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Café tem mercados opostos em maio

O arábica bebida boa no sul de Minas Gerais caiu 3,3% em maio, passando de R$ 1.790 para R$ 1.730 por saca na base de compra. Ao mesmo tempo, o conilon tipo 7 negociado em Vitória (ES) avançou cerca de 9%, saindo de R$ 890 para R$ 970 por saca.

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
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O mercado de café encerra maio com cenários diferentes para o arábica e o conilon/robusta. Enquanto o arábica perdeu força na Bolsa de Nova York e no mercado físico brasileiro, o robusta registrou valorização em Londres e também avançou nas negociações internas, especialmente no Espírito Santo.

Segundo análise da Safras & Mercado, a pressão sobre o arábica veio principalmente da expectativa de uma safra maior no Brasil e de boas produções em outros grandes exportadores, como Colômbia e Vietnã. Relatórios ligados ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçaram a percepção de oferta mais confortável para o ciclo 2026/27.

Na Bolsa de Nova York, o contrato julho/2026 do arábica acumulou queda de 6,3% em maio, recuando de 285,55 para 267,65 centavos de dólar por libra-peso. O dólar mais valorizado frente ao real também ajudou a pressionar as cotações internacionais.

Já o robusta seguiu caminho contrário. O contrato julho em Londres acumulou alta de 4,1% no mês, impulsionado pelos baixos estoques certificados, atrasos na colheita brasileira e sinais iniciais de produtividade abaixo do esperado em algumas áreas produtoras.

No Brasil, o mercado físico acompanhou esse comportamento. O arábica bebida boa no sul de Minas Gerais caiu 3,3% em maio, passando de R$ 1.790 para R$ 1.730 por saca na base de compra. Ao mesmo tempo, o conilon tipo 7 negociado em Vitória (ES) avançou cerca de 9%, saindo de R$ 890 para R$ 970 por saca.

Segundo o analista Gil Barabach, o mercado vive um momento de transição entre a safra velha e a entrada do café novo. Hoje, os compradores têm priorizado cafés recém-colhidos, enquanto os lotes remanescentes da safra passada perdem espaço nas negociações.

Na prática, isso cria dois mercados distintos para o produtor. Cafés novos de melhor qualidade já são negociados em torno de R$ 1.500 por saca, enquanto lotes antigos enfrentam maior dificuldade de valorização.

Além disso, a lentidão na colheita do conilon brasileiro e a postura mais firme dos vendedores ajudaram a sustentar os preços do robusta, principalmente no Espírito Santo, principal polo nacional da cultura.

O cenário reforça que o produtor deve acompanhar não apenas o comportamento das bolsas internacionais, mas também o ritmo da colheita, os estoques globais e a qualidade do produto ofertado.

🔧 Orientação prática:
Se você está iniciando a comercialização da safra nova, vale acompanhar atentamente os diferenciais pagos por qualidade e bebida. Em momentos de transição de safra, cafés bem preparados e armazenados costumam ter maior poder de negociação no mercado.

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