Ureia começa a abaixar o preço
A queda é atribuída à normalização das exportações através do Estreito de Ormuz, à redução dos preços praticados pelo Irã e à retomada parcial das exportações chinesas.
O mercado de fertilizantes iniciou junho com movimentos que começam a melhorar as relações de troca para produtores brasileiros, ainda mais para quem já planeja a safra de verão e a safrinha de milho 2026/27. Embora os custos ainda permaneçam elevados em comparação ao ano passado, alguns segmentos mostram sinais de acomodação e até oportunidades de compra.
O principal destaque vem dos fertilizantes nitrogenados. A ureia, que vinha operando em patamares elevados nos últimos meses, registrou forte recuo no mercado internacional. A queda é atribuída à normalização das exportações através do Estreito de Ormuz, à redução dos preços praticados pelo Irã e à retomada parcial das exportações chinesas.
A China havia restringido os embarques desde o início dos conflitos no Oriente Médio, reduzindo a oferta global do produto. Com a reabertura de parte das cotas de exportação, mais volumes passaram a chegar ao mercado, trazendo maior disponibilidade e reduzindo a pressão sobre os preços.
Outro fator importante é o desempenho do sulfato de amônio, que continua servindo como sustentação para o mercado de nitrogenados. Apesar da queda da ureia, o sulfato mantém preços relativamente firmes, ajudando a equilibrar o setor.
Já os fertilizantes fosfatados seguem em situação diferente. Os preços continuam elevados e sem perspectivas imediatas de queda. Segundo analistas do mercado, o principal motivo está no alto custo das matérias-primas utilizadas na produção, especialmente o enxofre e o ácido sulfúrico, componentes fundamentais na fabricação dos fosfatados.
Enquanto isso, o mercado de cloreto de potássio apresenta comportamento mais estável. Após as altas observadas nos últimos meses, impulsionadas principalmente pela valorização dos fretes marítimos e pelas incertezas geopolíticas, os preços passaram a recuar levemente e agora operam em um cenário de acomodação.
Apesar desse movimento, a relação de troca para a soja ainda preocupa. O cloreto de potássio permanece mais caro do que no mesmo período do ano passado. O fosfato monoamônico (MAP), por exemplo, apresenta uma relação de troca significativamente mais desfavorável, exigindo aproximadamente 20 sacas de soja a mais por tonelada quando comparado ao ciclo anterior.
Para o produtor, isso significa que a próxima safra de soja continua se desenhando com custos elevados na área de fertilizantes. Por outro lado, o cenário começa a ficar mais favorável para culturas que demandam maior uso de nitrogenados, como o milho.
Segundo especialistas, as relações de troca para a safrinha 2026/27 começam a mostrar melhora, especialmente para ureia e sulfato de amônio. Embora os preços ainda estejam longe dos patamares considerados ideais, o mercado já apresenta oportunidades que não existiam há poucos meses.
O câmbio mais baixo também contribui para aliviar parte dos custos de importação, favorecendo a formação dos preços internos dos fertilizantes.
Para os próximos meses, a expectativa é de acompanhamento constante do comportamento da ureia e da evolução da oferta internacional. Caso o fluxo de exportações continue normalizado e a China mantenha participação ativa no mercado, novos ajustes podem ocorrer.
🔧 Orientação: Se você está planejando compras para o milho verão ou para a safrinha 2026/27, este pode ser um momento interessante para acompanhar as relações de troca com mais atenção. Os nitrogenados já começam a apresentar oportunidades, enquanto os fosfatados seguem exigindo cautela devido aos custos ainda elevados.