Agricultura

Etanol recua com avanço da safra

A maior oferta de biocombustível, impulsionada pelo avanço da safra 2026/27 de cana-de-açúcar e pela expansão do etanol de milho

Daniel Vilar
Especialista
2 min de leitura
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O mercado de etanol iniciou o fim de abril com preços pressionados no Centro-Sul do Brasil. Segundo dados do Cepea, a maior oferta de biocombustível, impulsionada pelo avanço da safra 2026/27 de cana-de-açúcar e pela expansão do etanol de milho, tem mantido em queda as cotações tanto do hidratado quanto do anidro.

O movimento ocorre em um momento de aumento gradual da moagem de cana nas usinas. Com clima seco e dias ensolarados, a colheita avança com mais velocidade, favorecendo a produção e ampliando o volume disponível no mercado spot — ambiente de negociações imediatas entre usinas e distribuidoras.

Além da maior oferta, a demanda mais fraca também contribui para o cenário de baixa. Pesquisadores do Cepea apontam que o ritmo de compras diminuiu na última semana, especialmente devido ao feriado de Tiradentes, que reduziu a atividade comercial. Muitas distribuidoras operaram apenas em regime de plantão, focando em questões logísticas e reposições pontuais.

Na prática, isso significa que mais usinas passaram a disponibilizar etanol no mercado, enquanto outras priorizaram a entrega de contratos fechados anteriormente. Parte dos produtores antecipou vendas nas últimas semanas, receosos de novas quedas nos preços.

Para quem atua na cadeia da cana, o cenário exige atenção ao timing de comercialização. Em períodos de maior oferta, o mercado tende a pressionar margens, especialmente quando a demanda não acompanha o crescimento da produção.

Outro fator importante é o avanço do etanol de milho, que vem ganhando espaço no Centro-Oeste e aumenta a disponibilidade do combustível ao longo do ano. Diferente da cana, cuja produção é mais concentrada em determinados meses, o milho permite uma oferta mais contínua, influenciando a dinâmica de preços.

Se você produz cana ou acompanha o mercado de etanol, vale observar o comportamento das distribuidoras e o ritmo de moagem nas próximas semanas. A tendência de preços dependerá da velocidade da safra, da competitividade frente à gasolina e da retomada do consumo.

Orientação: em momentos de maior oferta, acompanhar indicadores regionais de preços e custos logísticos pode ajudar a identificar melhores janelas de negociação e evitar comercializações feitas sob maior pressão de mercado.

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