Super El Niño preocupa o agro capixaba
Segundo a NOAA, agência climática dos Estados Unidos, há 96% de probabilidade de o El Niño se consolidar nos próximos meses.
A possibilidade da formação de um Super El Niño nos próximos meses já acende um alerta para o agronegócio do Espírito Santo. Especialistas apontam que o fenômeno climático pode provocar temperaturas acima da média, chuvas irregulares e aumento da pressão sobre os recursos hídricos, afetando diretamente lavouras e a produção rural no Estado.
Segundo a NOAA, agência climática dos Estados Unidos, há 96% de probabilidade de o El Niño se consolidar nos próximos meses. Existe ainda a chance de o fenôeno atingir a categoria de “super”, quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico ultrapassa 1,5°C acima da média por vários meses — podendo chegar perto de 3°C neste ciclo.
Para o Espírito Santo, os impactos mais prováveis envolvem calor intenso, períodos de estiagem entre chuvas fortes e maior evaporação da água do solo. De acordo com especialistas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Incaper, os efeitos podem começar a ser sentidos entre julho e agosto, ganhando força durante a primavera e o verão.
Na prática, isso significa maior risco para culturas importantes do Estado, como café, mamão, banana, cacau, pimenta-do-reino e hortaliças. O excesso de calor aumenta o consumo de água pelas plantas e exige reforço na irrigação, justamente em um período em que os reservatórios podem enfrentar maior pressão.
Outro problema apontado pelos especialistas é o comportamento irregular das chuvas. Em vez de precipitações distribuídas ao longo da semana, o fenômeno pode provocar tempestades rápidas e intensas. Esse tipo de chuva gera enxurradas, erosão e lixiviação — processo em que nutrientes e fertilizantes são carregados para camadas mais profundas do solo ou para rios e córregos.
Se você trabalha com café no norte e noroeste capixaba, por exemplo, o cuidado precisa ser ainda maior. Altas temperaturas associadas à baixa umidade do solo podem comprometer o enchimento dos grãos e reduzir produtividade. Já em áreas de hortaliças, o calor extremo pode acelerar perdas e aumentar custos com irrigação e manejo fitossanitário.
Na pecuária, o cenário também exige atenção. Pastagens podem sofrer tanto com excesso de calor quanto com alagamentos em períodos de chuva intensa, reduzindo a oferta de alimento para os animais. O setor pesqueiro também pode sentir reflexos, já que o aquecimento das águas altera o comportamento de espécies marinhas.
O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) alerta ainda para riscos hidrológicos importantes no Sudeste, incluindo enchentes, inundações e secas severas. Além dos impactos locais, possíveis quebras de safra em outras regiões produtoras podem elevar preços de insumos e alimentos.
Apesar das incertezas sobre a intensidade final do fenômeno, os especialistas reforçam que o monitoramento climático será fundamental nos próximos meses. A recomendação é que produtores acompanhem boletins meteorológicos e façam planejamento preventivo das atividades no campo.
🔧 Orientação: revise agora sistemas de irrigação, conservação de solo e drenagem da propriedade. Em áreas com histórico de erosão ou déficit hídrico, antecipar ajustes no manejo pode reduzir perdas caso o Super El Niño realmente se intensifique.