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Soja reage com China no radar

Mesmo assim, pesquisadores do Cepea destacam que a soja brasileira deve continuar com forte demanda da China nos próximos meses.

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
Soja
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Os preços futuros da soja voltaram a subir nos Estados Unidos, impulsionados pelo avanço de novos acordos comerciais entre americanos e chineses. Segundo o Cepea, a China se comprometeu a comprar dos EUA cerca de US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas, incluindo 25 milhões de toneladas de soja.

O movimento reacendeu o mercado internacional da oleaginosa e trouxe reflexos também para os preços no Brasil. Além do acordo comercial, outro fator que favorece os embarques norte-americanos é o dólar abaixo de R$ 5,00, cenário que reduz parte da competitividade brasileira no mercado externo.

Mesmo assim, pesquisadores do Cepea destacam que a soja brasileira deve continuar com forte demanda da China nos próximos meses. Isso acontece porque os prêmios de exportação no Brasil seguem mais atrativos em relação aos praticados nos Estados Unidos.

Na prática, o comprador chinês continua encontrando vantagem na soja brasileira, principalmente pela oferta elevada da safra nacional e pela competitividade logística em alguns períodos do ano.

No mercado interno, a valorização da soja também ganhou força na última semana. Segundo o Cepea, o avanço dos preços foi sustentado principalmente pela demanda externa aquecida.

Os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reforçam esse cenário. A média diária de exportações brasileiras de soja em maio, considerando os primeiros 10 dias úteis do mês, já supera em 18,5% o ritmo registrado em abril.

Vale lembrar que abril já havia marcado um recorde histórico nos embarques brasileiros da oleaginosa, confirmando o forte fluxo de exportações mesmo diante das mudanças no cenário internacional.

Para o produtor rural, o momento exige atenção tanto ao câmbio quanto ao comportamento dos prêmios nos portos. Pequenas variações nesses indicadores podem alterar significativamente a rentabilidade final da comercialização.

Outro ponto importante é acompanhar a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado chinês. Embora a China sinalize maior aproximação com os americanos, o Brasil continua sendo peça estratégica no abastecimento global de soja.

Além disso, a combinação entre demanda externa firme e ritmo acelerado das exportações pode continuar dando sustentação aos preços internos no curto prazo.

🔧 Orientação: Se você ainda possui soja armazenada, acompanhe diariamente câmbio, prêmio de exportação e movimentação dos contratos em Chicago. Em momentos de maior volatilidade internacional, oportunidades pontuais de comercialização podem surgir rapidamente.

Fonte: Cepea/Esalq-USP

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