Sustentabilidade

Hidrogel reduz em 46% o custo da irrigação no caju

Já o biochar também apresentou resultados positivos.

Daniel Vilar
Especialista
3 min de leitura
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Produzir caju em regiões de clima seco sempre foi um desafio. No Semiárido brasileiro, a escassez de água é um dos principais fatores que limitam o desenvolvimento dos pomares, especialmente durante o primeiro ano após o plantio. Agora, pesquisas da Embrapa Agroindústria Tropical mostram que o uso de condicionadores de solo, como hidrogel e biochar (biocarvão), pode ajudar os produtores a reduzir perdas, economizar água e aumentar a produtividade.

Os estudos foram realizados com cajueiros-anões e avaliaram diferentes estratégias para melhorar a retenção de água no solo. O foco foi garantir melhores condições para as raízes das plantas enfrentarem períodos de estiagem, cada vez mais frequentes devido às mudanças climáticas.

Os resultados chamaram atenção. Em um experimento utilizando irrigação de salvação — prática utilizada em situações críticas de seca — o hidrogel garantiu a sobrevivência de 100% das mudas do clone BRS 226. Além disso, houve uma redução de 46% nos custos com irrigação.

A dose considerada ideal foi de 29,56 gramas de hidrogel por cova. Nessa condição, cada planta precisou de apenas 55 litros de água por ano para sobreviver. Para comparação, a recomendação tradicional de irrigação de salvação pode chegar a 25 litros por semana durante a fase inicial do pomar.

Já o biochar também apresentou resultados positivos. Em condições de sequeiro, a aplicação de quatro quilos por cova elevou a sobrevivência das mudas de 26% para 68%. O material funciona como uma espécie de esponja natural, aumentando a capacidade do solo de armazenar água e nutrientes.

Outro benefício apareceu em pomares já estabelecidos. Nos cajueiros do clone BRS 226, o biochar contribuiu para aumentar o tamanho dos pedúnculos — a chamada "maçã do caju" — além de melhorar a qualidade do fruto, tornando-o mais doce e menos ácido.

Na prática, isso pode representar uma oportunidade interessante para o produtor. O clone BRS 226 é conhecido pela boa tolerância à seca, mas normalmente apresenta menor valor comercial do pedúnculo quando comparado a outros materiais. Com a melhoria da qualidade observada nos estudos, ele pode ganhar espaço em mercados de maior valor agregado, como a produção de polpas, doces e sucos.

Outro ponto importante é que o biochar pode ser produzido dentro da própria propriedade. O material é obtido por meio da queima controlada de resíduos orgânicos, como galhos e restos de poda do cajueiro, em ambientes com pouco oxigênio. Isso reduz custos e aproveita materiais que muitas vezes seriam descartados.

Os pesquisadores destacam ainda que o biochar traz benefícios adicionais ao solo, como aumento da fertilidade, redução da acidez, estímulo à atividade de microrganismos benéficos e até maior capacidade de captura de carbono.

🔧 Orientação: Se você está implantando um novo pomar de caju em áreas sujeitas à seca, vale considerar o uso de hidrogel ou biochar como complemento ao manejo hídrico. Antes de definir doses e formas de aplicação, procure assistência técnica e avalie as características do solo e do clone utilizado. Pequenos ajustes no estabelecimento do pomar podem representar maior sobrevivência das mudas e ganhos de produtividade nos próximos anos.

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