Parcelamento semanal evita salinização no tomateiro
Produtor de Pernambuco recebe recomendação detalhada para equilibrar nutrientes, evitar salinidade e garantir produtividade
O produtor, aluno nosso, Daniel, compartilhou sua análise de solo para a cultura do tomate e pediu orientações sobre o melhor parcelamento e os adubos mais indicados. O resultado do exame revelou um solo com pH neutro (6,9), cálcio alto (69%), magnésio baixo (11,5%), potássio bom (5,8%), sódio em nível perigoso (2,7%), zinco excelente (3,2) e matéria orgânica baixa (18 g/kg).
Seguindo as recomendações do boletim oficial do Estado, Daniel planeja aplicar 45 kg de N e 45 kg de fósforo no plantio, e 120 kg de N e 45 kg de potássio em cobertura, além de cálcio, magnésio e boro via foliar semanalmente, mergulho das mudas em enraizador antes do plantio e aplicações a cada 15 dias para combater o estresse do sol forte.
O especialista Pedro avaliou o cenário e destacou que a estratégia atual é um bom ponto de partida, mas exige ajustes finos para garantir produtividade e evitar perdas por salinidade.
O equilíbrio entre cálcio e magnésio
O solo apresenta magnésio baixo (11,5%) em relação ao cálcio (69%). Para o tomateiro, a literatura sugere uma relação Ca:Mg próxima de 1:1 para o desenvolvimento ideal. Como o pH já está em 6,9 (neutro), não é recomendada a calagem para corrigir o magnésio, pois isso elevaria o pH a níveis alcalinos, prejudicando a disponibilidade de micronutrientes. A solução é o fornecimento de magnésio via adubação solúvel, como o sulfato de magnésio.
Atenção ao sódio e à matéria orgânica
O sódio em 2,7% exige atenção, pois o excesso prejudica a absorção de água e pode causar toxidez. Felizmente, o potássio (5,8%) pode neutralizar parcialmente os efeitos nocivos do sódio. Manter o potássio em níveis bons é fundamental para mitigar esse risco.
Já a matéria orgânica de 18 g/kg é considerada baixa. Recomenda-se a aplicação de adubo orgânico (esterco de curral curtido ou de galinha) incorporado antes do transplante para melhorar a estrutura do solo e a retenção de nutrientes.
Quais adubos usar?
Dada a necessidade de evitar a podridão apical (fundo preto) e lidar com o magnésio baixo, os adubos mais indicados são:
No plantio: Superfosfato Simples, que fornece fósforo, enxofre e cálcio, ajudando no arranque inicial.
Em cobertura: Nitrato de Cálcio, fonte de nitrogênio mais segura para tomates, pois previne a podridão apical e evita o excesso de amônio. Nitrato de Potássio ou Sulfato de Potássio, ideais por serem altamente solúveis e não conterem cloro em excesso. Sulfato de Magnésio via fertirrigação para elevar os teores de magnésio sem alterar o pH do solo.
Parcelamento inteligente
As adubações de cobertura não devem ser feitas de uma única vez para evitar a salinização do solo. Se o produtor utiliza irrigação por gotejamento, o ideal é distribuir as doses de nitrogênio e potássio em aplicações semanais (ou até 3 vezes por semana). A divisão por estágios seria:
1ª a 4ª semana (crescimento vegetativo): foco em fósforo e doses moderadas de N e K (20-30% do total).
5ª semana em diante (frutificação): aumentar as doses de nitrogênio e potássio, mantendo a proporção de K maior que a de N para garantir a qualidade dos frutos.
Nitrato de Cálcio: aplicar a cada 15 dias na fertirrigação especificamente para prevenir a podridão apical.
Manejo foliar e estresse
A estratégia de aplicação semanal de cálcio e boro via foliar está correta e é recomendada a partir do aparecimento dos frutos. As concentrações sugeridas são: Cloreto de Cálcio (5 a 6 g/L) e Ácido Bórico (1,5 g/L). Como o magnésio no solo é baixo, recomenda-se pulverizações com Sulfato de Magnésio (1,5 g/L) – adicionar uma pequena dose de ureia (5 g/L) à calda pode favorecer a absorção foliar do magnésio.
O mergulho das mudas em enraizador e o uso de bioestimulantes contra o estresse hídrico/térmico a cada 15 dias são práticas válidas para regiões de sol forte, ajudando na recuperação estomática da planta.
🔧 Orientações:
Monitore a salinidade: sempre acompanhe a Condutividade Elétrica (CE) da solução do solo. Para o tomateiro, a CE não deve ultrapassar 3,0 dS/m. Se estiver acima disso, irrigue apenas com água pura para "lavar" o excesso de sais antes da próxima fertirrigação.
Parcelamento é essencial: divida as adubações de cobertura em aplicações semanais ou mais frequentes para evitar picos de salinidade e garantir que os nutrientes estejam disponíveis no momento certo para a planta.
Atenção à relação Ca:Mg: o magnésio baixo precisa ser corrigido com fontes solúveis, mas sem uso de calcário, pois o pH já está adequado.
Invista em matéria orgânica: a aplicação de esterco curtido antes do plantio melhora a estrutura do solo, a retenção de nutrientes e a capacidade de troca catiônica.
Registre e avalie: mantenha um caderno de campo com as datas, doses e fontes aplicadas. Isso ajuda a ajustar a estratégia nas próximas safras e a identificar o que funcionou melhor.