Agricultura

Cacau vira experiência turística em Itacaré

A reportagem mostra como o turismo rural e de base comunitária tem aproximado visitantes da realidade cacaueira.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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Se você produz cacau ou pensa em diversificar a renda da propriedade, uma história de Itacaré (BA) pode inspirar. Cerca de 750 mil visitantes buscam a cidade a cada ano, atraídos pelas mais de 20 praias, 12 cachoeiras e o ecoturismo em plena Mata Atlântica. Mas o cacau, cultivado no sistema cabruca, que mantém a floresta em pé, também se consolidou como um ativo cultural da cidade.

A reportagem mostra como o turismo rural e de base comunitária tem aproximado visitantes da realidade cacaueira. Pequenos produtores, como William Graça Filho, dono da marca Seo Cacau, recebem turistas em suas propriedades e mostram o processo de produção do chocolate. Ele compra amêndoas de seis produtores ribeirinhos e paga até 80% do valor de commodity.

Segundo Patrícia Veras Soares, secretária municipal de turismo, a vassoura-de-bruxa destruiu as famílias que dependiam das fazendas de cacau nos anos 1990. O turismo veio como alternativa, mas agora o cacau está retomando espaço e relevância, principalmente com a ascensão do cacau fino.

Itacaré tem 95% do PIB oriundo do turismo, e os 5% restantes vêm do cacau, a partir do trabalho de 3,5 mil produtores rurais. A cidade quer montar a rota "Caminhos do Cacau", que vai envolver a história do cacau integrada à natureza, com visitas a casarões e cachoeiras.

A Fazenda Bonança, no distrito de Taboquinhas, atrai entusiastas de chocolate que querem conhecer o plantio do cacau. O proprietário Rogério Kamei, da premiada marca Mestiço Chocolates, monta um roteiro básico para mostrar a plantação, a secagem e a fermentação das amêndoas. "Abrimos vários cacaus, cada um de uma variedade, para provarem a polpa e entenderem como os sabores são distintos", conta.

A Vila Rosa Cacau e Cultura, também em Taboquinhas, preserva o casarão colonial de 1920 e oferece visitação com degustação de chocolate ao leite, meio amargo e branco, além de mel de cacau puro. Em janeiro deste ano, recebeu cerca de 700 visitantes.

Hotéis de luxo, como o Barracuda Hotel & Villas e o Txai Resort Itacaré, também oferecem experiências com o cacau, desde o coquetel de boas-vindas até tratamentos de spa com nibs de cacau. "Observamos um crescimento na procura pela vivência na roça de cacau, que revela um perfil de viajante mais consciente, interessado na origem dos alimentos", diz Juliana Ghiotto, CEO do Barracuda Group.

🔧 Orientação:

Se você é produtor de cacau, o turismo rural pode ser uma alternativa de renda e uma forma de valorizar o seu produto. A experiência de levar visitantes à propriedade, mostrar o processo de produção e vender chocolate artesanal agrega valor à produção e fortalece a marca.

Além disso, o turismo de base comunitária pode ajudar a preservar a cultura local e a manter a floresta em pé, já que o sistema cabruca é sustentável e mantém a Mata Atlântica.

Se você tem interesse em abrir a propriedade para visitação, comece avaliando a estrutura disponível e as condições de receber visitantes. Converse com a secretaria de turismo do seu município e com outros produtores que já atuam no turismo rural.

Invista na qualidade do seu produto e na história por trás dele. O turista consciente valoriza a origem, a sustentabilidade e as práticas adotadas na produção.

E fique atento às oportunidades de parcerias com hotéis, pousadas e agências de turismo. A rota "Caminhos do Cacau" em Itacaré é um exemplo de como integrar a produção agrícola ao turismo cultural.

Resumo:

- Itacaré (BA) consolida o cacau como ativo cultural e atração turística.

- Turismo rural aproxima visitantes da realidade cacaueira e gera renda.

- Fazendas oferecem roteiros com degustação e visitação a casarões e plantações.

- Hotéis de luxo incluem experiências com cacau na gastronomia e no spa.

- Produtor pode agregar valor à produção abrindo a propriedade para visitas.

Fonte: Cafépoint.

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