Mercado de bioinsumos cresce 15% e já movimenta R$ 1,35 bilhão
Área tratada no Brasil chega a 31,2 milhões de hectares; bioinseticidas seguem como principal segmento
O mercado brasileiro de bioinsumos começou 2026 em ritmo acelerado. Entre janeiro e abril, o setor movimentou R$ 1,347 bilhão, alta de 5% em relação ao mesmo período de 2025. A área tratada com produtos biológicos cresceu 15%, passando de 27,2 milhões para 31,2 milhões de hectares .
Os dados, divulgados pela CropLife Brasil por meio do portal CropData, mostram que o avanço está associado à ampliação do manejo integrado de pragas resistentes e à maior adoção de práticas sustentáveis nas lavouras .
Segmentos em destaque
Os bioinseticidas mantiveram a maior participação no faturamento, com R$ 738 milhões no período, praticamente estável em relação ao ano anterior. A área tratada chegou a 15 milhões de hectares, impulsionada principalmente pelo uso no controle de cigarrinhas e lagartas na cultura do milho safrinha .
Os bionematicidas tiveram uma das maiores evoluções. O valor de mercado passou de R316milho~esparaR316milho~esparaR 353 milhões, enquanto a área atendida cresceu de 5 milhões para 7,6 milhões de hectares. O segmento continua em expansão em razão da maior incidência de nematoides e da consolidação do uso desses produtos no manejo do solo .
No caso dos biofungicidas, o faturamento subiu de R185milho~esparaR185milho~esparaR 203 milhões, com área estável em cerca de 3,7 milhões de hectares. O crescimento é atribuído ao aumento da adoção na cultura da soja, onde os produtos são utilizados de forma complementar aos defensivos químicos .
Os inoculantes avançaram de R51milho~esparaR51milho~esparaR 53 milhões, e a área tratada passou de 3 milhões para 5 milhões de hectares. Trata-se do mercado mais consolidado entre os bioinsumos, impulsionado pela elevada adoção na soja, estimada em cerca de 90%, em razão da substituição parcial de fertilizantes nitrogenados e da maior fixação biológica de nitrogênio .
Sazonalidade e perspectivas
O período de janeiro a abril é, sazonalmente, considerado entressafra para as vendas de produtos biológicos. As aplicações variam de acordo com a cultura e o calendário agrícola. Enquanto os bioinseticidas têm pico de comercialização entre novembro e fevereiro, impulsionados pela safrinha de milho, os biofungicidas, bionematicidas e inoculantes ganham força a partir do segundo semestre, ligados ao plantio da soja .
Segundo a CropLife Brasil, o desempenho registrado no primeiro quadrimestre confirma a tendência de crescimento contínuo do setor . A expectativa é que o mercado mantenha trajetória de expansão, com aceleração das vendas a partir de setembro, quando começa o planejamento da nova safra de soja .
Novos registros ampliam portfólio
O setor também registra aumento no desenvolvimento de novas tecnologias. No primeiro semestre de 2026, o Brasil contabilizou 53 produtos biológicos ativos registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Do total, 39 são produtos à base de agentes microbiológicos, oito utilizam agentes macrobiológicos e seis são classificados como bioquímicos .
Exemplo prático para o produtor
A expansão dos bioinsumos acompanha a crescente adoção do manejo integrado de pragas nas principais culturas. A combinação entre maior eficiência produtiva e busca por sistemas agrícolas mais sustentáveis tem impulsionado a utilização dessas tecnologias em diferentes regiões do país .
Para o produtor, isso significa mais opções para o controle de pragas, doenças e nematoides. Os bioinsumos podem ser usados de forma complementar aos defensivos químicos, reduzindo a pressão de seleção sobre as pragas e ampliando a eficácia do manejo.
🔧 Orientações para o produtor:
Conheça os segmentos disponíveis: cada tipo de bioinsumo tem uma aplicação específica — bioinseticidas para pragas aéreas, bionematicidas para controle de nematoides no solo, biofungicidas para doenças e inoculantes para fixação de nitrogênio.
Integre ao manejo, não substitua: a transição para bioinsumos deve ser gradual, combinando produtos químicos e biológicos de acordo com a pressão de pragas e as condições da lavoura.
Planeje a compra conforme o calendário: os bioinsumos têm sazonalidade. Para a soja, as compras se intensificam a partir de junho; para o milho safrinha, o pico ocorre entre novembro e fevereiro.
Fique atento ao portfólio: com 53 novos registros no primeiro semestre, o mercado oferece cada vez mais soluções especializadas. Consulte seu técnico para escolher as melhores opções para sua realidade.