Agricultura

Safra de café pode bater recorde?

A produtividade média nacional também deve melhorar. A estimativa é de 34,4 sacas por hectare, crescimento de 13% frente à temporada anterior.

Gustavo Loose
Especialista
3 min de leitura
café
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A safra brasileira de café 2026 deve atingir 66,7 milhões de sacas, segundo o novo levantamento divulgado pela Conab. Se a projeção se confirmar, o Brasil terá a maior produção da série histórica da estatal, superando o recorde registrado em 2020.

O volume previsto representa crescimento de 18% em relação à safra passada. A recuperação é puxada principalmente pelo café arábica, beneficiado pelo ciclo de bienalidade positiva — fenômeno natural em que as lavouras alternam anos de maior e menor produtividade — além das boas condições climáticas registradas até março.

A produção de arábica deve alcançar 45,8 milhões de sacas, alta de 28% sobre 2025. Já o conilon, também chamado de robusta, deve somar 20,9 milhões de sacas, avanço mais moderado de 0,8%.

Além da maior produção, a área destinada ao café também cresceu. Segundo a Conab, a cafeicultura brasileira deve ocupar 2,34 milhões de hectares em 2026. Desse total, 1,94 milhão de hectares estão em produção e cerca de 401 mil hectares seguem em formação.

A produtividade média nacional também deve melhorar. A estimativa é de 34,4 sacas por hectare, crescimento de 13% frente à temporada anterior.

Minas Gerais continua liderando a produção nacional. O estado deve colher 33,4 milhões de sacas, aumento de quase 30% sobre a safra passada. O bom desempenho é atribuído à regularidade das chuvas antes da florada e ao clima favorável durante o enchimento dos grãos.

No Espírito Santo, segundo maior produtor do país, a expectativa é de produção total de 18 milhões de sacas. O arábica capixaba deve crescer quase 28%, enquanto o conilon apresenta leve recuo de 4,2%, influenciado pelo elevado rendimento registrado em 2025 e pelas temperaturas abaixo da média ao longo do ciclo.

Bahia, São Paulo e Rondônia também devem registrar crescimento na produção. Em Rondônia, por exemplo, a renovação das lavouras com materiais clonais mais produtivos segue impulsionando a produtividade do conilon.

Mesmo com a previsão recorde no campo, as exportações brasileiras começaram o ano em ritmo menor. Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil embarcou 11,5 milhões de sacas, queda de 22,5% frente ao mesmo período do ano passado, segundo dados do MDIC. A redução está ligada aos estoques internos mais apertados após anos de forte demanda externa.

No mercado internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta aumento de 2% na produção mundial de café. Ainda assim, os estoques globais seguem baixos, o que pode limitar quedas mais fortes nos preços internacionais.

Para o produtor, o cenário mistura oportunidade e cautela. Uma safra maior tende a melhorar a disponibilidade do produto, mas custos de produção, clima e comportamento do mercado internacional continuam exigindo planejamento.

🔧 Orientação:
Se você produz café, este é um momento importante para acompanhar qualidade da colheita e armazenagem dos grãos. Em anos de safra maior, lotes bem padronizados e cafés com melhor qualidade costumam ganhar diferencial na comercialização.

Fonte: Conab

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