Extrato de algas e bioestimulantes: doses, épocas e resultados em café, soja e hortifrúti
Produtos à base de algas marinhas podem alterar respostas fisiológicas das plantas
Bioestimulante não é adubo milagroso.
Essa talvez seja a primeira coisa que precisa ficar clara antes de falar sobre extrato de algas.
Produtos à base de algas marinhas podem alterar respostas fisiológicas das plantas, favorecer crescimento, formação de estruturas reprodutivas e ajudar na tolerância a determinados estresses. Mas a resposta não é automática. Ela depende da espécie de alga, composição do produto, dose, estádio da cultura, ambiente e condição nutricional da lavoura.
Os resultados publicados em revistas científicas mostram exatamente isso: em algumas situações há ganho expressivo de produtividade; em outras, a resposta aparece principalmente no crescimento ou na qualidade, sem aumento significativo de rendimento.
E essa diferença é importante para quem vai colocar o produto no tanque.
O que é um bioestimulante à base de algas?
Os extratos de algas utilizados na agricultura são obtidos de diferentes espécies. Entre as mais estudadas está a Ascophyllum nodosum, uma macroalga marrom.
Também existem produtos derivados de outras espécies, como Ecklonia maxima, Sargassum e Laminaria.
Esses extratos podem conter compostos bioativos e substâncias associadas à regulação do crescimento vegetal. Por isso, o objetivo não é simplesmente fornecer nutrientes em quantidade semelhante a um fertilizante convencional.
A proposta é provocar uma resposta fisiológica na planta.
É uma diferença importante.
Se a lavoura apresenta deficiência de nitrogênio, por exemplo, não faz sentido esperar que um bioestimulante substitua uma adubação nitrogenada corretamente dimensionada.
O bioestimulante entra como ferramenta complementar de manejo, e não como substituto da fertilidade do solo.

A dose certa não é simplesmente "quanto mais, melhor"
Um dos erros mais comuns no uso de bioestimulantes é imaginar que aumentar a dose necessariamente aumenta o resultado.
A pesquisa mostra que não funciona assim.
Em soja, por exemplo, um estudo publicado na Revista Caatinga avaliou um bioestimulante à base de Ecklonia maxima em cinco doses: 0, 250, 500, 750 e 1.000 mL ha⁻¹, aplicadas nos estádios V4, R1 ou V4 + R1.
A maior produtividade estimada ocorreu com 607 mL ha⁻¹, alcançando 5.379 kg ha⁻¹, contra 5.070 kg ha⁻¹ no tratamento sem aplicação.
Isso representa um aumento de aproximadamente 6,1%.
Observe o detalhe: o melhor resultado não ocorreu na maior dose testada.
Esse tipo de resposta é justamente o motivo pelo qual recomendações de dose precisam ser baseadas em produto, cultura, época e objetivo de aplicação.
Soja: quando a aplicação faz diferença?
A soja é uma das culturas em que existe quantidade relevante de trabalhos avaliando extratos de algas.
No estudo com Ecklonia maxima, a aplicação em R1, fase de início do florescimento, proporcionou maior quantidade de flores e vagens. O melhor resultado de produtividade foi obtido com aproximadamente 607 mL ha⁻¹.
Isso traz uma informação prática.
O estádio fenológico não é apenas uma informação para preencher uma ficha de aplicação. Ele determina o momento fisiológico em que a planta está direcionando recursos para determinados processos.
Na fase vegetativa, o foco está principalmente na formação da estrutura da planta.
Em R1, começa uma mudança importante: a planta entra na fase reprodutiva.
Por isso, uma aplicação posicionada próxima ao florescimento pode produzir respostas diferentes de uma aplicação exclusivamente vegetativa.
E quando o extrato é Ascophyllum nodosum?
Um trabalho publicado na Ciência Rural em 2025 avaliou quatro produtos comerciais à base de Ascophyllum nodosum: Acadian®, PhosamcoBio®, Bioalgas® e Phylgreen®.
Todos foram aplicados na dose de 1 L ha⁻¹.
Foram comparados dois programas:
V4 + R1;
V4 + R1 + R4.
Os resultados indicaram aumento de altura e massa das plantas e incremento de produtividade com os produtos avaliados. O tratamento com duas aplicações de PhosamcoBio®, em V4 e R1, apresentou superioridade para todas as características avaliadas no experimento.
