Setor cervejeiro abre espaço ao agro
Segundo o levantamento, o Brasil possuía cervejarias distribuídas em 794 municípios em 2025, o equivalente a uma cervejaria para cada sete cidades brasileiras.
O Brasil já ultrapassa 44 mil cervejarias registradas e ocupa a posição de terceiro maior produtor de cerveja do mundo, mas a maior parte dessas indústrias continua concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Dados do Anuário da Cerveja 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária com apoio da Embrapa Territorial, mostram forte concentração no entorno das capitais dessas regiões, especialmente em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná.
Os mapas produzidos pela Embrapa revelam zonas de maior intensidade cervejeira ao redor de cidades como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis. Em Minas Gerais, o destaque foge da capital: a maior concentração de cervejarias está no Sul do estado. Já no Nordeste, a produção permanece mais restrita à faixa litorânea, indicando espaço para expansão da atividade no interior da região.
Segundo o levantamento, o Brasil possuía cervejarias distribuídas em 794 municípios em 2025, o equivalente a uma cervejaria para cada sete cidades brasileiras. O estado de São Paulo lidera em número de estabelecimentos, com 452 unidades registradas, enquanto a capital paulista aparece como o município com maior concentração do País, somando 61 cervejarias.
Outro dado importante do estudo é o crescimento do setor em municípios médios. Em 2025, o número de cidades com dez ou mais cervejarias chegou a 25. No indicador de densidade cervejeira, Santa Catarina ocupa a liderança nacional, com uma cervejaria para cada 32,6 mil habitantes, bem acima da média brasileira de uma unidade para cada 108,7 mil habitantes.
Além do crescimento industrial, o mapa da cerveja também evidencia oportunidades para o agronegócio. Regiões do Noroeste do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina se destacam por concentrarem áreas produtoras de cereais de inverno, especialmente a cevada, principal matéria-prima da cerveja.

Apesar do avanço da indústria, o Brasil ainda depende da importação de cevada e malte. Segundo a Embrapa Trigo, o País precisaria quadruplicar sua produção para atender à demanda anual de cerca de 2,3 milhões de toneladas de cevada cervejeira.
Nos últimos anos, os pesquisadores vêm enfrentando desafios climáticos na Região Sul, principalmente excesso de chuvas antes da colheita, o que prejudica a qualidade da cevada. Por isso, a Embrapa também investe no desenvolvimento de cultivares adaptadas ao Cerrado irrigado, região considerada mais estável climaticamente e com potencial de alta produtividade.
🔧 Orientação: produtores interessados em diversificar a renda podem acompanhar os avanços das pesquisas com cevada irrigada no Cerrado e avaliar oportunidades futuras de integração com a cadeia cervejeira, que segue em expansão no Brasil.