Arábica ou Conilon: qual dá mais lucro em 2026?
Os custos de produção também pesam nessa conta.
Escolher entre café Arábica e Conilon nunca foi apenas uma questão de clima ou preferência de mercado. Em 2026, com preços ainda elevados, mas custos de produção pressionando a rentabilidade, essa decisão pode definir o resultado financeiro da propriedade. A boa notícia é que cada espécie tem pontos fortes bem definidos. O segredo é entender qual delas combina melhor com a realidade da sua fazenda.
Quando o assunto é produtividade, o Conilon leva vantagem. Enquanto lavouras bem conduzidas de Arábica costumam produzir entre 20 e 35 sacas por hectare, o Conilon normalmente alcança de 45 a 60 sacas por hectare. Em áreas irrigadas, com cultivares modernas e bom manejo, a produção pode ultrapassar 80 ou até 100 sacas por hectare. Dados da Conab e do Incaper mostram que, na safra 2025/26, a produtividade média nacional do Conilon ficou próxima de 50 sacas por hectare, praticamente o dobro da média registrada para o Arábica.
Por outro lado, quando o assunto é preço, o Arábica continua sendo o protagonista. Em junho e julho de 2026, o indicador Cepea registrou negociações entre R$ 1.500 e R$ 2.200 por saca para o Arábica tipo 6/7, dependendo da qualidade e da região. Já o Conilon tipo 6 foi comercializado, em média, entre R$ 1.000 e R$ 1.300 por saca. Além disso, o Arábica oferece acesso ao mercado de cafés especiais, certificações e microlotes, onde o produtor pode receber prêmios que elevam significativamente o valor final da bebida.
Os custos de produção também pesam nessa conta. Em geral, o Conilon apresenta menor custo por saca produzida. Isso acontece porque a maior produtividade dilui despesas fixas, além de ser uma cultura mais adaptada a regiões quentes e apresentar maior tolerância ao estresse hídrico e a algumas doenças. Estudos do Incaper indicam que o custo de produção do Conilon irrigado pode variar entre R$ 230 e R$ 340 por saca, enquanto no Arábica esse valor frequentemente ultrapassa R$ 400, podendo chegar a R$ 700 por saca em propriedades com produtividade intermediária.
Na prática, a rentabilidade depende muito das características da propriedade. Se você produz em regiões de baixa altitude, clima quente e possui irrigação ou boa mecanização, o Conilon tende a oferecer maior estabilidade e retorno financeiro, principalmente pelo elevado volume produzido. Já em áreas de média e alta altitude, onde o clima favorece a qualidade da bebida, o Arábica continua sendo uma excelente opção para quem consegue agregar valor por meio de cafés especiais, exportação ou torrefação própria.
Veja também: Café Arábica x Conilon: Comparativo das Duas Espécies Dominantes
Um estudo de viabilidade econômica realizado pelo Incaper mostrou que sistemas de produção de Conilon no Espírito Santo alcançaram Taxa Interna de Retorno (TIR) média de 34,5% na colheita manual e até 45% em sistemas semimecanizados e mais adensados, demonstrando que a cultura continua extremamente competitiva mesmo com preços inferiores aos do Arábica.
No fim das contas, não existe uma resposta única. Muitos especialistas da Embrapa Café e do Incaper defendem que, sempre que possível, a diversificação entre Arábica e Conilon reduz riscos de mercado e aumenta a segurança da renda. O mais importante é alinhar a escolha às condições da propriedade, como altitude, clima, disponibilidade de água, infraestrutura e estratégia de comercialização.
🔧 Orientação prática: Antes de decidir qual café plantar, faça as contas considerando produtividade esperada, custo por saca e preço médio recebido na sua região. Em muitos casos, um Conilon bem manejado pode gerar mais lucro por hectare do que um Arábica de baixa produtividade. Da mesma forma, um Arábica de alta qualidade pode compensar sua menor produção com preços muito superiores. Conhecer os números da sua propriedade continua sendo o melhor investimento para tomar a decisão certa.