Diferença Entre Cana-planta e Cana-soca
Normalmente, o plantio se faz com colmos ou mudas de idade não superior a 12 meses. Colmos velhos possuem menor quantidade de glicose e sais minerais, as escamas de proteção da gema são mais lignificadas e, portanto, mais rígidas, promovendo maior dano em relação aos colmos novos.
O ciclo da cana plantada pela primeira vez, isto é, oriunda de muda e que receberá o primeiro corte, recebe o nome de ciclo da cana-planta (Figura 3.1). Nas condições de clima reinantes no centro-sul do Brasil, efetua-se predominantemente o plantio em duas épocas distintas:
Primeira época – de setembro a novembro, no início da estação chuvosa e quente. Nestas condições, a cana-de-açúcar apresenta ciclo de duração média de 12 meses, denominada popularmente de “cana-de-ano”. A cana-de-ano tem seu máximo desenvolvimento de novembro a abril, diminuindo a partir desse mês devido às condições climáticas adversas, com possibilidade de colheita, dependendo da variedade, a partir do mês de julho. Observa-se que após o plantio do tolete, ocorre a brotação e a cana-de-açúcar vegeta (cresce em tamanho) ininterruptamente até abril, para então amadurecer. Tem-se, então, aproximadamente 8 meses de desenvolvimento vegetativo e 4 meses para ocorrer a maturação.
Segunda época – o plantio é realizado no período de janeiro a início de abril, no meio da estação chuvosa e quente e em direção ao outono. Alguns produtores ou unidades prolongam o plantio até maio. A cana-de-açúcar, nessas condições, passa em repouso a primeira estação de inverno, sendo cortada na segunda. Assim, ciclo variável de desenvolvimento da cana-de-açúcar. Favorecido nos três meses inicias, sendo limitado por cinco meses (abril a agosto). Em seguida, durante 7 meses (setembro a abril), a planta de cana volta a vegetar com toda a intensidade, e então amadurece nos meses de inverno. Tem-se, então, aproximadamente 10 meses de desenvolvimento vegetativo, o que resulta em maior produção.
Após o corte da cana-planta, inicia-se um novo ciclo de aproximadamente 12 meses, é o ciclo das soqueiras ou cana-soca. Fatores ambientais que afetam o ciclo da cana-planta também afetam o ciclo das socas.

Para cana-de-ano e soca a fase de maior desenvolvimento ocorre na primeira metade do grande período de desenvolvimento, enquanto para a cana-de-ano-e-meio, isso acontece na segunda metade do grande período de desenvolvimento. Tanto para cana-planta, quanto para soca o ponto máximo de vegetação da cana-de-açúcar ocorre anualmente em dezembro.
Nessa época, fatores como luz e comprimento do dia associam-se a fatores hidrotérmicos, mostrando, assim, a sua importância na produção de cana-de-açúcar. Para aproveitar todo o potencial da melhor época de vegetação, é necessário que o sistema radicular da touceira esteja bem desenvolvido e que haja de 12 a 14 folhas em pleno desenvolvimento.
Pode-se considerar que a cana-de-açúcar apresenta quatro estádios de desenvolvimento, quais sejam:
• Estádio 1 – brotação e emergência dos brotos (colmos primários). A base de uma boa cultura está nesse estádio. É nele que se desenvolve o estabelecimento inicial das plantas no campo.
• Estádio 2 – perfilhamento e estabelecimento da cultura. Ocorre nesse estádio o estabelecimento definitivo da cultura.
• Estádio 3 – período de grande crescimento. Vai do perfilhamento final ao intenso acúmulo de sacarose. Com o número de perfilho por unidade de área associada ao início de acúmulo de sacarose nos colmos, determina a futura produtividade (t/ha) da cultura.
• Estádio 4 – maturação. Com intenso acúmulo de sacarose no colmo. É quando determina-se a qualidade de matéria-prima dos colmos industrializáveis.

O florescimento da cana-de-açúcar representa a possibilidade da reprodução sexuada, desejável em programas de melhoramento genético, mas que deve ser evitado em cultivos comerciais plantando variedades que não floresçam ou que não o façam com facilidade.
A cana-planta-de-ano e a cana-soca apresentam um ciclo que dura aproximadamente 12 meses. A cana-planta-de-ano-e-meio apresenta um ciclo pouco maior (±18 meses), porque há uma freada no seu desenvolvimento durante o inverno. Isso ocorre, pois ao ser plantado no fim da estação chuvosa e quente, ocorre um pico no crescimento vegetativo, que é desacelerado depois pelas condições ambientais do inverno. Na próxima estação quente e chuvosa, a cana-de-açúcar volta a vegetar. Em campo, as fases verificadas são semelhantes.
A base de uma boa cultura reside nesse estádio, onde ocorre o estabelecimento inicial das plantas em campo (brotação, enraizamento e emergência dos brotos).
Ocorre, nesses estádios, o estabelecimento definitivo da cultura. O número de perfilhos por unidade de área associada ao início do acúmulo de sacarose nos colmos determina a futura produtividade ou fitomassa (t/ha) da cultura.
Principalmente nesse período determina-se a qualidade da matéria-prima dos colmos industrializáveis. Formam-se, da base deste colmo, os perfilhos secundários, da base destes colmos secundários, surgem os perfilhos terciários e assim sucessivamente.
No entanto, em função da concorrência pelos fatores limitantes do meio, sobretudo a luz, cessa-se esta fase e os colmos mais jovens chegam inclusive a morrer. Os perfilhos sobreviventes prosseguem seu crescimento e desenvolvimento, iniciando o acúmulo de açúcares da base em direção ao ápice da planta. Inicia-se então a maturação da cana-de-açúcar.
Quando os colmos industrializáveis estiverem, de acordo com as análises em campo e laboratório, aptos a serem colhidos, ou seja, em máxima maturação, ocorrerá a colheita da cana.
Em campo, após o recolhimento da cana, sobram os rizomas (os tocos) da antiga touceira que brotarão dando origem ao ciclo da cana-soca. Durante 20-30 dias aproximadamente, o sistema radicular dessa antiga planta responde pelo suprimento de água e nutrientes dos novos brotos.
Aos poucos o sistema radicular se renova principalmente em função da umidade do solo. Ocorre o perfilhamento, seguido da maturação e colheita dos colmos industrializáveis. Assim se consegue mais um ciclo da cultura e outros virão, em número maior ou menor, dependendo da interação planta, ambiente e manejo.
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Fonte
DA SILVA, João Paulo Nunes; DA SILVA, Maria Regina Nunes. Noções da Cultura da Cana-de-Açúcar. 1ª ed. Inhumas – GO: IFG, 2012.