Aqui aparece outro ponto importante:
mais aplicações não significaram necessariamente melhor resultado.
No experimento, duas aplicações foram suficientes para que um dos produtos apresentasse o melhor desempenho entre os tratamentos avaliados.
Isso ajuda a colocar a discussão no lugar certo.
O objetivo não deveria ser montar um calendário com o maior número possível de entradas.
O objetivo é encontrar as aplicações que façam sentido fisiológico e econômico para aquela lavoura.
Tratamento de sementes também pode funcionar?
Pode haver resposta, mas novamente é preciso separar crescimento de produtividade.
Um estudo publicado no Brazilian Journal of Biology, em 2024, avaliou o condicionamento de sementes de soja com Ascophyllum nodosum.
Foram utilizadas doses de 0, 1, 2, 3, 4 e 5 mL kg⁻¹ de sementes, com condicionamento durante 15 minutos.
A germinação não foi alterada significativamente pelo tratamento.
Por outro lado, as plântulas provenientes do tratamento com 5 mL kg⁻¹ apresentaram maior crescimento e biomassa da parte aérea e das raízes.
A matéria seca da parte aérea aumentou 18% em relação às sementes não tratadas.
É um resultado interessante, mas precisa ser interpretado corretamente.
O trabalho demonstra potencial para melhorar características iniciais da planta.
Não significa que aplicar 5 mL kg⁻¹ necessariamente aumentará a produtividade de uma lavoura comercial de soja.
Essa diferença entre resposta fisiológica e resposta agronômica final é fundamental.
Bioestimulante pode ajudar a planta sob estresse?
Essa é uma das aplicações mais estudadas.
Em um trabalho publicado na Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, pesquisadores avaliaram um bioestimulante composto por Ascophyllum nodosum e ácidos fúlvicos em soja submetida a diferentes níveis de salinidade.
Foram avaliados três programas de aplicação:
V3;
V3 + R1;
V3 + R1 + R4.
A água de irrigação apresentava condutividade elétrica de 0,5 ou 5,0 dS m⁻¹.
Os resultados indicaram que o programa V3 + R1 apresentou maior eficiência em algumas variáveis relacionadas à mitigação dos efeitos do estresse salino, incluindo diâmetro do caule, área foliar, massa seca da parte aérea, extravasamento de eletrólitos e clorofila b.
Mas atenção:
isso não significa que o extrato "elimina" os efeitos da salinidade.
Significa que, nas condições daquele experimento, houve resposta fisiológica associada ao tratamento.
É uma diferença pequena na frase, mas enorme na recomendação agronômica.
Café: onde o extrato de algas entra?
No café, o interesse pelos bioestimulantes está muito relacionado ao crescimento vegetativo, recuperação após poda, florescimento e situações de estresse hídrico.
Um experimento conduzido com cafeeiros Coffea arabica cv. Topázio, em condições de Cerrado, avaliou aplicações de extrato de Ascophyllum nodosum.
Em um dos trabalhos de longa duração, foram avaliadas aplicações foliares de 0,6; 1,2; 1,8 e 2,4 L ha⁻¹, em aplicações quinzenais durante quatro safras.
Na média das quatro safras, a dose de 1,2 L ha⁻¹ apresentou produtividade superior às demais doses, com diferença de aproximadamente 11 sacas ha⁻¹, equivalente a cerca de 31,5% acima da testemunha.
Esse dado chama atenção principalmente por uma razão:
a maior dose não foi a melhor.
Novamente, aparece o mesmo comportamento observado em outras culturas.
Mais produto não significa necessariamente mais resposta.
Café e déficit hídrico: um resultado que merece atenção
No mesmo conjunto de estudos com cafeeiros, foram comparadas condições de irrigação normal, ausência de irrigação e irrigação parcial.
O programa utilizado incluía uma aplicação de 2 L ha⁻¹ via fertirrigação e quatro aplicações foliares de 1,2 L ha⁻¹, iniciadas a partir do aparecimento dos botões florais.
Em condições hídricas normais, os cafeeiros tratados apresentaram, em média, incremento de aproximadamente 22 sacas ha⁻¹, ou 61%, em relação ao controle nas avaliações relatadas.
Também houve resposta interessante sob restrição hídrica parcial.
Mas esse resultado precisa ser lido dentro do contexto experimental.
Não é correto transformar esse número em promessa de "61% a mais de café" para qualquer propriedade.
