Saiba como produzir um adubo fluído orgânico
O fertilizante fluido nada mais é que o próprio dejeto curtido, ou seja, que passou pelo processo biológico de decomposição da matéria orgânica em estrumeiras ou lagoas.
Os fertilizantes fluidos surgiram comercialmente no mercado norte-americano e têm aumentado sua participação em relação aos fertilizantes aplicados no solo, porém são ainda pouco empregados no Brasil.
Apesar disso, considerando-se o estado líquido dos dejetos de suínos, teve-se a ideia de formular fertilizantes fluidos na forma organomineral, possibilitando a produção de fórmulas específicas, visando atender a necessidade nutricional de cada cultura, bem como permitir maior aproveitamento dos nutrientes.
Por exemplo, no caso do fósforo, por estar ligado a compostos orgânicos, pode-se evitar maiores perdas por sorção específica aos sesquióxidos de Fe, Al e Mn do solo.
Pode-se perceber que existe uma relação bem estreita entre teor de matéria seca e concentração de nutrientes.
Quanto maior for o teor de sólidos (MS), maior será o valor agronômico do fertilizante.
Considerando que o conteúdo de fezes e urina (constituintes do dejeto) liberados pelos animais em seus diferentes sistemas de criação não sofrem variação muito grande, como explicar teores de matéria seca muito baixos?
O problema está na diluição desses dejetos, devido principalmente a excesso de vazão nos bicos/chupetas, falta de calibragem de altura e manutenção deles, vazamentos na rede abastecedora, além de entrada de água de chuva.
O somatório de todos esses fatores são responsáveis pela diluição do dejeto e consequentemente o aumento do volume, porém sem aumentar a riqueza de nutrientes do fertilizante.
Resumindo: precisamos fazer gestão de água nas granjas de suínos, porque a água custa caro para obter, armazenar, tratar, distribuir e ainda tem um custo maior estando na constituição dos dejetos que precisam ser armazenados e transportados até lavouras, ou mesmo sofrer processo de tratamento físico e químico para remoção de poluentes.
A preservação ambiental, preocupação básica de qualquer sistema de produção, deve estar presente em qualquer atividade, em especial no manejo dos dejetos.
Dessa maneira, devemos respeitar o tempo necessário para que acorra a ação biológica na esterqueira com degradação da matéria orgânica, a mineralização dos nutrientes e consequente diminuição do risco de proliferação de doenças e parasitas para outras granjas e ao ambiente.
Recomenda-se pelo menos duas estrumeiras com capacidade para reter os dejetos por pelo menos 60 dias cada uma. Dessa forma, e desde que sigamos as recomendações de dose, época, local de aplicação, pode-se com segurança usar dejeto na adubação de culturas.