Processos que Ocorrem nas Águas de Viveiros em Piscicultura
Por ser um ambiente extremamente dinâmico, após o abastecimento e povoamento, diversos processos físicos, químicos e biológicos ocorrem constantemente no viveiro, como por exemplo: passagem de luz na superfície, perda de água por evaporação ou infiltração, fotossíntese, respiração, acúmulo e degradação dos sedimentos no fundo (Figura 1).

Infiltração e evaporação de água
A água do viveiro pode ser perdida para o ambiente de duas maneiras: infiltrada, ou seja, absorvida pelos poros do solo. Ou evaporada, variando conforme a temperatura, umidade do ar e ação dos ventos ao longo dos meses.
Fotossíntese e respiração
A fotossíntese é sempre maior na superfície, local de maior incidência de luz. É um processo realizado principalmente pelo fitoplâncton, e ocorre na presença de gás carbônico e luz, liberando como produto o oxigênio. O processo de respiração realizado pelos peixes, plantas, bactérias e plâncton consome oxigênio e libera como produto o gás carbônico.
São processos biológicos diários que adicionam e removem grandes quantidades de oxigênio e gás carbônico (Tabela 1).

Durante o dia o fitoplâncton utiliza os nutrientes do meio e realiza fotossíntese, aumentando as concentrações de oxigênio disponível para a respiração dos organismos na água. À noite, o processo se inverte, a concentração de gás carbônico é elevada devido ao consumo do oxigênio, e consequentemente o pH é reduzido.
Adição da matéria orgânica
A matéria orgânica adicionada no viveiro é proveniente principalmente dos fertilizantes, da ração e das fezes que são adicionadas ou produzidas ao longo do cultivo.
Decomposição da matéria orgânica
A mineralização da matéria orgânica é o processo pelo qual a matéria orgânica acumulada no fundo (sedimentos) é decomposta por ação de bactérias aeróbicas, em materiais inorgânicos (minerais) que posteriormente podem ser utilizados pelos organismos do cultivo.
Essa mineralização consome oxigênio e libera como produtos nutrientes (principalmente fósforo - P e nitrogênio - N), gás carbônico (CO2) e metabólitos tóxicos (amônia - NH3 e NH4+ e nitrito - NO3), provocando uma acidificação do meio.
Adição de nutrientes e partículas de solo
A adição de partículas e nutrientes pode ser proveniente da ração, dos fertilizantes, do carregamento de partículas do solo trazidas por ação do vento e da chuva ou que são produzidas ao longo do cultivo.
Se esta adição não for controlada e manejada adequadamente pode reduzir as concentrações de oxigênio, reduzir o espaço útil, acidificar o meio e produzir gases e substâncias tóxicas, os quais são fatores que afetam diretamente a qualidade do sistema de cultivo.
Assoreamento
Processo de erosão, através da ação intensa de chuvas e ventos, carrega partículas do solo (minerais e/ou orgânicas) para dentro do viveiro, reduzindo assim a sua profundidade, ou seja, ocasionando o assoreamento do viveiro.
Eutrofização
Quando esses nutrientes são adicionados e liberados em excesso no viveiro, ocorre o processo chamado de eutrofização (Figura 2).

Em condições favoráveis (de luz e de temperatura) estes nutrientes em grandes quantidades são decompostos pela ação das bactérias aeróbicas, liberados e utilizados pelo fitoplâncton (Etapa 1 e 2). Provocando assim, um aumento desordenado na quantidade de fitoplâncton na superfície da água. Esse acúmulo de fitoplâncton na superfície reduz a transparência da água, afetando a penetração de luz, e consequentemente, reduz a quantidade de alimento natural, oxigênio disponível e o pH do cultivo. Com a redução de oxigênio os organismos aeróbicos não sobrevivem neste ambiente, prevalecendo os organismos anaeróbicos (Etapa 3).
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Fonte
SCHELEDER, Jessica; SKROBOT, Keyla. Calagem na Piscicultura: técnica de calagem em viveiros de água doce. Curitiba - PR: Instituto GIA, 2016.