Solo, cultivar, irrigação, carga produtiva, estado nutricional, clima e manejo fitossanitário mudam completamente a resposta.

E no café após o esqueletamento?
A poda altera completamente a dinâmica da planta.
Depois do esqueletamento, o cafeeiro precisa reconstruir sua estrutura produtiva. É justamente nesse momento que bioestimulantes têm sido avaliados.
Um estudo publicado em Research, Society and Development avaliou um bioestimulante à base de Ascophyllum nodosum em cafeeiros submetidos à poda.
A dose total utilizada foi de 1 L ha⁻¹, comparando diferentes parcelamentos e duas formas de aplicação: foliar e via solo.
Os pesquisadores observaram maior formação de ramos plagiotrópicos secundários e respostas positivas no crescimento.
O fornecimento em uma ou duas aplicações apresentou melhores resultados para crescimento, concentração de fitormônios e produtividade em comparação aos demais parcelamentos avaliados.
A mensagem prática é interessante:
depois da poda, o parcelamento precisa ser pensado de acordo com a dinâmica de recuperação da planta, e não simplesmente repetido por hábito.
Hortifrúti: onde a resposta pode aparecer?
No hortifrúti, a situação fica ainda mais interessante porque produtividade não é o único indicador de sucesso.
Tamanho, aparência, uniformidade, massa, qualidade e duração do ciclo comercial também podem determinar o retorno econômico.
Um exemplo vem da Horticultura Brasileira, que avaliou Ascophyllum nodosum na produção de mudas de batata-doce em ambiente protegido.
Foram testadas concentrações de 0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0%.
Os resultados foram positivos para as características avaliadas, especialmente quando utilizado o segmento apical das ramas, e diversas características responderam ao aumento das concentrações utilizadas.
Esse tipo de aplicação mostra uma possibilidade importante:
o bioestimulante não precisa entrar apenas quando a cultura já está no campo.
Pode fazer parte da produção de mudas, desde que o produto e a dose tenham sido avaliados para aquela espécie e sistema de produção.
Alface: resultado aparece na massa comercial
Outro exemplo interessante vem de trabalhos citados na literatura de produção de mudas de batata-doce.
Em alface crespa 'Vera', aplicações foliares de extratos de algas dos gêneros Sargassum e Laminaria, na dose recomendada de 2 L ha⁻¹, foram realizadas aos 14 e 21 dias após o transplante.
Os tratamentos proporcionaram aumento de:
16,6% no número de folhas;
24,3% na massa fresca da parte aérea;
24,6% na massa seca da parte aérea.
É exatamente o tipo de resultado que interessa ao produtor de hortaliças.
Não basta perguntar se a planta "cresceu".
É preciso perguntar:
cresceu na característica que gera dinheiro?
No caso da alface, massa fresca e número de folhas têm relação muito mais direta com o padrão comercial.
Cenoura: dose e época também entram na conta
Em cenoura, um estudo avaliou um fertilizante organomineral contendo extrato de algas nas concentrações de 0,2 e 0,4%, aplicadas aos 25 e 45 dias após o plantio.
As aplicações aumentaram altura da parte aérea, diâmetro da raiz e número de folhas.
A produtividade também aumentou, independentemente da concentração e da época avaliadas.
Mas existe um detalhe técnico interessante.
O aumento de biomassa foi acompanhado por redução nas concentrações de alguns nutrientes, como N, Ca, Mg, Cu e Zn na raiz.
Os autores relacionaram esse comportamento, entre outros fatores, ao chamado efeito de diluição: a planta cresceu mais, mas a concentração de determinado nutriente no tecido não necessariamente aumentou na mesma proporção.
Isso reforça uma regra básica:
crescimento maior não significa automaticamente nutrição melhor.
Morango: nem sempre o bioestimulante aumenta a produtividade
Talvez um dos resultados mais importantes para uma decisão de compra venha de um estudo publicado em Pesquisa Agropecuária Brasileira em 2026.
Pesquisadores avaliaram Ascophyllum nodosum, fungos micorrízicos arbusculares e Trichoderma harzianum, isoladamente e em combinação, no cultivo de morangueiro em substrato e ambiente protegido.
Foram oito tratamentos, incluindo controle e diferentes combinações dos bioestimulantes.
O resultado?
Os bioestimulantes não alteraram o rendimento de frutos.
