Feijão dispara e mercado entra em alerta
Para o consumidor, o impacto já começa a aparecer nas gôndolas.
O mercado brasileiro de feijão vive um dos momentos mais pressionados dos últimos anos. A combinação entre redução de área plantada, problemas climáticos, perda de qualidade dos grãos e estoques apertados tem elevado os preços rapidamente em diversas regiões produtoras do país.
Segundo análise da Safras & Mercado, o feijão carioca já registra valores considerados historicamente elevados. Em algumas regiões do interior paulista, a saca começou a testar os R$ 500, enquanto áreas do Noroeste de Minas Gerais trabalham próximas de R$ 465. No caso do feijão preto, os preços também avançaram com força, impulsionados pela procura de consumidores em busca de opções mais acessíveis diante da alta do carioca.
O cenário preocupa porque o movimento de valorização não está ligado a apenas um fator isolado. O mercado enfrenta uma oferta limitada justamente em um momento de necessidade de reposição por parte da indústria e do varejo.
No Paraná, principal estado da segunda safra, houve forte redução da área cultivada. A segunda safra perdeu cerca de 24% da área total, enquanto a primeira safra teve recuo superior a 32%. Em nível nacional, o Brasil também reduziu o plantio nas duas principais janelas de produção.
Além da menor área, o clima aumentou ainda mais a pressão sobre o mercado. As geadas registradas na primeira quinzena de maio no Paraná afetaram importantes regiões produtoras. Em várias áreas, as temperaturas chegaram próximas de 0°C, provocando danos nas plantas e aumentando o risco de perda de qualidade dos grãos.
E no feijão, qualidade faz diferença direta no preço. O frio combinado com períodos de umidade e chuva elevou o risco de manchas, escurecimento precoce e defeitos visuais, fatores que reduzem o valor comercial do produto.
Outro ponto importante é que o chamado feijão de escurecimento lento, muito valorizado pelas empacotadoras e pelo varejo, está cada vez mais raro no mercado. Isso aumenta ainda mais a disputa pelos lotes superiores.
Em Minas Gerais, que poderia ajudar a equilibrar a oferta, o excesso de chuvas no início do ano também comprometeu parte da safrinha. O atraso no desenvolvimento das lavouras reduziu o potencial produtivo em diversas regiões.
No campo, muitos produtores seguem segurando parte dos lotes aguardando novos reajustes de preços. Já a indústria trabalha comprando apenas o necessário para reposição imediata, o que reduz a liquidez e deixa o mercado ainda mais sensível a qualquer problema climático adicional.
Para o consumidor, o impacto já começa a aparecer nas gôndolas. O feijão carioca premium em alguns mercados já se aproxima ou supera os R$ 10 por quilo.
Agora, a atenção do setor se volta para a terceira safra, que ganhou papel estratégico no abastecimento do segundo semestre. Qualquer problema climático nesta etapa poderá manter o mercado pressionado por mais tempo.
No dia a dia da propriedade, esse cenário reforça a importância do planejamento comercial e da gestão da qualidade pós-colheita. Se você produz feijão, acompanhar o ponto ideal de colheita, investir em armazenamento adequado e monitorar a umidade dos lotes pode fazer diferença importante no valor final recebido pela saca.
Fonte: Safras & Mercado.