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Algodão brasileiro dispara com conflito e seca

A forte demanda da China também tem sustentado os negócios brasileiros.

Gustavo Loose
Especialista
3 min de leitura
Algodão
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Os produtores brasileiros de algodão vivem um momento de forte valorização da fibra no mercado internacional. Impulsionados pela guerra no Oriente Médio e pela seca nas áreas produtoras dos Estados Unidos, os preços do algodão já acumulam alta superior a 20% em 2026 e atingiram neste mês os maiores níveis desde 2024.

Segundo informações da Bloomberg, um dos fatores que mais mexeram com o mercado foi o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e derivados. A interrupção nos embarques de nafta — matéria-prima usada na fabricação de fibras sintéticas — aumentou a procura mundial pelo algodão natural.

Ao mesmo tempo, previsões de clima seco nas regiões produtoras dos Estados Unidos elevaram as preocupações com a safra norte-americana, reduzindo expectativas de oferta global. O cenário abriu espaço para o Brasil ampliar exportações e aproveitar os preços mais altos.

O país já caminha para um novo recorde de embarques, com previsão de exportar 3,1 milhões de toneladas na temporada encerrada em junho, volume cerca de 9% maior que o registrado no ciclo anterior. Hoje, o Brasil responde por aproximadamente um terço das exportações globais da fibra e consolidou sua posição como maior exportador mundial de algodão, ultrapassando os Estados Unidos.

A forte demanda da China também tem sustentado os negócios brasileiros. Além disso, a suspensão temporária de tarifas de importação pela Índia favoreceu ainda mais os embarques nacionais.

Na prática, produtores brasileiros estão aproveitando rapidamente o momento. O agricultor Sérgio Pitt, da Bahia, relatou à Bloomberg que havia negociado inicialmente apenas um terço da produção. Com a disparada dos preços, ampliou as vendas para cerca de 90% da safra que começará a colher no próximo mês.

O movimento chega em um momento importante para o agro brasileiro. Custos elevados de fertilizantes, crédito mais restrito e renegociações de dívidas rurais vêm pressionando produtores em diversas cadeias agrícolas. Enquanto commodities como café e açúcar perderam força nos últimos meses, o algodão virou um dos poucos destaques positivos da temporada.

Outro fator que fortalece o Brasil é a estabilidade climática do Centro-Oeste, considerada mais previsível que as regiões produtoras americanas. Isso tem aumentado a confiança de compradores internacionais e ampliado a participação brasileira no mercado global.

Analistas do setor afirmam que, caso a quebra de safra nos Estados Unidos se confirme, os preços internacionais ainda podem subir mais nos próximos meses.

🔧 Orientação prática: para quem produz algodão, o momento exige atenção redobrada às oportunidades de comercialização futura. Travar parte da produção em períodos de alta pode ajudar a proteger margem e garantir fluxo de caixa diante dos custos elevados da próxima safra.

Fonte: Bloomberg.

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