MIP-Soja Frente às Mudanças no Cenário Agrícola
O MIP-Soja um programa dinâmico, continuamente atualizado, aprimorado e ajustado através de pesquisas referentes às diferentes táticas empregadas, buscando atender às principais mudanças na cultura da soja dentro do sistema produtivo, para as condições brasileiras. O livro Integrated Pest Mangement in the Global Arena, editado pela CABI (MAREDIA et al., 2003), entre outros, apresenta um capítulo dedicado ao MIP no Brasil, destacando o MIP-Soja, com ênfase nos esforços realizados no Estado do Paraná para desenvolvimento, difusão e manutenção do sistema (HOFFMANN-CAMPO et al., 2003).
Entretanto, vários fatores atualmente contribuem para a baixa adoção do MIP-Soja, muitos deles causados pela dificuldade no monitoramento das pragas, especialmente em grandes áreas, e a insegurança dos agricultores e técnicos quanto à eficiência dos níveis de ação em relação às características das cultivares mais utilizadas que apresentam hábito de crescimento indeterminado, ciclo precoce e são semeadas no cedo.
No contexto do atual cenário agrícola e com o objetivo de buscar respostas aos principais questionamentos vigentes, um programa de MIP-Soja foi conduzido na safra 2010/11 numa parceria entre a Coamo e a Embrapa Soja, abrangendo nove regiões produtoras de soja dos estados do Mato Grosso do Sul, do Paraná e de Santa Catarina (CORRÊA-FERREIRA et al., 2012).

No total das 108 unidades, implantadas em lavouras de produtores rurais, a maioria foi conduzida em áreas com cultivares transgênicas (86,6%) e crescimento indeterminado (72,7%), predominando as cultivares de ciclo precoce (51,3%) e semiprecoce (27,8%); os grupos de maturidade variaram de 5,8 a 6,9 e em regiões com distinta pressão populacional de pragas.
Numa comparação entre o sistema MIP e aquele adotado pelo produtor, os resultados obtidos indicaram que os critérios utilizados pelo MIP-Soja são viáveis no atual sistema produtivo. Em relação ao manejo dos percevejos, destaca-se que o monitoramento foi fundamental na tomada de decisão; na média, não foram constatadas diferenças na produtividade e na qualidade da soja entre os dois sistemas e que os produtores realizaram mais aplicações de inseticidas que o sistema MIP, variando de 1,4 a 7,8 vezes nas diferentes regiões.
Portanto, os resultados não foram diferentes daqueles obtidos 38 anos atrás, quando se iniciou o programa de MIP-Soja no Brasil, embora as atualizações e o aperfeiçoamento das diferentes tecnologias envolvidas sejam constantes e necessários, devendo-se investigar os desafios e realizar os ajustes de forma contínua para garantir o uso com sucesso de programas de MIP nas diferentes regiões produtoras de soja.
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Fonte
HOFFMANN-CAMPO, Clara Beatriz; CORRÊA-FERREIRA, Beatriz Spalding; MOSCARDI, Flavio. Soja: Manejo Integrado de Insetos e Outros Artrópodes-pragas. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa, 2012.