Por outro lado, prolongaram o final do ciclo produtivo e alguns tratamentos melhoraram atributos relacionados à qualidade dos frutos, como antocianinas e flavonoides.
Esse é um resultado que merece ser destacado.
Se alguém avaliar o produto apenas pela pergunta "quantas toneladas aumentou?", pode concluir que não funcionou.
Mas, se o sistema comercial valoriza qualidade e prolongamento do período produtivo, a interpretação pode ser diferente.
Nem todo ganho agronômico aparece na balança.
Então qual é a melhor dose?
Não existe uma dose universal de extrato de algas.
Os trabalhos mostram números bastante diferentes:
Cultura/sistema | Produto ou extrato | Dose avaliada | Época/estratégia | Principal resposta |
|---|---|---|---|---|
Soja | Ecklonia maxima | 607 mL ha⁻¹ | R1 | 5.379 kg ha⁻¹, +6,1% |
Soja | A. nodosum | 1 L ha⁻¹ | V4 + R1 | aumento de crescimento e produtividade em alguns produtos |
Soja — sementes | A. nodosum | 5 mL kg⁻¹ | 15 min | +18% na matéria seca da parte aérea |
Café | A. nodosum | 1,2 L ha⁻¹ | aplicações foliares | +11 sacas ha⁻¹ na média de quatro safras |
Café | A. nodosum | 1 L ha⁻¹ | após esqueletamento | melhor resposta com 1–2 parcelamentos |
Alface | Sargassum/Laminaria | 2 L ha⁻¹ | 14 e 21 dias após transplante | +24,3% massa fresca |
Batata-doce | A. nodosum | 0,5–2,0% | produção de mudas | respostas positivas no crescimento |
Os valores acima são resultados experimentais, não uma recomendação geral de aplicação. (SciELO)
Essa distinção é essencial porque produtos comerciais com o mesmo nome genérico — "extrato de algas" — podem apresentar composição, concentração e processo de extração diferentes.
O que realmente define o resultado?
Antes de colocar o bioestimulante no tanque, vale responder cinco perguntas.
1. Qual é a cultura?
Soja, café, morango e alface não respondem da mesma forma.
2. Qual é o objetivo?
Você quer:
estimular crescimento?
melhorar estabelecimento?
favorecer florescimento?
reduzir impacto de estresse?
melhorar qualidade?
recuperar a planta depois de uma poda?
Cada objetivo pode exigir posicionamento diferente.
3. Em que estádio está a planta?
V4 não é R1.
Botão floral não é enchimento de grãos.
Muda não é planta adulta.
O estádio muda a fisiologia da planta e, consequentemente, a possibilidade de resposta.
4. Como está a lavoura?
Uma planta com deficiência nutricional severa, raiz comprometida ou ataque intenso de pragas não será "corrigida" por um bioestimulante.
Primeiro vem o manejo básico.
Depois, a tecnologia complementar.
5. Quanto custa o ganho?
Esse talvez seja o ponto mais ignorado.
Se o produto custa R$ 100 por hectare e aumenta a receita em R$ 30, não existe ganho econômico.
O produtor precisa avaliar retorno sobre o investimento, e não apenas resposta estatística.
Um exemplo simples de decisão
Imagine uma lavoura de soja com produtividade esperada de 60 sacas ha⁻¹.
Um estudo encontrou aumento de aproximadamente 6,1% com determinada combinação de dose e época. (SciELO)
Se, apenas como exercício, essa mesma resposta de 6,1% fosse reproduzida na lavoura comercial:
60 × 1,061 = 63,66 sacas ha⁻¹.
O ganho seria de aproximadamente 3,66 sacas ha⁻¹.
Agora entra a conta que interessa ao produtor:
3,66 sacas adicionais × preço da saca − custo do produto − custo da aplicação.
Se a conta fechar, existe argumento econômico.
Se não fechar, o fato de o tratamento ter apresentado diferença estatística no experimento não significa que seja uma boa decisão comercial.
Extrato de algas substitui fertilizante?
Não.
E essa é uma das confusões mais perigosas na comunicação sobre bioestimulantes.
O extrato de algas pode apresentar compostos bioativos e alguns nutrientes, mas sua função e concentração não são equivalentes às de uma adubação planejada para fornecer N, P, K, Ca, Mg, S e micronutrientes em quantidades necessárias à cultura.
Se a análise de solo mostra deficiência de potássio, por exemplo, a estratégia deve corrigir a deficiência de potássio.
