Agricultura

Organomineral substitui o adubo químico?

Em culturas perenes, como café, cana-de-açúcar, citros e pastagens, os resultados têm sido bastante positivos

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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Nos últimos anos, os fertilizantes organominerais ganharam espaço no campo e despertaram o interesse de muitos produtores. A proposta é simples: unir a eficiência dos fertilizantes minerais com os benefícios da matéria orgânica para construir solos mais férteis e produtivos. Mas a principal dúvida continua sendo a mesma: será que o organomineral consegue substituir completamente o adubo químico?

A resposta depende da cultura, do tipo de solo e do objetivo da adubação. O fertilizante organomineral é produzido pela combinação de fontes orgânicas, como esterco, composto orgânico e torta de filtro, com fertilizantes minerais, como MAP, ureia, cloreto de potássio e outras fontes tradicionais. Dessa forma, ele fornece nutrientes imediatamente disponíveis para a planta, ao mesmo tempo em que melhora características importantes do solo, como estrutura, retenção de água, atividade microbiológica e capacidade de troca de nutrientes (CTC).

Esse efeito é especialmente importante em solos tropicais, como os Latossolos e Argissolos do Cerrado, que normalmente apresentam baixos teores de matéria orgânica. Nesses ambientes, o organomineral contribui para reduzir perdas de nutrientes por lixiviação, principalmente de nitrogênio e potássio, além de favorecer uma liberação mais gradual dos fertilizantes ao longo do ciclo da cultura.

Em culturas perenes, como café, cana-de-açúcar, citros e pastagens, os resultados têm sido bastante positivos. Como essas lavouras apresentam demanda contínua por nutrientes, a liberação gradual proporcionada pela matéria orgânica acompanha melhor o desenvolvimento das plantas. Trabalhos da Embrapa também mostram ganhos na eficiência do uso de nitrogênio e fósforo quando o organomineral faz parte do programa de adubação.

Nas culturas anuais, como soja e milho, o cenário é um pouco diferente. Pesquisas publicadas pela Revista Brasileira de Ciência do Solo indicam que a substituição de aproximadamente 50% a 70% do fertilizante mineral por organomineral manteve — e em alguns casos aumentou — a produtividade, especialmente em áreas com níveis médios de matéria orgânica. No entanto, quando a cultura exige uma resposta rápida, como em aplicações de cobertura com nitrogênio, os fertilizantes minerais ainda apresentam maior eficiência devido à sua alta solubilidade.

Outro benefício importante aparece no médio e longo prazo. Com o uso contínuo do organomineral, muitos produtores relatam redução gradual na necessidade de fertilizantes minerais, resultado da melhoria das condições biológicas e da fertilidade do solo. Estudos mostram ganhos médios entre 8% e 15% na eficiência de utilização dos nutrientes quando há uma combinação adequada entre fontes orgânicas e minerais.

Isso significa que o organomineral dificilmente substitui totalmente o adubo químico logo na primeira safra, principalmente em sistemas intensivos de produção de grãos. Na maioria das situações, a estratégia mais eficiente continua sendo a combinação das duas tecnologias, aproveitando o efeito residual da matéria orgânica sem abrir mão da resposta imediata proporcionada pelos fertilizantes minerais.

🔧 Orientação: Antes de alterar seu programa de adubação, faça uma análise de solo e defina a estratégia de acordo com a cultura e a fertilidade da área. Em muitos casos, utilizar entre 60% e 80% da recomendação na forma organomineral e complementar com fertilizantes minerais nas fases de maior demanda oferece melhor retorno econômico e maior eficiência agronômica do que apostar exclusivamente em apenas uma fonte.

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