Granja da Seleção nasceu no agro
O nome Granja Comary passou a ser utilizado oficialmente a partir de 1987.
Muito antes de se tornar o principal centro de treinamento da Confederação Brasileira de Futebol, a Granja Comary era uma grande propriedade rural da tradicional família Guinle, uma das mais influentes do Brasil entre o fim do século XIX e meados do século XX. A fazenda, localizada na região serrana do Rio de Janeiro, foi criada inicialmente para a produção de galinhas importadas da França e chegou a ocupar mais de 600 hectares.

Além da avicultura, a propriedade mantinha criação de raposas, ranário e diversas espécies de aves. O espaço ficou conhecido como uma espécie de mini zoológico rural, aberto à visitação nos fins de semana. A área também preservava lagos, vegetação abundante e paisagismo típico das grandes fazendas da época.
Com o passar das décadas, o império econômico da família Guinle perdeu força e parte das terras começou a ser negociada. Uma dessas áreas foi adquirida pelo humorista Renato Aragão. Já em 1978, a então CBD, atual CBF, comprou cerca de 150 hectares da fazenda para criar o centro de treinamento da Seleção Brasileira.
O nome Granja Comary passou a ser utilizado oficialmente a partir de 1987. Mesmo após as reformas e modernizações, o local ainda preserva características da antiga fazenda, como áreas arborizadas, lagos e parte da estrutura paisagística original.
Hoje, o complexo reúne quatro campos de grama natural, um campo sintético, academia moderna, restaurante, vestiários e suítes para atletas e comissão técnica. Em 2014, durante a Copa do Mundo no Brasil, até mesmo uma plantação simbólica de cevada foi feita no local em uma ação promocional da Ambev, reforçando novamente a ligação histórica da propriedade com o universo agropecuário.
A história da Granja Comary mostra como muitas propriedades rurais brasileiras acabaram ganhando novas funções ao longo do tempo, mas sem perder totalmente suas raízes ligadas ao campo e à produção agrícola.
🔧 Orientação prática: propriedades rurais históricas preservadas podem gerar oportunidades além da produção agropecuária tradicional, como turismo rural, eventos, educação ambiental e valorização imobiliária da área.