Agricultura

Crédito rural fica mais rígido

Isso significa que produtores podem enfrentar mais exigências para aprovar financiamentos de custeio, investimento e ampliação da produção.

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
Crédito rural
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O acesso ao crédito rural começou a ficar mais difícil para produtores brasileiros em 2026. Bancos públicos e privados passaram a exigir garantias mais fortes nas operações de financiamento após o aumento expressivo dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio, movimento que preocupa o sistema financeiro e acende um alerta no campo.

Segundo dados da Serasa Experian, quase 2 mil produtores rurais entraram com pedidos de recuperação judicial em 2025 — número mais de dez vezes maior que o registrado em 2021. O avanço da inadimplência ocorre em um momento delicado para o setor, marcado pela queda nos preços de algumas commodities agrícolas, juros elevados, valorização do real e custos ainda altos de produção.

Instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco já começaram a mudar as regras para novas operações. Entre as principais alterações está a preferência por garantias com maior possibilidade de execução mesmo em casos de recuperação judicial, reduzindo o risco para os bancos.

Na prática, isso significa que produtores podem enfrentar mais exigências para aprovar financiamentos de custeio, investimento e ampliação da produção. Dependendo da situação financeira da propriedade, o banco pode solicitar mais patrimônio em garantia, entrada maior ou histórico financeiro mais detalhado.

O movimento acontece justamente em um período em que muitos produtores ainda tentam reorganizar o caixa após anos de expansão acelerada no pós-pandemia. Durante o ciclo de alta das commodities agrícolas, muitos agricultores ampliaram área plantada, compraram máquinas, investiram em tecnologia e elevaram os custos operacionais apostando em margens maiores. Porém, com a redução nos preços de produtos agrícolas e o aumento das despesas financeiras, parte desses investimentos passou a pesar no orçamento.

O cenário também impacta diretamente o Plano Safra e a próxima temporada agrícola. Mesmo com o agronegócio permanecendo como um dos pilares da economia brasileira — responsável por quase metade das exportações do país —, os bancos estão mais cautelosos na liberação de recursos.

Um exemplo disso apareceu nos resultados recentes do Banco do Brasil. O banco informou que a recuperação de crédito no agro ficou abaixo do esperado e que os custos relacionados à inadimplência pressionaram os resultados financeiros da instituição. Já a Caixa Econômica Federal registrou aumento relevante na inadimplência da carteira agropecuária no primeiro trimestre deste ano.

Enquanto isso, produtores e entidades do setor pressionam o governo federal por programas de renegociação de dívidas e fortalecimento do seguro rural. Um projeto em discussão no Congresso prevê alongamento de débitos contratados até o fim de 2025, com juros subsidiados entre 3,5% e 7,5%.

Outro debate importante envolve o seguro rural. A proposta é permitir que apólices sejam utilizadas como garantia em financiamentos, reduzindo o risco para os bancos e facilitando o acesso ao crédito, principalmente em regiões mais expostas a problemas climáticos.

Para você que depende de financiamento rural, o momento exige ainda mais organização financeira. Manter documentação atualizada, fluxo de caixa controlado e planejamento da safra bem estruturado pode fazer diferença na aprovação do crédito e nas condições negociadas com os bancos.

🔧 Orientação prática: antes de buscar novos financiamentos, revise o nível de endividamento da propriedade e organize projeções de custos e receitas da próxima safra. Bancos tendem a priorizar produtores com maior previsibilidade financeira e capacidade comprovada de pagamento.

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