Pecuária regenerativa: mais animais por hectare sem degradar o solo
Estudos apontam recuperação do solo, aumento da produtividade e redução da dependência de insumos em sistemas de pastejo rotacionado
A busca por sistemas mais produtivos e menos dependentes de insumos externos tem levado muitos pecuaristas a olhar com mais atenção para a pecuária regenerativa. Entre as estratégias mais utilizadas está o pastejo rotacionado adaptativo, conhecido pela sigla AMP (Adaptive Multi-Paddock), um modelo que busca recuperar a saúde do solo ao mesmo tempo em que mantém ou aumenta a produção animal.
Diferentemente do pastejo contínuo, onde os animais permanecem por longos períodos na mesma área, o sistema AMP trabalha com alta densidade de animais por curto período e intervalos maiores de descanso para a pastagem. Esse manejo permite que o capim se recupere adequadamente antes de ser novamente pastejado.
Diversos estudos têm demonstrado benefícios desse modelo. Uma pesquisa publicada em 2021 no Journal of Environmental Management constatou que áreas manejadas com pastejo AMP apresentaram estoques de carbono no solo 13% maiores e níveis de nitrogênio 9% superiores aos observados em sistemas de pastejo contínuo. O estudo também identificou maior estabilização do carbono no solo, fator importante para a manutenção da fertilidade e da estrutura física das áreas de produção.
Os ganhos não se limitam à qualidade do solo. Experimentos realizados no sudeste dos Estados Unidos registraram aumento superior a 300% na infiltração de água e na quantidade de biomassa disponível nas pastagens quando comparados a sistemas convencionais. Com solos mais estruturados e maior capacidade de retenção de água, as áreas se tornam mais resilientes durante períodos de estiagem.
No Brasil, trabalhos desenvolvidos pela Embrapa em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) também vêm demonstrando resultados positivos. Em áreas de Ipameri, Goiás, a recuperação de pastagens degradadas por meio da integração produtiva resultou em aumento da matéria orgânica do solo, melhoria dos níveis de fósforo disponível, produtividade de soja chegando a 78 sacas por hectare e maior capacidade de suporte animal em comparação com pastagens degradadas.
O princípio por trás desse sistema é relativamente simples. Quando os animais permanecem pouco tempo em cada piquete, ocorre consumo mais uniforme da forragem, distribuição equilibrada de fezes e urina e maior estímulo ao desenvolvimento das raízes das plantas. Com mais raízes e matéria orgânica, o solo melhora sua capacidade de armazenar água e nutrientes, favorecendo o crescimento da pastagem.
Em uma propriedade com pastagem degradada, a simples divisão da área em piquetes e a adoção de períodos adequados de descanso podem permitir melhor aproveitamento do capim existente. Com o passar do tempo, o produtor pode observar aumento da produção de forragem, melhoria da cobertura do solo e maior capacidade de suporte dos animais sem necessariamente ampliar a área de produção.
Outro ponto importante é a redução da dependência de insumos. Sistemas regenerativos buscam aproveitar melhor os recursos já presentes na propriedade, diminuindo a necessidade de intervenções corretivas frequentes e aumentando a eficiência do uso do solo.
🔧 Orientação:
Se você pretende adotar o pastejo rotacionado, o primeiro passo é avaliar a condição atual da pastagem e planejar corretamente o número de piquetes e o período de descanso do capim. O sucesso do sistema depende menos da quantidade de animais e mais do manejo adequado do tempo de ocupação e recuperação de cada área.
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