermidades às quais essas cultivares sejam suscetíveis.

Não se recomenda, no entanto, substituir de uma só vez as cultivares conhecidas e produtivas por cultivares novas, não-testadas na área, mesmo que indicadas para a região, a não ser nos casos em que a substituição seja necessária por conta da suscetibilidade da cultivar a um patógeno presente na área, em níveis críticos.

Deve-se dar preferência à utilização de semente certificada ou fiscalizada, com atestado de garantia fornecido pelo produtor. Se for usada semente própria, deve-se atentar para os quesitos de qualidade.

Qualidade da semente

A boa qualidade da semente é uma das garantias de sucesso da lavoura de soja. Portanto, sugere-se que o agricultor adquira semente de produtor idôneo e registrado no Mapa e na Secretaria de Agricultura do respectivo estado.

O propósito é assegurar as garantias previstas na legislação que trata da qualidade da semente adquirida. No sistema de certificação, a qualidade da semente é garantida por padrões mínimos de germinação, purezas físicas e varietal, que são exigidos pelas normas de produção e comercialização estabelecidas e controladas pelo governo.

Além desse controle oficial para garantia da qualidade da semente no comércio, o agricultor pode contar com o apoio da Lei de Proteção ao Consumidor. O padrão de semente de soja certificada é o mesmo para todo o Brasil.

Ao adquirir a semente, o agricultor deve inteirar-se da sua qualidade. Existem laboratórios oficiais e particulares de análise de semente que informam a germinação, a pureza física e a varietal e a qualidade sanitária do material. Este último dado é importante para avaliar as condições de tratamento com fungicida.

Outra maneira de conhecer a qualidade do produto é consultar o Atestado de Garantia de Semente, fornecido pela empresa produtora. O atestado transcreve as informações dos laudos oficiais de análise de semente, que têm validade de 6 meses após a data da análise.

Ao consultar um atestado, o agricultor deve prestar atenção nas seguintes colunas: de germinação (percentagem), pureza física (percentagem), pureza varietal, outras cultivares (OC); outras espécies (OE), semente silvestre (SSC), semente nociva tolerada (SNT) e validade da germinação.

No armazenamento temporário, até a época de semeadura, a semente, como ser vivo, deve receber todos os cuidados necessários e apresentar boa germinação e emergência no campo.

O produtor deve atender, na medida do possível, às seguintes recomendações: armazenar em galpão bem ventilado, sobre estrados de madeira, não empilhar os sacos de semente contra as paredes do galpão e não armazenar sementes ao lado de adubos, calcário e agroquímicos.

O local de armazenagem deve estar livre de fungos e roedores. Dentro do armazém, a temperatura não deve ser superior a 25ºC, e a umidade relativa do ar não deve ultrapassar 70%.

Se não for possível atender a essas condições na propriedade, recomenda-se ao agricultor retirar as sementes do armazém do seu fornecedor somente em época próxima à semeadura.

Tratamento da semente

A semente de soja, antes de ser semeada, deve ser submetida a tratamento com fungicidas e inoculante. Com essa medida, assegura-se boa emergência no campo e a não-disseminação de doenças transmitidas por semente nem sua introdução na propriedade.

O tratamento com fungicida, que deve ser realizado antes da inoculação, é feito utilizando-se um tambor giratório com eixo excêntrico. Existem também máquinas específicas para esse tratamento. O fungicida é adicionado ao tambor, na dosagem recomendada (Tabela 1).

O tambor é, então, girado de forma a distribuir o fungicida igualmente por todas as sementes. A calda com o fungicida a ser adicionado à semente não deverá exceder 300 mL/ 50 kg de semente.

A seguir, movimentasse mais uma vez o tambor para misturar, desta vez, o inoculante com as sementes. A inoculação com Bradyrhizobium japonicum é fundamental para assegurar adequada nodulação, capaz de garantir um bom suprimento de nitrogênio à planta.

Aconselha-se não fazer o tratamento e a inoculação diretamente no reservatório da semente da máquina semeadora.

Manusear fungicidas exige muita atenção do operador porque, sendo produtos químicos, podem causar toxicidade. Por isso, aconselha-se tratar a semente em ambiente aberto e ventilado. O operador deve fazer uso de EPI.

É proibido fumar ou ingerir bebidas alcoólicas durante a operação de tratamento. Deve-se recorrer à assessoria técnica de um agrônomo para orientar o tratamento.

Época de semeadura

A soja deve ser semeada entre meados de outubro e meados de dezembro, na quase totalidade das regiões produtoras brasileiras (Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul).

Há exceções para algumas microrregiões, onde a soja se desenvolve bem em semeaduras, a partir do início de outubro, e outras, em dezembro.

Para as Regiões Norte e Nordeste, a melhor época de semeadura varia muito. Por isso, recomenda-se consultar informações técnicas locais antes de dar início à semeadura.

Recomenda-se consultar, também, as informações fornecidas pelas empresas de melhoramento genético (públicas ou privadas) sobre as exigências de cada cultivar quanto à época de semeadura.

Deve-se iniciar a semeadura apenas se houver umidade no solo suficiente para garantir a embebição e a germinação da semente.

Em regiões onde o intervalo entre as chuvas de primavera–verão é de poucos dias e há uniformidade nessa periodicidade – condição mais comum em parte da Região Centro-Oeste do País –, há segurança para semeaduras em solos secos.

Cumpre lembrar, porém, que isso só pode feito se a semente for tratada com produtos que assegurem sua viabilidade até a próxima chuva.

Densidade de plantas e espaçamento entre linhas

Utilizar determinada quantidade de semente que permita a obtenção de uma população de 220 a 320 mil plantas/ha.

Utilizar densidades maiores (320 mil a 400 mil plantas/ha) em condições menos favoráveis ao crescimento das plantas (semeaduras fora da época mais indicada e solos de baixa fertilidade), quando há risco de obtenção de plantas de baixo porte, ou para cultivares com essa característica.

Observar que populações menores (220 mil plantas/ha) são indicadas para condições em que as plantas crescem muito ou haja alta probabilidade de acamamento.

Semear a soja em espaçamento entre linhas de 0,4 m a 0,5 m. Um espaçamento menor que 0,4 m, desde que mantida a população de plantas, não afeta negativamente o rendimento, podendo até aumentá-lo, por melhorar o aproveitamento da luz incidente e inibir o crescimento das plantas invasoras reincidentes. Dificulta, no entanto, as operações de manejo nas entre linhas.

Profundidade de semeadura

A soja deve ser semeada de 3 a 5 cm de profundidade. Profundidades superiores podem dificultar a emergência, principalmente em solos arenosos sujeitos a assoreamento ou em condições em que ocorre compactação superficial do solo.

Em semeadura mais rasa, pode ocorrer falta de umidade para os processos de embebição e de germinação da semente, caso não chova nos dias seguintes à semeadura.

Para assegurar maior uniformidade de distribuição e de cobertura das sementes, a máquina semeadora deve trabalhar numa velocidade de deslocamento entre 4 e 6 km/h.

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Fonte

PAS Campo. Manual de segurança e qualidade para a cultura da soja. Brasília: DF: Embrapa Transferência de Tecnologia, 2005.

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