Recomendações para a Criação de Tambaquis
O ideal é que o piscicultor consiga proporcionar aos peixes condições ótimas para que alcancem o potencial máximo de crescimento no menor tempo possível. Para isso, é importante:
Adquirir alevinos de qualidade, de fornecedor idôneo, que garanta a qualidade sanitária do produto (animais saudáveis), e que estejam bem nutridos.
É importante se informar sobre o tamanho dos peixes que irá receber, pois exemplares de 0,5 g (pós-larvas), por exemplo, exigem um cuidado maior no manejo e levam cerca de 30 dias para chegar ao tamanho de um alevino (5,0 g a 7,0 g).
Atualmente, existem disponíveis no mercado alevinos de tambaqui melhorados, oriundos do programa de melhoramento genético iniciado no Projeto Aquabrasil, rede de pesquisa que reuniu unidades da Embrapa, universidades e instituições de pesquisa, empresas privadas e estaduais (Resende, 2009).
Estes peixes foram selecionados para um maior ganho de peso diário, 14,8% superior em comparação com exemplares não melhorados (Marcos et al., 2016).
Utilizar ração adequada às exigências nutricionais da espécie criada. Tambaqui é uma espécie onívora e esta é uma característica muito vantajosa para a produção, pois são nutricionalmente menos exigentes que carnívoros, convertem bem fontes proteicas vegetais, viabilizando o uso de rações de menor custo.
Formas jovens são filtradoras e se beneficiam com a proteína de alta qualidade do plâncton, o que potencializa seu crescimento em tanques e viveiros. É importante atentar para o fato de que as rações são específicas para cada fase do ciclo de criação, formuladas para atender às exigências nutricionais do peixe ao longo do seu crescimento.
Também existem rações específicas para o sistema de criação utilizado, que consideram a disponibilidade de nutrientes no ambiente de criação, sobretudo em sistemas intensivos (por exemplo, tanques-rede).
Desta forma, ao comprar rações, o produtor deve ficar atento à indicação da formulação, se feita para carnívoros ou onívoros, e à qual fase do ciclo é indicada, de modo a potencializar o crescimento do animal e reduzir o impacto ambiental, fundamental para garantir condições adequadas de qualidade da água para a criação.
Adotar boas práticas de manejo que garantam o bem-estar do animal e reduzam riscos ambientais e econômicos. Isso exige um maior controle da criação, sendo necessário anotar o máximo de informações possíveis sobre o ciclo.
Essas anotações devem servir de base tanto para o controle econômico da atividade, quanto para o acompanhamento zootécnico dos peixes. Para o controle econômico, devem ser registrados os gastos e receitas da piscicultura (obras, licenças, compra de peixes e rações, compra de medicamentos e apetrechos de pesca, venda dos peixes, transporte, gelo, etc.).
Para o acompanhamento zootécnico, são muito importantes os registros das biometrias periódicas do lote estocado para se certificar de que o animal está crescendo bem e saudável, além de servir de referência para ajustar a quantidade de ração que deverá ser fornecida.
Observar a capacidade de sustentação do sistema de criação, isto é, a capacidade máxima de produção que mantém a qualidade da água dentro de limites aceitáveis (Sá, 2012). Assim, se o piscicultor aumenta a densidade de estocagem para além da capacidade de seu sistema, com certeza a qualidade da água irá deteriorar, afetando de modo negativo o desempenho dos peixes.
Por isso, é importante monitorar constantemente a qualidade da água da criação (Tabela 1), fazer biometrias periódicas dos peixes para acompanhar o crescimento e ficar atento ao comportamento ou ao aparecimento de sinais distintos.

Na criação de tambaquis, por exemplo, quando o nível de oxigênio dissolvido no tanque está baixo, os animais ficam na superfície da água na tentativa de captar mais oxigênio e, quando a condição é crítica, desenvolvem uma expansão no lábio inferior (prolapso labial). Nesta condição estressante, o animal reduz seu ritmo de crescimento e fica mais susceptível a doenças.
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Fonte
CORREA, Roselany de Oliveira; DE SOUSA, Alexandra Regina Bentes; MARTINS, Heitor Junior. Criação de Tambaquis. Brasília - DF: Embrapa, 2018.