CTC baixa exige manejo inteligente
A decisão depende de vários fatores: análise de solo, cultura implantada, manejo, irrigação, teor de matéria orgânica e histórico da área.
Quando o solo apresenta CTC baixa, muitos produtores enfrentam a mesma dúvida: como aumentar cálcio e magnésio sem causar desequilíbrio nutricional ou perder nutrientes por lixiviação? Esse foi o tema discutido pelo professor Denesco ao responder uma pergunta enviada por um aluno da pós-graduação em Fertilidade dos Solos e Nutrição de Plantas.
A CTC, ou Capacidade de Troca de Cátions, representa a capacidade que o solo possui de reter nutrientes positivos, como cálcio, magnésio e potássio. Em solos com CTC baixa, existem poucas cargas negativas disponíveis para “segurar” esses nutrientes.
Na prática, isso significa que aplicações muito altas e concentradas podem aumentar o risco de perdas, principalmente por lixiviação, quando os nutrientes descem no perfil do solo carregados pela água.
Segundo o professor, o primeiro erro comum é olhar apenas para a relação entre cálcio e magnésio, como 3:1 ou 4:1. Mesmo que essa relação esteja considerada “ideal”, o solo ainda pode apresentar baixos teores absolutos desses nutrientes.
Por isso, o foco principal deve ser entender quanto cálcio e magnésio a cultura realmente precisa em quantidade total, e não apenas observar a proporção entre eles.
Outro ponto importante é compreender que aumentar a CTC não acontece rapidamente. Ela depende principalmente do teor de argila e da matéria orgânica do solo.
Como não é possível alterar a quantidade de argila no curto prazo, a principal estratégia passa a ser o aumento contínuo da matéria orgânica.
Isso pode ser feito com práticas como: uso de esterco; cama de frango; compostagem; plantas de cobertura; palhada e leguminosas.
Segundo Denesco, esse é um trabalho gradual, construído safra após safra. Pequenos aumentos na matéria orgânica já ajudam o solo a melhorar a retenção de nutrientes e reduzir perdas.
Mas enquanto a CTC ainda está baixa, como fornecer cálcio e magnésio para a planta?
Nesse caso, a recomendação é evitar aplicações muito pesadas de fertilizantes altamente solúveis. O mais indicado é trabalhar com parcelamento e aplicações frequentes em menores doses.
Em áreas irrigadas, por exemplo, a fertirrigação pode ser uma ferramenta interessante para manter fornecimento constante sem sobrecarregar o solo.
O professor também explica que o calcário continua sendo uma boa alternativa em muitos casos, principalmente em solos ácidos. Diferente de fertilizantes altamente solúveis, o calcário possui reação lenta, liberando cálcio e magnésio gradualmente ao longo do tempo.
Além de corrigir a acidez, essa estratégia ajuda a fornecer nutrientes de forma mais equilibrada em solos com baixa capacidade de retenção.
No fim das contas, a decisão depende de vários fatores: análise de solo, cultura implantada, manejo, irrigação, teor de matéria orgânica e histórico da área.
Se você trabalha com solos arenosos ou de baixa CTC, o principal aprendizado é simples: manejo contínuo vale mais do que aplicações exageradas. Construir fertilidade é um processo gradual, baseado em equilíbrio, matéria orgânica e constância no manejo.
Veja: Aula técnica do professor Daniel Scotá sobre fertilidade dos solos e manejo de CTC baixa. Link: https://www.youtube.com/watch?v=ERriZbcELUY