Pecuária

Conhecendo os Ácaros em Cafeeiro e Seu Respectivo Controle

Daniel Vilar
Especialista
4 min de leitura
Conhecendo os Ácaros em Cafeeiro e Seu Respectivo Controle
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Na cultura do café existem três espécies de ácaros que causam prejuízos econômicos, consideradas como pragas.

São elas:

• Ácaro vermelho - Oligonychus ilicis (Mc Gregor - 1917);

• Ácaro branco – Polyphagotarsonemus latus (Banks - 1904);

• Ácaro da mancha anular ou leprose - Brevipalpus phoenicis (Geijskes -1939).

Ácaro Vermelho

O ácaro vermelho é de tamanho bem reduzido, mas ainda visível a olho nu. Para ser melhor examinado necessita do auxílio de uma lente de aumento de 10 vezes. Apresenta coloração avermelhada e se movimenta rapidamente.

Ataca a parte superior das folhas do cafeeiro, especialmente nos ponteiros, onde raspam a epiderme foliar, perfurando as células e se alimentando do conteúdo celular causando a perda do brilho natural das folhas, daí o nome de ácaro do bronzeamento.

As folhas atacadas ficam com aspecto sujo, provocado pelo acúmulo de poeira, detritos e cascas da ecdise (troca de “pele”) na sua superfície, ficando retidos por finas teias produzidas pela praga.

O ataque do ácaro vermelho tem início em reboleiras, podendo evoluir para toda a lavoura, limitando o crescimento das folhas e causando a desfolha, resultando no atraso do desenvolvimento de cafeeiros jovens.

Os fatores predisponentes ao ataque do ácaro vermelho são a estiagem prolongada, uso de fungicidas cúpricos e de alguns inseticidas piretróides.

Além disso, recentemente, tem-se notado que o uso de inseticidas via solo utilizados para o controle simultâneo da cigarra e do bicho mineiro, como os neonicotinóides, parece estar provocando aumento populacional do ácaro vermelho, mas a pesquisa ainda não tem uma resposta conclusiva da causa deste aumento populacional.

O controle deve se iniciar aos primeiros sinais do ataque, com pulverizações que sejam dirigidas para as reboleiras, evitando-se a eliminação de inimigos naturais que atuam no controle do crescimento populacional. Recomenda-se o emprego de produtos dos grupos avermectinas, antranilamida, cetoenol e enxofre.

Ácaro Branco

O Ácaro Branco, conhecido também como ácaro do chapéu do mamoeiro, ácaro das rasgaduras e ainda, ácaro tropical, é visível somente com auxílio de lentes de aumento e sua importância como praga do cafeeiro é bem menor se comparado ao ácaro vermelho.

Diferentemente deste, se abriga em tecidos jovens, na parte inferior da folha, protegido dos raios solares. Sua presença só é percebida pelos sintomas como redução de tamanho, enrolamento, encurvamento, deformação, rasgadura e seca das folhas.

Seu prejuízo tem sido mais frequente em plantas jovens. Normalmente, o controle natural mantém reduzida sua infestação, dispensando controle químico.

Ácaro da Mancha Anular

Conhecido, também, como ácaro da leprose dos citrus ou ácaro plano, sua importância está mais relacionada em ser o vetor responsável pela transmissão da mancha anular do cafeeiro.

Essa doença viral, dependendo das condições favoráveis, como estiagem prolongada, pode causar grande desfolha às plantas. Maiores prejuízos com a mancha anular no cafeeiro têm sido mais relatados entre os meses de abril e setembro, em regiões com invernos mais secos, sendo essas condições propícias ao seu aparecimento.

Nas folhas aparecem manchas cloróticas, anelares, principalmente no sentido da nervura principal, as quais podem se juntar formando uma mancha alongada. Nas nervuras da área atacada aparecem, posteriormente, manchas necrosadas.

Nos frutos verdes, durante a granação, aparecem manchas arredondadas e com tonalidades amarronzadas. Nos frutos maduros aparecem também manchas arredondadas, cloróticas e amareladas, que aceleram sua maturação, prejudicando a qualidade da bebida.

Recomenda-se fazer o controle preventivo no ano seguinte ao do aparecimento da doença na lavoura, com acaricidas seletivos aos inimigos naturais do ácaro plano, em duas aplicações, em alto volume.

Fazer a primeira após a colheita, com as plantas ainda pouco enfolhadas, para uma boa dispersão do acaricida em seu interior e a segunda, na fase de chumbinho (novembro/dezembro), de forma mais dirigida aos frutos, para atingir a coroa e o pedúnculo, local de maior concentração da praga.

Os principais grupos de acaricidas recomendados para o controle do ácaro da leprose são as avermectinas e cetoenol.

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Fonte

MESQUITA, Carlos Magno de et al.. Manual do Café: Distúrbios Fisiológicos, Pragas e Doenças do Cafeeiro (Coffea arábica L.). 1ª ed. Belo Horizonte - MG: Emater/MG, 2016.

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