Mercado

Preços agro seguem pressionados em 2026

Apesar da estabilidade no índice geral, os movimentos dentro do agro foram bastante diferentes entre os setores.

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
agro
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Os preços agropecuários no Brasil ficaram praticamente estáveis em abril, mas o cenário ainda mostra pressão sobre a renda do produtor rural em 2026. Segundo levantamento do Cepea, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) teve leve recuo de 0,03% em relação a março.

Apesar da estabilidade no índice geral, os movimentos dentro do agro foram bastante diferentes entre os setores. Hortifrúti e pecuária registraram valorização, enquanto grãos, cana e café apresentaram queda nos preços.

O grupo de hortifrúti teve alta de 7% em abril, puxado principalmente pela valorização de produtos como batata, banana e uva. Já a pecuária avançou 1,33%, com destaque para o aumento nos preços do boi gordo, leite e ovos.

Por outro lado, os grãos recuaram 0,98%. Mesmo com altas em culturas como algodão, arroz, soja e trigo, a forte pressão negativa do milho acabou derrubando o índice do grupo.

No segmento de cana e café, o recuo foi ainda mais intenso, chegando a 2,60%. Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização do café não conseguiu compensar a queda observada nos preços da cana-de-açúcar.

O levantamento também mostra que os preços industriais subiram mais que os agropecuários no período. O IPA-OG-DI avançou 3,81% em abril, indicando que a indústria teve desempenho superior ao observado no campo.

No mercado internacional, os alimentos até tiveram leve valorização em dólar, com alta de 0,23%. Porém, a valorização do real frente à moeda americana — de 3,59% no mês — acabou reduzindo os preços internacionais quando convertidos para reais.

Na prática, isso significa menor competitividade e margens mais apertadas para parte do setor exportador brasileiro.

Quando a comparação é feita no acumulado do ano, o cenário fica ainda mais desafiador. Entre janeiro e abril de 2026, o IPPA/CEPEA acumula queda de 9,87% frente ao mesmo período de 2025.

Os recuos atingem praticamente todos os segmentos do agro:

  • Cana e café: -18,06%;

  • Grãos: -10,10%;

  • Hortifrúti: -9,08%;

  • Pecuária: -5,56%.

Além da pressão sobre os preços, a valorização do real frente ao dólar — acumulada em 10,83% no período — também reduz a competitividade de diversos produtos brasileiros no mercado externo.

Para o produtor rural, o momento exige atenção redobrada ao custo de produção, fluxo de caixa e estratégias de comercialização. Em cenários de preços mais pressionados, eficiência operacional e gestão financeira passam a fazer ainda mais diferença na rentabilidade da atividade.

🔧 Orientação prática: Se você ainda não atualizou seus custos da safra 2025/26, este é um bom momento para revisar margem por hectare, despesas operacionais e estratégias de venda. Pequenas correções de gestão podem evitar perdas maiores em um cenário de preços mais apertados.

Fonte: Cepea/Esalq-USP

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