Evolução da Agricultura Irrigada e Produção de Alimentos
Com o crescimento populacional, a humanidade se vê compelida a usar a maior quantidade possível de solo agricultável, o que vem impulsionando o uso da irrigação, não só para complementar as necessidades hídricas das regiões úmidas, como para tornar produtivas as áreas áridas e semiáridas do globo, que constituem cerca de 55 % de sua área continental total (LIMA et al., 1999).
Para Christofidis (2001), a prática da irrigação tem evoluído pela intenção dos produtores em obter maior produtividade, segurança de produção, antecipação de safras e obtenção de melhoria de frutos, que resultam em maior retorno financeiro ao irrigante.
A evolução da superfície agrícola mundial (em hectares) utilizada para a produção de alimentos, sob o domínio de sistemas de irrigação, vem tendo, ao longo do tempo, um comportamento significativamente crescente: 8 milhões em 1880, 48 milhões em 1900, 94 milhões em 1950, 198 milhões em 1970, 220 milhões em 1990 (JENSEN et al., 1990) e 275 milhões de hectares em 2000 (CHRISTOFIDIS, 2002).
Observando-se os dados acerca da participação da agricultura irrigada na produção mundial de alimentos, pode-se ter uma ideia do que isso significa. Entre meados da década de 1960 e da de 1980, o uso da irrigação, sozinho, respondeu por mais da metade do crescimento da produção mundial de alimentos (HAWKEN et al., 1999).
E cerca de três quartos das áreas irrigadas, situadas em países em desenvolvimento, respondem por 60 % do total dos cereais produzidos. É, portanto, notório que mais de 50 % da população mundial depende, atualmente, de produtos oriundos da agricultura irrigada (LIMA et al., 1999).
Embora a agricultura irrigada, responsável pelo consumo de aproximadamente dois terços da água retirada dos rios, lagos e lençóis freáticos (HAWKEN et al., 1999), tenha sido praticada em apenas 18 % dos 1,5 bilhão de hectares de terras cultivadas do planeta em 2000, as áreas irrigadas responderam por cerca de 42 % da produção mundial de alimentos (CHRISTOFIDIS, 2002).
Por conseguinte, a irrigação constitui uma importante alternativa, sobretudo em períodos de escassez de chuvas, como forma de garantir a produção de alimentos nas regiões de clima árido e semiárido do mundo.
Ademais, aproximadamente 190 milhões de hectares (quase 13 % da área total colhida em 2000) possibilitaram a prática da agricultura por estarem atendidos com sistemas de drenagem (CHRISTOFIDIS, 2002).
No Brasil, os cenários de desenvolvimento da agricultura irrigada permitem vislumbrar que grande parte da expansão da irrigação em todo o País, acima de 90 %, ocorrerá em decorrência de interesses da iniciativa privada, motivada pelo setor público a expandir as áreas sob irrigação, em especial nos solos aptos, a jusante dos grandes reservatórios, às margens de rios perenes e em áreas dotadas de infraestruturas, que representarão, graças ao apoio governamental, polos de desenvolvimento (CHRISTOFIDIS, 2001).
Christofidis (2002) aponta que o maior índice de evolução, em termos de incorporação de superfície à produção agrícola sob irrigação, no período de 1996 a 2001, ocorreu no Estado da Bahia, que dobrou sua superfície agrícola irrigada, em 6 anos, passando de 140 mil hectares para 280 mil hectares.
No mesmo período, ainda segundo aquele autor, a incorporação de áreas dominadas pelo método de irrigação localizada (gotejamento, microaspersão, etc.) foi bastante representativa, tendo-se elevado de 112.730 ha (1996) para 248.414 ha (2001).
Com base em análise de dados das áreas plantadas com as 62 principais lavouras permanentes e temporárias no Brasil (53.485.924 ha), e correspondentes áreas sob o domínio da irrigação (3.149.217 ha), em 2001, constata-se uma baixa participação da agricultura irrigada na superfície agrícola total do País, com o indicador de 5,89 %.
Os estados com maior utilização percentual são: Tocantins (20,70 %), Roraima (20,29 %), Amapá (16,99 %), Sergipe (14,22 %), Rio Grande do Sul (14,07 %), Rio de Janeiro (13,87 %) e Distrito Federal (12,54 %) (CHRISTOFIDIS, 2002).
Por sua vez, a análise da superfície de solos incorporados à irrigação, no período de 1975 a 1999, em países com áreas agrícolas irrigadas superiores a 1 milhão de hectares, permite concluir que houve um incremento de 189,2 milhões de hectares para 274,2 milhões de hectares, além de que a agricultura irrigada representa segurança de atendimento às necessidades alimentares e às taxas crescentes de consumo per capita, especialmente nos países mais populosos (CHRISTOFIDIS, 2001, 2002).
A segurança alimentar, no entanto, além da capacidade de acesso aos alimentos, envolve a maneira como o alimento é produzido (se é ecologicamente sustentável), o sistema produtivo, a política agrícola, os insumos, os créditos, a distribuição, as tecnologias apropriadas e o teor nutricional dos alimentos (CHRISTOFIDIS, 2002).
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Fonte
DE ALBURQUERQUE, Paulo Emílio Pereira; DURÃES, Frederico Ozanan Machado. Uso e Manejo de Irrigação. 1ª ed. Brasília - DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2008.