Agro brasileiro quer fortalecer imagem no exterior
A produtora rural e exportadora Priscila Nasrallah chamou atenção para a necessidade de acelerar processos regulatórios ligados à inovação no campo.
Representantes do agronegócio brasileiro defenderam nesta semana, em Brasília (DF), a importância de mostrar ao mercado internacional que a produção agrícola nacional é baseada em ciência, tecnologia e inovação. O debate aconteceu durante o lançamento da campanha “O que é que só o Brasil tem?”, promovida pela CropLife Brasil.
Durante o painel “O Brasil em inovação: O trópico como laboratório de soluções”, lideranças do setor destacaram que o agro brasileiro precisa combater narrativas negativas no exterior e reforçar sua imagem como fornecedor sustentável e altamente tecnológico.
Segundo Pedro Netto, gerente de Agronegócio da ApexBrasil, o país tem investido em aproximar compradores internacionais, influenciadores e veículos de imprensa da realidade das fazendas brasileiras.
“A gente traz o comprador, o influencer e a mídia para a nossa fazenda, para mostrar que o nosso agro é baseado em tecnologia e ciência e gera um produto saudável”, afirmou. Ele também destacou que o Brasil abriu 620 novos mercados para o agronegócio desde 2023.
A discussão ganhou força em um momento em que o Brasil amplia sua presença global em diversas cadeias produtivas, como soja, milho, carne bovina, algodão e café. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios relacionados à percepção internacional sobre sustentabilidade, defensivos agrícolas e rastreabilidade.
Fernando Sampaio, secretário-executivo da Rede Clima, reforçou que o Brasil possui papel estratégico na segurança alimentar mundial. Segundo ele, um dos maiores desafios é transformar o conhecimento científico produzido no país em comunicação acessível para outros mercados.
A produtora rural e exportadora Priscila Nasrallah chamou atenção para a necessidade de acelerar processos regulatórios ligados à inovação no campo. Segundo ela, o acesso a novas tecnologias é fundamental para manter a competitividade do produtor brasileiro.
Ela também destacou o crescimento do uso de produtos biológicos na agricultura, mas alertou para a importância de segurança jurídica e maior agilidade na legislação para aprovação dessas soluções.
Outro tema debatido foi o impacto das pragas nas lavouras brasileiras. Aryeverton Fortes, assessor da presidência da Embrapa, lembrou os prejuízos causados pela ferrugem asiática na soja, pelo bicudo-do-algodoeiro e pelos nematoides em diferentes culturas.
Segundo ele, o país precisa continuar investindo em pesquisa, inovação e desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições tropicais, especialmente em culturas como milho, cana-de-açúcar e pastagens.
Na prática, o debate mostra que a competitividade do agro brasileiro não depende apenas de produtividade dentro da porteira. Comunicação, imagem internacional, abertura de mercados e acesso à inovação passaram a ter peso estratégico para manter as exportações em crescimento.
Para o produtor rural, isso significa que temas como rastreabilidade, boas práticas agrícolas, manejo sustentável e adoção de tecnologias tendem a ganhar ainda mais importância nos próximos anos, especialmente para quem atua em cadeias exportadoras.
🔧 Orientação prática: Se você produz para exportação ou fornece para cooperativas e tradings, vale acompanhar exigências relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade e uso de tecnologias no campo. Esses fatores estão cada vez mais ligados ao acesso a mercados e à valorização do produto brasileiro no exterior.
Fonte: informações divulgadas pela Agência Safras News.