Clima

El Niño preocupa, mas cenário exige cautela

Os próprios dados indicam cerca de 28% de chance de um El Niño fraco, outros 28% de moderado, 27% de forte e apenas aproximadamente 23% de possibilidade de um evento extremo, conhecido como “super El Niño”, semelhante aos registrados em 1997/98 e 2015/16.

Gustavo Loose
Especialista
5 min de leitura
El Niño
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As previsões climáticas mais recentes voltaram a acender o alerta para a possibilidade de um novo El Niño entre 2026 e 2027. Modelos divulgados pelo Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), dos Estados Unidos, indicam alta probabilidade de aquecimento das águas do Oceano Pacífico nos próximos meses. Porém, especialistas reforçam que isso não significa, necessariamente, a formação de um “super El Niño”.

A principal confusão acontece porque muitos produtores observam apenas a probabilidade total de ocorrência do fenômeno. Em alguns períodos, os modelos apontam até 94% de chance de El Niño na região Niño 3.4, área monitorada no Pacífico Equatorial. Mas esse percentual inclui todas as categorias do fenômeno: fraco, moderado e forte.

Na prática, os próprios dados indicam cerca de 28% de chance de um El Niño fraco, outros 28% de moderado, 27% de forte e apenas aproximadamente 23% de possibilidade de um evento extremo, conhecido como “super El Niño”, semelhante aos registrados em 1997/98 e 2015/16.

Outro ponto importante é que água quente no oceano, sozinha, não define o comportamento das chuvas no Brasil. O que realmente influencia o clima é a resposta da atmosfera, principalmente a variação da pressão atmosférica entre o Pacífico central e a região da Austrália. Esse mecanismo é chamado de Oscilação Sul e faz parte do sistema conhecido como ENOS — El Niño Oscilação Sul.

Atualmente, os dados atmosféricos ainda mostram um comportamento mais próximo de neutralidade ou até de um padrão semelhante ao da La Niña. Isso ocorre porque a pressão atmosférica permanece mais elevada no Pacífico central e mais baixa próximo da Austrália. Enquanto essa resposta atmosférica não se consolidar, os impactos típicos do El Niño sobre as chuvas podem continuar limitados.

Além disso, o aquecimento observado nas águas superficiais ainda é considerado moderado em várias áreas do Pacífico. Em regiões importantes para o clima da América do Sul, como Niño 3 e Niño 3.4, as anomalias variam entre 0,5°C e 1°C acima da média, sem aquecimento extremo generalizado.

Outro fator que vem sendo debatido entre pesquisadores é a influência de fenômenos geofísicos, como terremotos submarinos, na movimentação de águas quentes no Pacífico. Um terremoto ocorrido recentemente próximo ao Japão levantou a hipótese de que ondas oceânicas internas possam ter ajudado a deslocar calor em direção à região equatorial, produzindo um aquecimento temporário parecido com o de uma Onda de Kelvin — fenômeno associado ao El Niño clássico.

Por enquanto, os especialistas destacam que ainda é cedo para confirmar um evento extremo. O cenário exige monitoramento constante da interação entre oceano e atmosfera nos próximos meses.

Para o produtor rural, especialmente quem trabalha com soja, milho, café e pecuária, acompanhar essas atualizações climáticas é importante para planejamento de plantio, manejo de solo, compra de insumos e estratégias de irrigação.

🔧 Orientação prática:
Se você depende diretamente do regime de chuvas, o momento é ideal para revisar o planejamento da próxima safra e acompanhar boletins climáticos semanais. Mais importante do que o nome do fenômeno é observar como a atmosfera realmente vai responder nos próximos meses.

Fonte: IRI (International Research Institute for Climate and Society) e análises climáticas sobre ENOS e Oscilação Sul.

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