Agricultura

Potassagem: a correção do potássio no solo que faz a lavoura render mais

Prática ajusta os teores do segundo nutriente mais extraído pelas plantas; manejo adequado exige análise de solo e escolha da fonte certa.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O potássio é o segundo nutriente mineral mais requerido pelas culturas, perdendo apenas para o nitrogênio . Ele desempenha funções essenciais no metabolismo das plantas, como a regulação estomática, a ativação enzimática e o controle osmótico dos tecidos . Por isso, manter níveis adequados desse nutriente no solo é fundamental para garantir a produtividade. A potassagem é justamente a prática de correção do teor de potássio no solo, ajustando sua participação na CTC (Capacidade de Troca de Cátions) para níveis ideais .

A recomendação de potassagem começa com a análise de solo. Em geral, busca-se que o potássio ocupe de 3% a 6% da CTC do solo . Para solos com maior CTC, por exemplo, a concentração ótima pode variar entre 4% e 6%, dependendo do nível de produção esperado . Quando os teores estão abaixo do nível crítico, a potassagem é recomendada, geralmente com a aplicação de cloreto de potássio (KCl), a fonte mais comum devido ao seu alto teor de K e custo-benefício .

Como e onde aplicar?

A definição da dose e do método de aplicação depende da textura e da CTC do solo. Em solos com menos de 20% de argila e baixa CTC, a recomendação é aplicar o potássio no sulco de plantio, em doses que não ultrapassem 60 kg/ha de K₂O, para evitar perdas por lixiviação . Quando as doses recomendadas são altas, pode-se aplicar até 60 kg/ha de K₂O no sulco e o restante em cobertura . Já em solos mais argilosos (com mais de 20% de argila), a aplicação pode ser feita a lanço em área total, prática conhecida como potassagem .

Pesquisas recentes realizadas no sul do Brasil mostram que a aplicação de potássio no sulco de semeadura aumenta a eficiência agronômica e econômica. Em um Argissolo, a aplicação de 50 kg/ha de K no sulco resultou em aumento de 300% na eficiência agronômica e 680% no lucro econômico em comparação à aplicação a lanço . Isso ocorre porque o nutriente fica mais disponível para as raízes em desenvolvimento.

Fonte alternativa: a mica muscovita

Pesquisas recentes têm explorado fontes alternativas de potássio, como a mica muscovita, um silicato rico em potássio encontrado em rochas. Diferente do KCl, que libera potássio rapidamente, a muscovita atua como uma fonte de liberação controlada, fornecendo o nutriente de forma gradual, mais alinhada à demanda das plantas . Essa tecnologia pode ser uma alternativa interessante para reduzir a dependência do Brasil por fertilizantes potássicos importados.

Imagine que a análise de solo da sua propriedade mostrou que o potássio ocupa apenas 2% da CTC, e você deseja elevar esse valor para 4%. A recomendação será baseada na diferença entre o teor desejado e o teor atual, aplicando a dose calculada com o fator de correção . Além disso, para uma lavoura de mandioca com expectativa de alta produtividade, o parcelamento da adubação potássica (parte no plantio e o restante em cobertura aos 45 e 75 dias) pode ser mais eficiente em solos arenosos, reduzindo perdas.

🔧 Orientações para o produtor:

  1. Faça análise de solo: a potassagem só deve ser feita com base em análise laboratorial, considerando a CTC e o teor atual de potássio.

  2. Escolha a fonte adequada: o cloreto de potássio (KCl) é o mais comum, mas o sulfato de potássio (K₂SO₄) pode ser uma alternativa em solos com alta salinidade ou para culturas sensíveis ao cloro.

  3. Defina o método de aplicação: em solos arenosos, prefira o sulco de plantio com doses limitadas. Em solos argilosos, a aplicação a lanço é viável.

  4. Considere o parcelamento: para altas doses ou solos com baixa CTC, divida a aplicação entre plantio e cobertura para evitar perdas por lixiviação.

  5. Avalie novas tecnologias: fontes alternativas como a muscovita ou fertilizantes nano-potássicos podem trazer benefícios de longo prazo e melhorar a eficiência do uso do nutriente.


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