Exportações de grãos crescem e pressionam fretes
A maior movimentação ocorre principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sul, com destaque para o estado de Mato Grosso, principal origem dos grãos enviados ao mercado externo.
O ritmo forte da colheita de soja e milho está movimentando os corredores logísticos do país. Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento, as exportações avançaram no primeiro trimestre de 2026 e já superam os volumes registrados no mesmo período do ano passado.
No caso da soja, os embarques cresceram cerca de 5,9% entre janeiro e março, acompanhando o avanço da colheita, que já alcança aproximadamente 88,1% da área plantada no Brasil. Para o milho, o crescimento foi ainda mais expressivo: alta de 15,25% nas exportações em comparação ao primeiro trimestre de 2025.
A maior movimentação ocorre principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sul, com destaque para o estado de Mato Grosso, principal origem dos grãos enviados ao mercado externo.
Entre os corredores logísticos, o chamado Arco Norte segue ganhando espaço. No caso da soja, quase 39% dos embarques passaram pelos portos da região Norte. Na sequência aparecem o porto de Santos, em São Paulo, com 36,2%, e Porto de Paranaguá, com 18,3%.
Para o milho, o cenário é parecido. O Arco Norte respondeu por 34,9% do volume exportado, seguido pelo porto de Santos e pelo Porto de Rio Grande.
Com mais carga circulando, o reflexo apareceu rapidamente no transporte. O aumento da demanda por caminhões elevou os preços dos fretes em diversas regiões produtoras.
Em Goiás, algumas rotas tiveram reajustes de até 35%, especialmente em saídas de Cristalina. Em Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, os aumentos chegaram a 10%.
No Distrito Federal, a alta ficou em torno de 12%, acompanhando o pico sazonal de movimentação da soja.
No Sul, o frete também ficou mais caro. No Paraná, regiões como Ponta Grossa registraram aumento de até 11%, impulsionado pelo custo dos combustíveis e pela maior disputa por transporte.
Já no Sudeste, São Paulo apresentou algumas das maiores altas, com reajustes próximos de 30% em relação a março. Em Minas Gerais, a valorização foi mais moderada, mas também acompanhou a pressão logística.
Outro ponto observado pela Conab foi o crescimento das importações de fertilizantes. No primeiro trimestre, o Brasil importou 8,61 milhões de toneladas, volume 9,13% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Esse aumento ajuda a garantir abastecimento para os próximos ciclos agrícolas, principalmente em um momento em que o mercado internacional segue atento a custos logísticos e disponibilidade global de insumos.
🔧 Orientação: acompanhar o comportamento dos fretes pode ajudar o produtor a planejar melhor o escoamento da safra. Em períodos de pico logístico, antecipar negociações de transporte costuma reduzir custos e evitar gargalos na entrega.