Agricultura

Fertilizante caro preocupa produtores brasileiros

O impacto é ainda maior porque o Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes.

Redação Agriconline
Equipe editorial
4 min de leitura
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O aumento nos preços dos fertilizantes voltou a preocupar o agronegócio brasileiro e já começa a impactar o planejamento da próxima safra. O cenário é reflexo das tensões no Oriente Médio, especialmente após os conflitos envolvendo o Irã, que afetaram o fluxo global de insumos e elevaram os custos de produção no campo.

Segundo análise da Bloomberg, produtores brasileiros enfrentam um dos momentos mais apertados dos últimos anos. Além dos fertilizantes mais caros, o setor também convive com preços menores das commodities, crédito mais restrito, juros elevados, aumento do frete e margens mais apertadas.

Na prática, muitos agricultores estão reduzindo investimentos e segurando a expansão das áreas cultivadas. A consultoria Veeries projeta que a área de soja no Brasil crescerá no ritmo mais lento em quase 20 anos na safra que começa em setembro. Outras culturas, como milho verão, algodão e arroz, também podem perder área plantada.

O impacto é ainda maior porque o Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes. Parte importante desses produtos passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica afetada pelas tensões geopolíticas na região do Irã. Com isso, fertilizantes fosfatados e outros insumos essenciais ficaram mais caros rapidamente.

Para o produtor, a conta começa a apertar justamente no momento do planejamento da safra. Em Mato Grosso, maior produtor de soja do país, agricultores relatam preocupação com os custos e já avaliam reduzir aplicações de fertilizantes ou adiar investimentos em máquinas e abertura de novas áreas.

Além da redução de área, especialistas alertam para outro risco: queda de produtividade. Isso porque muitos produtores podem diminuir investimentos em sementes, correção de solo, fertilizantes e tecnologia para equilibrar os custos da operação.

O Rabobank estima que o consumo de fertilizantes no Brasil pode cair 3,9% até o fim de 2026. Já a indústria de máquinas agrícolas prevê redução nas vendas de tratores e equipamentos ao longo deste ano.

Mesmo assim, o Brasil ainda deve manter posição forte no mercado global de grãos. A expectativa é de nova safra robusta de soja, sustentada principalmente pela alta competitividade do produto brasileiro nas exportações, especialmente para a China.

Para quem está no campo, o momento exige atenção redobrada ao planejamento financeiro e técnico da próxima safra. Avaliar fertilidade do solo, ajustar doses com base em análise técnica e priorizar eficiência no uso dos insumos pode ajudar a reduzir custos sem comprometer tanto a produtividade.

Fonte: Bloomberg

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