Sustentabilidade

Embrapa leva bioinsumos brasileiros a fórum da FAO

A apresentação brasileira ocorre em um cenário de crescente necessidade de melhorar o uso de água e nutrientes e reduzir a vulnerabilidade das lavouras às mudanças climáticas.

Redação Agriconline
Equipe editorial
3 min de leitura
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O pesquisador Rodrigo Mendes, da Embrapa Meio Ambiente, representará a ciência brasileira no World Food Forum 2026, realizado de 8 a 16 de outubro, na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. A participação integra a exposição From Soil to Society: Embrapa’s Science and Innovations that are transforming tropical agrifood systems, dedicada a apresentar soluções científicas para sistemas agroalimentares tropicais.

Convidado pelo Renera – Brazilian Bioinputs Hub, Mendes participará da programação sobre bioinsumos brasileiros, iniciativa promovida pela CropLife Brasil em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O espaço integra o Science and Innovation Forum, que destaca o papel da ciência e da tecnologia na construção de sistemas alimentares mais sustentáveis e resilientes.

Com o tema “Innovate today. Nourish tomorrow” — inove hoje, alimente o amanhã —, o World Food Forum reúne representantes de governos, instituições de pesquisa, organismos internacionais, empresas, investidores, agricultores e organizações da sociedade civil. A agenda busca ampliar a cooperação internacional para enfrentar os desafios dos sistemas agroalimentares.

Bioinsumos ajudam a enfrentar desafios climáticos

A apresentação brasileira ocorre em um cenário de crescente necessidade de melhorar o uso de água e nutrientes e reduzir a vulnerabilidade das lavouras às mudanças climáticas. Nesse contexto, os bioinsumos à base de microrganismos são apresentados como ferramentas para favorecer a nutrição, o desenvolvimento e a adaptação das plantas a condições ambientais adversas.

Uma das tecnologias destacadas é a fixação biológica de nitrogênio, estudada e desenvolvida pela Embrapa Soja. O processo utiliza bactérias que se associam às raízes e transformam o nitrogênio atmosférico em formas aproveitáveis pelas plantas. Na soja, essa tecnologia permite reduzir significativamente a necessidade de fertilizantes nitrogenados, desde que a inoculação e o manejo sejam realizados adequadamente.

Outra solução é o BiomaPhos, desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo em parceria com a iniciativa privada. O inoculante reúne microrganismos capazes de contribuir para a disponibilização de fósforo no solo, favorecendo o aproveitamento desse nutriente pelas plantas. A tecnologia é utilizada principalmente em culturas como milho e soja, além de outras espécies agrícolas.

A Embrapa Meio Ambiente também desenvolve o Auras, bioinsumo baseado em microrganismos benéficos e voltado à mitigação dos efeitos da seca nas plantas. A tecnologia integra as pesquisas que buscam favorecer o desenvolvimento vegetal e ampliar a tolerância das culturas a condições de estresse.

Também fazem parte desse campo de pesquisa bactérias do gênero Bacillus, capazes de favorecer o desenvolvimento das raízes e auxiliar as plantas em condições de seca e calor. Outros microrganismos atuam na rizosfera, região do solo influenciada pelas raízes, contribuindo para ampliar a disponibilidade de nutrientes.

Segundo Mendes, as tecnologias voltadas ao suporte das plantas sob estresse hídrico e térmico já apresentam resultados em diferentes regiões. A adoção dessas soluções, porém, deve considerar as condições de cada cultura, o ambiente de produção e as recomendações técnicas específicas.

Ciência brasileira ganha espaço internacional

A participação no fórum cria oportunidades para ampliar o diálogo da Embrapa com instituições de pesquisa e organizações internacionais envolvidas na agenda de inovação e sustentabilidade agrícola. A iniciativa também permite apresentar experiências brasileiras no desenvolvimento e na aplicação de bioinsumos.

Para o produtor rural, essas tecnologias representam alternativas que podem contribuir para melhorar a eficiência nutricional e a resposta das culturas a condições adversas. Os resultados dependem, entretanto, da escolha do produto, da cultura, das condições de solo e clima e da integração do bioinsumo ao manejo da lavoura.

🔧 Orientação: Antes de incorporar um bioinsumo ao manejo, verifique se ele é indicado para a cultura e para o objetivo desejado, como fixação de nitrogênio, aproveitamento de fósforo ou mitigação do estresse hídrico. Respeite as recomendações de uso e avalie os resultados nas condições da propriedade.

Fonte: Embrapa Meio Ambiente; Embrapa Soja; Embrapa Milho e Sorgo; World Food Forum/FAO.

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