Preparo da Área para Plantio de Café
Escolha da área
Inicialmente, o produtor deve observar as características de clima e solo da área em que se pretende instalar o cafezal. Esta área deve ser considerada apta segundo o zoneamento edafoclimático da região onde se pretende implantar a lavoura.
De modo geral, recomenda-se o plantio do cafezal em solos profundos (acima de 100 cm de profundidade) e com facilidade de drenagem (FERRÃO et al., 2004). A textura do solo deve ser de média a argilosa (15% a 35% de argila), evitando-se solos arenosos ou muito argilosos (BOTELHO et al., 2010). O solo também deve ser livre de camadas compactadas, pedregulhos, plantas daninhas de difícil controle, pragas e doenças.
Os relevos planos, suavemente ondulados e ondulados são mais aptos ao cultivo do cafeeiro, por serem mais adequados à mecanização e menos sujeitos à erosão. Áreas com declividade superior a 20% inviabilizam a mecanização (BOTELHO et al., 2010), mas podem ser utilizadas se forem cultivadas manualmente ou com auxílio de tração animal. O plantio não deve ser efetuado em áreas com declividade superior a 45°.
Na escolha do local, devem ser evitadas as áreas que tenham sido cultivadas com café há menos de dois anos, porque essa condição poderá favorecer o surgimento de pragas e de doenças no novo plantio. Neste caso, é recomendável o cultivo de culturas anuais por pelo menos um ano a fim de eliminar ou reduzir a população destas pragas ou doenças (BOTELHO et al., 2010).

Preparo inicial do solo
Para a escolha do tipo de preparo de solo deve-se levar em consideração o tipo de vegetação presente na área, os atributos químicos e físicos do solo, o relevo do terreno e a disponibilidade de maquinas e equipamentos apropriados para o preparo desejado.
O Estado de Rondônia apresenta históricos diferenciados de manejo dos solos para implantação de lavouras cafeeiras. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 o plantio dos cafezais foi efetuado, em áreas recém desmatadas e de capoeiras, aproveitando a fertilidade natural dos solos, em áreas de pastagens e em áreas já ocupadas com a cultura (MARCOLAN et al., 2009). Atualmente, o plantio está sendo feito em áreas de capoeiras, em áreas de pastagens e, principalmente, em áreas já ocupadas com a cultura.
O plantio em áreas recém desmatadas foi utilizado por muito tempo durante a colonização da região Amazônica, no entanto, tem sido cada vez menos utilizado devido à proibição do desmatamento e ao aumento da fiscalização ambiental. Além disso, a presença de troncos e raízes dificulta a realização de práticas de manejo (Figura 1).

Considerando o histórico da área, se a mesma foi submetida a atividades com alta probabilidade de compactação do solo, tais como cultivo de culturas anuais por longo período, com intenso tráfego de máquinas, ou com pastagem com densidade elevada de animais, recomenda-se efetuar o preparo em área total (Figura 2A), com aração e gradagem ou subsolagem. Nestes casos recomenda-se fazer sondagem do solo com penetrômetro para identificar camadas compactadas e, sendo detectadas, deve-se efetuar a subsolagem para eliminação das mesmas.

O preparo em área total também deve ser feito em situações que requeiram a incorporação de corretivos e adubos. Solos com maiores teores de argila, baixa saturação por bases e com elevado teor de alumínio deve ser preparados em maiores profundidades. Recomenda-se aplicar calcário, conforme recomendação pela análise de solo, arar e gradear toda a área antes do preparo das covas ou dos sulcos.
Em situações que não exijam descompactação ou incorporação de fertilizantes e corretivos, o preparo do solo pode ser feito em faixas ou localizado. O preparo em faixas corresponde ao preparo da área em uma faixa na linha de plantio, principalmente por meio da subsolagem. O preparo localizado refere-se à abertura de covas ou de sulcos de plantio permanecendo o restante da área sem preparo (Figura 2B). Esses procedimentos permitem a manutenção da estrutura atual do solo e da cobertura vegetal nas entrelinhas dos cafeeiros aumentando a conservação do solo.
Em caso de cobertura vegetal abundante como capoeiras ou culturas perenes decadentes, o preparo inicial requer destoca da área e enleiramento do excesso de material, principalmente troncos e galhos. As leiras podem ser dispostas em forma de curva de nível aproveitando-se o próprio material para confecção das mesmas. A prática de queima deve ser evitada, sendo tolerada apenas em caso de extrema necessidade (RICCI et al., 2002). Nestes casos, deve-se obter licença ambiental junto aos órgãos responsáveis e seguir os procedimentos técnicos para realização da mesma.

