El Niño atrasa colheita de cana e pressiona açúcar
Como consequência, os futuros de açúcar subiram 1,5% em Nova York na quinta-feira (28), seu segundo pregão de alta na semana.
Se você produz cana-de-açúcar ou atua no setor sucroenergético, as chuvas intensas provocadas pelo El Niño estão trazendo desafios. A colheita de cana-de-açúcar no Brasil está prejudicada, causando atrasos e o acúmulo da matéria-prima usada pelas usinas. Isso ameaça comprometer o início da próxima temporada no maior fornecedor mundial de açúcar.
Operadores de açúcar alertaram na terça-feira (27) para impactos iminentes durante um evento do setor em São Paulo e revisaram as expectativas para a produção brasileira na safra atual.
As chuvas intensas dos últimos dois meses dificultam a colheita, deixam cana nos campos e obrigam as usinas a escolher entre prolongar a temporada de moagem ou interromper as operações para se preparar para a próxima safra.
Como consequência, os futuros de açúcar subiram 1,5% em Nova York na quinta-feira (28), seu segundo pregão de alta na semana.
O Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, e qualquer ameaça à colheita e à produção do país pode repercutir nos mercados globais do produto. Os impactos mais recentes provocados pelo El Niño podem reduzir a oferta de açúcar em um momento em que chuvas abaixo da média também limitam as perspectivas de produção da Índia, segundo maior produtor mundial.
A trading de commodities Sucden estima que entre 615 milhões e 625 milhões de toneladas métricas de cana terão sido moídas até o fim desta temporada, ante 675 milhões de toneladas disponíveis. Isso pode deixar cerca de 60 milhões de toneladas para serem processadas no início da próxima temporada de moagem.
"Não está claro quantas usinas estarão prontas para retomar a moagem em março", disse Jeremy Austin, diretor-geral da Sucden Brasil, durante um painel na terça-feira. "Isso será algo a acompanhar nos próximos meses."
A Sucden espera que o Brasil produza 37 milhões de toneladas de açúcar nesta temporada, ante estimativa anterior de 40 milhões de toneladas, feita no início da safra.
Os atrasos na colheita também aumentam a incerteza sobre a futura produção brasileira de açúcar. Isso porque a cana que permanece no campo tende a se deteriorar com o tempo, o que reduz a quantidade de açúcar recuperável e pode limitar o volume do produto que as usinas conseguem produzir com a matéria-prima remanescente.
"O custo da cana não colhida é alto", disse Mario Barbosa, diretor de estratégia da Louis Dreyfus, que prevê um acúmulo de 30 milhões de toneladas da chamada cana bisada, que ficam em pé entre uma safra e outra. "Muitas usinas planejam moer até o fim do ano e retomar as operações cedo na próxima temporada."
Paulo Garcia, da Vital Commodities, projeta cerca de 45 milhões de toneladas de cana não colhida devido às chuvas provocadas pelo El Niño. Algumas usinas se preparam para prolongar a moagem até o Natal, mas isso pode dificultar a retomada das operações já em março, porque a entressafra mais curta deixa pouco tempo para concluir a manutenção antes do início da próxima temporada.
O Brasil responde por cerca de 24% da produção mundial de açúcar, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.
🔧 Orientação:
Se você é produtor de cana ou fornece para usinas, o cenário exige atenção. As chuvas estão atrasando a colheita e reduzindo a qualidade da matéria-prima. A cana que fica no campo se deteriora, o que pode diminuir a produtividade e afetar o preço pago ao fornecedor.
Além disso, a menor oferta de açúcar no Brasil e na Índia pode sustentar os preços internacionais do produto, o que é positivo para quem tem açúcar para vender. Por outro lado, a redução na produção de etanol também pode impactar o mercado de combustíveis.
Acompanhe as condições climáticas e as previsões para a sua região. Se as chuvas continuarem, avalie com a usina a melhor estratégia de colheita e entrega da cana.
Fique atento às cotações do açúcar e do etanol. Se você tem produto para vender, negocie com cautela e aproveite os momentos de alta.
E planeje a próxima safra com antecedência. A entressafra mais curta pode exigir ajustes na manutenção dos equipamentos e no cronograma de plantio.
Resumo:
- Chuvas do El Niño atrasam colheita de cana e prejudicam produção de açúcar no Brasil.
- Futuros do açúcar subiram 1,5% em Nova York com a redução da oferta.
- Sucden revisou a produção brasileira para 37 milhões de toneladas, ante 40 milhões.
- Cerca de 60 milhões de toneladas de cana podem ficar para a próxima temporada.
- Cana não colhida se deteriora e reduz o açúcar recuperável, pressionando a qualidade.
Fonte: Bloomberg.