O bioestimulante pode ser avaliado junto ao programa nutricional, quando houver justificativa técnica.
Não no lugar dele.
O mesmo produto pode funcionar em uma área e não em outra?
Sim.
E isso não significa necessariamente que a pesquisa esteja errada.
Bioestimulantes dependem fortemente do ambiente.
Temperatura, disponibilidade hídrica, radiação, fertilidade, cultivar, estágio fisiológico e nível de estresse podem alterar a resposta.
A própria literatura científica destaca que os resultados com extratos de algas variam conforme espécie vegetal e condições ambientais.
Por isso, uma estratégia inteligente é começar com áreas-piloto e faixas de comparação.
Em vez de tratar 100 hectares de uma vez, o produtor pode testar uma área representativa, mantendo uma faixa sem aplicação.
Depois compara:
produtividade;
qualidade;
número de frutos ou vagens;
massa;
desenvolvimento;
custo por hectare;
receita adicional.
A lavoura passa a funcionar como uma pequena unidade de validação.
O que a pesquisa mostra até aqui?
Os dados disponíveis permitem tirar algumas conclusões bastante úteis.
Primeiro: extratos de algas podem produzir respostas agronômicas mensuráveis, mas a resposta depende da cultura e do ambiente.
Segundo: não existe uma dose universal. Na soja, por exemplo, o melhor resultado de um estudo ocorreu com 607 mL ha⁻¹, enquanto outros trabalhos utilizaram 1 L ha⁻¹. No café, um estudo de quatro safras apontou 1,2 L ha⁻¹ como a dose de melhor desempenho médio.
Terceiro: o estádio de aplicação importa. V4, R1, início do florescimento e fases de recuperação pós-poda são momentos fisiologicamente diferentes.
Quarto: produtividade não é o único indicador. No morango, por exemplo, não houve aumento do rendimento, mas houve efeitos sobre o final do ciclo e atributos de qualidade.
Quinto: o bioestimulante funciona melhor como parte de um sistema de manejo do que como uma tentativa de corrigir sozinho um problema que tem origem nutricional, hídrica ou fitossanitária.
Antes de comprar, faça a conta
O mercado oferece uma quantidade crescente de produtos à base de algas e outros bioestimulantes.
Mas o produtor não deveria escolher apenas pelo número estampado na embalagem.
Olhe para: cultura → objetivo → composição → dose → estádio → condição da lavoura → custo → resultado esperado.
E, principalmente, procure resultados obtidos em condições próximas às da sua propriedade.
Um produto que apresentou resposta em soja irrigada no Triângulo Mineiro pode não apresentar a mesma resposta em uma lavoura de sequeiro em outra região.
O mesmo vale para café, hortaliças e frutas.
A pergunta mais importante não é: "Qual é o melhor bioestimulante?"
É: "Qual produto, na minha cultura, na minha condição e para o meu objetivo, tem evidência de que pode pagar a aplicação?"
Essa é uma pergunta mais difícil.
Também é a que mais protege o bolso do produtor.
Fontes técnicas
Meyer et al. Aplicação foliar de bioestimulante à base de extrato de alga marinha na cultura da soja. Revista Caatinga, 2021.
Estudo sobre Ascophyllum nodosum e crescimento e desenvolvimento da soja. Ciência Rural, 2025.
Oliveira et al. Condicionamento de sementes com extrato de macroalga Ascophyllum nodosum em soja. Brazilian Journal of Biology, 2024.
Estudo com bioestimulante à base de A. nodosum e ácidos fúlvicos em soja sob estresse salino. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, 2024.
Estudo de produção e qualidade de morangueiro com A. nodosum, FMA e Trichoderma. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 2026.
Estudo de produção de mudas de batata-doce com Ascophyllum nodosum. Horticultura Brasileira, 2017.
Estudo sobre extratos de algas e crescimento de alface, citado em Horticultura Brasileira.
Estudos de Ascophyllum nodosum em cafeeiro e condições de déficit hídrico, compilados em trabalho acadêmico da UNESP com resultados de experimentos de campo.
Nota técnica: as doses e resultados apresentados são específicos dos experimentos citados. Não devem ser transformados automaticamente em recomendação de uso para qualquer produto comercial. A concentração do extrato, formulação, espécie de alga, método de extração e condições de aplicação podem alterar completamente a resposta.