Clima

El Niño forte preocupa safra mundial em 2026

Segundo os meteorologistas australianos, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico central e oriental já ultrapassaram os limites que caracterizam o El Niño.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O clima voltou a acender um sinal de alerta para a agricultura mundial. O departamento meteorológico da Austrália informou, nesta semana, que um novo episódio de El Niño já está se formando no Oceano Pacífico tropical e pode se tornar um dos mais fortes das últimas sete décadas durante o segundo semestre de 2026.

A preocupação não é apenas científica. O fenômeno tem potencial para alterar o regime de chuvas e as temperaturas em diversas regiões produtoras do planeta, afetando diretamente a produção de alimentos, os preços das commodities e as decisões de plantio.

Segundo os meteorologistas australianos, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico central e oriental já ultrapassaram os limites que caracterizam o El Niño. Além disso, os indicadores atmosféricos também estão alinhados com o fenômeno. Cerca de metade dos modelos climáticos utilizados pelos pesquisadores aponta que o evento poderá atingir intensidade semelhante aos maiores registros observados desde 1950.

Na prática, o El Niño costuma provocar excesso de chuvas em partes das Américas e condições mais quentes e secas em diversas áreas da Ásia. Esse cenário já preocupa produtores asiáticos, que enfrentam interrupções no plantio de algumas culturas devido às mudanças nas condições climáticas.

Para o agronegócio global, o risco é relevante. A Ásia concentra uma grande parcela da população mundial e é uma importante região produtora e consumidora de alimentos. Problemas de produção podem gerar desequilíbrios na oferta, aumentar a volatilidade dos mercados e pressionar os preços agrícolas.

A Austrália também deve sentir fortemente os efeitos do fenômeno. O país é um dos principais exportadores mundiais de trigo, açúcar e carne bovina. Historicamente, o El Niño está associado à redução das chuvas no inverno e na primavera australianos, além de temperaturas mais elevadas, especialmente na região sul do país.

Os exemplos recentes mostram o potencial de impacto. O último episódio de El Niño, entre 2023 e 2024, provocou o trimestre mais seco já registrado na Austrália. Já o evento de 2015 e 2016 causou secas generalizadas e reduziu significativamente a produção de grãos e oleaginosas.

Os cientistas alertam ainda que as mudanças climáticas podem potencializar os efeitos deste novo episódio. Isso significa que os extremos climáticos podem se tornar mais intensos, aumentando os riscos de perdas agrícolas, problemas logísticos e oscilações nos preços das commodities.

Para o produtor rural brasileiro, o momento é de atenção e planejamento. Embora os impactos do El Niño variem entre regiões e culturas, eventos climáticos intensos costumam alterar calendários agrícolas, influenciar a pressão de pragas e doenças e modificar o comportamento dos mercados.

Se você produz grãos, café, cana-de-açúcar ou pecuária, acompanhar as atualizações climáticas será cada vez mais importante para tomar decisões mais seguras. A definição de épocas de plantio, o planejamento hídrico, a contratação de seguro rural e as estratégias de comercialização podem fazer diferença em um cenário de maior instabilidade climática.

🔧 Orientação: comece desde já a incorporar o monitoramento climático no planejamento da próxima safra. Revisar o calendário de operações, acompanhar previsões de médio e longo prazo e avaliar ferramentas de gestão de risco pode reduzir perdas e aumentar a capacidade de resposta diante de um possível El Niño forte em 2026.


Fonte: Reuters.

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