O relevo do solo, além de fator para escolha da área, também implica na escolha do tipo de preparo do solo. Em área declivosa, onde não é recomendado o uso de máquinas, a limpeza do terreno deve ser feita em faixas, com roçadas, capina, ou uso de herbicida. Posteriormente, abrem-se as covas com equipamento motorizado ou com enxadão.
A escolha do tipo de preparo do solo também é influenciada pela disponibilidade de máquinas e equipamentos, associada ao nível tecnológico do agricultor, ao tipo de mão de obra empregada e ao tamanho da área de cultivo. Para o preparo de áreas acima de cinco hectares de cultivo o preparo da área com ferramentas manuais é pouco viável, requerendo o emprego de máquinas e implementos agrícolas, que também permitem o preparo de área total e a abertura de sulcos profundos. Entretanto, em áreas de agricultores que cultivam menos de cinco hectares e utilizam mão de obra familiar, a limpeza de faixas de cultivo com herbicida ou ferramenta manual são alternativas viáveis.
Abertura de covas ou sulcos de plantio
Nos primeiros cultivos de café realizados na Amazônia muitos agricultores plantavam as mudas dos cafeeiros com raízes nuas em pequenas covas feitas com enxadão. Atualmente, as mudas são produzidas em viveiros e plantadas em covas ou em sulcos de plantio abertos manualmente ou com o auxílio de máquinas agrícolas.
O plantio em covas abertas manualmente é realizado, principalmente, por agricultores que cultivam pequenas áreas, um a cinco hectares, utilizando mão de obra familiar e sem disponibilidade de máquinas e implementos agrícolas. Nestes casos, as covas devem ser realizadas manualmente, com auxílio de enxadão e cavadeira, e devem ter dimensões mínimas de 40 cm × 40 cm × 40 cm de comprimento, largura e profundidade, respectivamente (Figura 3A).

Outra opção para abertura de covas é a utilização de perfuradora motorizada. A maior dificuldade está na operação do equipamento, que exige dois operadores e grande esforço físico (MATIELLO et al., 2005). O equipamento de perfuração pode ser adquirido separadamente para ser acoplado a motores portáteis.
As covas também podem ser abertas com auxílio de broca acoplada a trator agrícola (Figura 3B). Neste caso recomenda-se fazer o acabamento da cova com cavadeira, de maneira que fique com formato quadrado, evitando o enovelamento do sistema radicular, principalmente se houver ocorrência de espelhamento das laterais da cova. Utilizando este equipamento é possível atingir maior profundidade o que permite preparo do solo na camada subsuperficial, procedimento que auxilia o aprofundamento do sistema radicular e propicia maior tolerância das plantas ao estresse hídrico.
O plantio de mudas de cafeeiros em sulcos é uma prática relativamente nova entre os agricultores da Amazônia Ocidental, mas que tem ganhado importância em virtude de maior praticidade, maior volume de solo preparado e maior homogeneização dos corretivos e adubos, em relação ao plantio em covas. Os sulcos de plantio são abertos com sulcadores acoplados em tratores agrícolas a profundidade variável em função do equipamento utilizado. Tradicionalmente os sulcos medem de 40 cm a 50 cm de profundidade e apresentam até 80 cm de largura na parte superior (Figura 3C).

No preparo das covas ou dos sulcos deve-se efetuar a homogeneização adequada do solo com os corretivos e fertilizantes. No caso do sulco, os corretivos e fertilizantes podem ser aplicados em toda a sua extensão. A mistura dos corretivos e fertilizantes no sulco pode ser realizada com “batedor de covas (LANI et al., 2007) ou escarificador.
Manejo conservacionista
O manejo conservacionista consiste na aplicação de práticas que reduzem a erosão,aumentam a infiltração de água no solo e propiciam a manutenção da fertilidade dos solos. Este manejo pode ser de caráter vegetativo, edáfico e mecânico (BOTELHO et al., 2010).
A principal prática de caráter vegetativo é a manutenção da cobertura do solo nas estrelinhas dos cafeeiros. Quando o preparo do solo é feito em faixas, a cobertura do solo deve ser preservada desde o período de pré-plantio, com o cultivo de plantas de cobertura ou com a vegetação nativa, caso contrário, as precipitações intensas do período das águas podem promover perdas consideráveis de solo e nutrientes (Figura 4A).

No preparo total da área, este deve ser realizado no período de estiagem e, após o mesmo, devem ser semeadas plantas de cobertura para proteção do solo até o momento do plantio (Figura 4B). Áreas com elevadas declividades podem ser preparadas em faixas, mantendo-se as entrelinhas cobertas com vegetação nativa ou implantada.
Após o plantio, o solo também deve ser mantido coberto, principalmente durante a fase de crescimento da lavoura, período em que os cafeeiros proporcionam pouca cobertura. Esta cobertura pode ser alcançada com a implantação de culturas anuais ou plantas de cobertura, ou com o manejo das plantas daninhas (Figura 4C).
As práticas de caráter edáfico são aquelas feitas por alterações no manejo do solo que, além de controlar a erosão, mantêm ou melhoram a sua fertilidade. São exemplos: a calagem e a fertilização química ou orgânica feitas corretamente (BOTELHO et al., 2010).
Como prática de carácter mecânico recomenda-se a sistematização do terreno com terraceamento (Figura 5A), plantio em curva de nível (Figura 5B), cordões de contenção entre outros (RICCI et al., 2002).

No manejo conservacionista os carreadores devem ser dispostos de maneira a prevenir enxurradas, sendo confeccionados no sentido transversal à declividade do terreno e com desnível voltado para a sua parte interna.
Se você tem interesse em saber mais sobre a Cultura do Café Arábica e Conilon, te convido a conhecer a plataforma da AgricOnline. Ao fazer a sua assinatura, você tem acesso ilimitado a todos os cursos da plataforma. São cursos que vão desde produção vegetal, produção animal, mercado e carreira.
Ao término de cada curso, você tem direito ao certificado com a carga horária de cada curso, clique no link para conhecer.

Ou clique no link:
https://go.agriconline.com.br/pass/?sck=portal
Fonte
MARCOLAN, Alaerto Luiz; ESPINDULA, Marcelo Curitiba. Café na Amazônia. 1º ed. Brasília - DF: Embrapa, 2015.