Agricultura

Glifosato pode ser proibido no Brasil

Nos Estados Unidos, a Bayer enfrenta milhares de processos relacionados ao Roundup, com alegações de ligação entre o uso do glifosato e casos de câncer.

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
Glifosato
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O uso do glifosato, herbicida mais utilizado no mundo, voltou ao centro das discussões no Brasil após uma ação do Ministério Público do Trabalho pedir a suspensão do registro, comercialização e uso do produto no país. A medida, protocolada contra a Anvisa e o governo federal, reacende o debate sobre segurança alimentar, saúde ocupacional e impactos na produção agrícola brasileira.

O pedido busca impedir novos registros e também proibir fabricação, importação, exportação e venda de produtos à base de glifosato e derivados. Segundo os procuradores, a ação se baseia em estudos que apontam possíveis riscos à saúde humana e ao meio ambiente, incluindo pesquisas sobre resíduos na água potável e potenciais efeitos cancerígenos.

O tema ganhou força internacionalmente depois que a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer classificou o glifosato, em 2015, como “provavelmente carcinogênico para humanos”. Além disso, um estudo antigo utilizado como referência por agências reguladoras foi recentemente retirado de circulação após questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse dos autores.

A possível proibição preocupa diretamente empresas como a Bayer, dona da marca Roundup após a compra da Monsanto, e também produtores rurais que dependem do herbicida no manejo de plantas daninhas em culturas como soja, milho, algodão e canola.

Hoje, o glifosato é peça central em grande parte do sistema produtivo brasileiro, principalmente em áreas de plantio direto. O produto ajuda no controle de ervas daninhas antes do plantio e durante o desenvolvimento das lavouras, reduzindo custos operacionais e facilitando o manejo em grandes áreas.

Caso a ação avance, os impactos podem atingir diretamente os custos de produção. Isso porque muitos produtores teriam de recorrer a alternativas mais caras ou com menor eficiência operacional. Em algumas regiões, o controle de plantas resistentes já vem exigindo misturas de herbicidas e estratégias mais complexas de manejo.

Ao mesmo tempo, o debate também aumenta a pressão sobre práticas agrícolas mais sustentáveis e sobre o uso racional de defensivos. Nos últimos anos, o setor vem ampliando investimentos em manejo integrado de plantas daninhas, rotação de culturas e tecnologias biológicas para reduzir dependência química.

Nos Estados Unidos, a Bayer enfrenta milhares de processos relacionados ao Roundup, com alegações de ligação entre o uso do glifosato e casos de câncer. A empresa afirma publicamente que não existem evidências científicas suficientes para comprovar riscos associados ao produto quando utilizado corretamente.

No Brasil, ainda não existe decisão final sobre o caso. A Anvisa e a Procuradoria-Geral da República ainda devem se manifestar no processo, que pode se estender por meses ou até anos.

🔧 Orientação prática: se você utiliza glifosato na propriedade, o momento é importante para revisar estratégias de manejo de plantas daninhas, acompanhar atualizações regulatórias e fortalecer práticas integradas para reduzir riscos produtivos caso ocorram mudanças futuras nas regras de uso do herbicida.

Fonte: Bloomberg.

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