Por que o preço da soja (e do milho) está caindo: análise numérica da safra 2026/27
Expectativa de safra volumosa no Brasil e oferta global pressionam as cotações em outubro de 2026
Em outubro de 2026, os preços da soja e do milho recuaram no mercado interno brasileiro. A queda não é surpresa para quem acompanha o mercado: a combinação de expectativa de grande produção nacional, avanço da colheita nos Estados Unidos e postura cautelosa dos compradores está pesando sobre as cotações.
Os números de preço em outubro
Segundo o Cepea/Esalq:
Soja (Paraná): fechou em torno de R$ 146,69 a R$ 148,77 por saca de 60 kg, com queda acumulada de cerca de 4% a 5,3% no mês.
Soja (Paranaguá): rondou R$ 154 a R$ 155 por saca, com retração mensal próxima de 4,3%.
Milho (Indicador Esalq/B3): chegou a R$ 64,27–64,85 por saca, acumulando queda de 5,5% a 6,4% em outubro.
A liquidez ficou reduzida. Indústrias e consumidores estão relativamente abastecidos e priorizam compras pontuais, aguardando a entrada da nova safra para negociar valores menores.
O que a Conab projeta para 2026/27
No primeiro levantamento oficial (outubro/2026), a Conab estimou:
Produção total de grãos: 366,6 a 367,1 milhões de toneladas (+1,4% sobre o ciclo anterior).
Soja: 181,6 milhões de toneladas (+0,7%), em área de 49,3 milhões de hectares (+1,4%).
Milho (três safras somadas): 148 milhões de toneladas (+2,4% a +2,8%), com área total de 23,7 milhões de hectares (+4,9%).
Esses volumes, se confirmados, reforçam o cenário de oferta elevada no Brasil — o principal fator de pressão sobre os preços no curto e médio prazo.
Principais motivos da queda
Expectativa de safra robusta no Brasil
Condições climáticas favoráveis em grande parte das regiões produtoras e avanço do plantio sustentam a perspectiva de produção alta.Oferta global confortável
A colheita norte-americana de soja e milho avança em ritmo bom, aumentando a disponibilidade no mercado internacional.Compradores retraídos
Com estoques adequados e perspectiva de entrada da nova safra brasileira, a demanda por compra imediata enfraqueceu.Pressão de custos (lado do produtor)
Embora os preços de venda recuem, os custos de produção sobem. O Rabobank projeta alta de cerca de 4% nos custos operacionais da soja e de 11% no milho na safra 2026/27, puxada principalmente por fertilizantes e defensivos.
O que pode mudar o cenário
Fatores de suporte ainda existem:
Demanda externa firme (especialmente da China).
Valorização do dólar em alguns momentos, que melhora a paridade de exportação em reais.
Riscos climáticos (El Niño) que podem reduzir a produtividade em algumas regiões.
Se a safra brasileira se confirmar abaixo das expectativas ou se a demanda internacional se aquecer mais do que o previsto, os preços podem encontrar suporte. Por enquanto, o viés de curto prazo permanece de baixa ou lateralizado em patamares mais baixos.
Conclusão
A queda dos preços da soja e do milho em outubro de 2026 é fundamentalmente uma reação à expectativa de grande oferta no Brasil e no mundo. Os números da Conab e o comportamento dos compradores confirmam esse movimento. Para o produtor, o desafio é gerenciar a comercialização com disciplina, acompanhar o clima e equilibrar a pressão de custos crescentes com a realidade de preços mais contidos.
O mercado segue volátil. Acompanhar as atualizações da Conab, do Cepea e do USDA continua essencial para tomar decisões de venda e travamento de preços.