Caracterização e Definição de Empresa Rural
A Unidade de Produção
Unidade de produção rural é a área de terra onde se realiza a produção agropecuária. Desde que haja a produção de um bem, o local onde ele é produzido, composto de terra, máquinas, equipamentos, mão-de-obra, insumos, etc., é considerada uma unidade de produção.
Cada unidade de produção exige uma infraestrutura específica, dificultando ao produtor mudar de ramo por questões conjunturais. Logo, a infraestrutura existente é um dos principais fatores que inibem a mudança das atividades.
Poucas são as empresas que produzem e comercializam máquinas, implementos, agrotóxicos, fertilizantes, rações e medicamentos.
Elas atuam em sistema por vezes, de oligopólio, o que lhes permite aumentar o seu poder de barganha e estabelecer o preço “básico” no mercado.
Por outro lado, poucas empresas compram a produção agrícola (frigoríficos, indústrias de óleo, de farinha). Elas atuam de forma que podem determinar os preços “teto” no mercado.
Comumente as unidades de produção podem ser chamadas de fazenda, sítio, granja, propriedade rural, outros nomes regionais (roça, estância, pousada, rancho, retiro, etc.), que abrange as terras em parcerias, arrendamento e posse.
Este conceito não se restringe ao aspecto formal da propriedade legal em terra, mas abrange também áreas sob o sistema de parceria, estudos realizados nos últimos anos permitem classificar em cinco tipos básicos de economia no Brasil: São Latifúndios, Empresas Capitalistas, Agro-Silvo-Pastoris, Empresa Familiar e Unidade Camponesa.
Latifúndio
É uma unidade de produção que apresenta as seguintes características: Baixo nível de capital de exploração, sendo este entendido aqui como baixo valor do Capital permanente, ou seja, o valor da terra, das culturas permanentes, das benfeitorias e melhoramentos, máquinas, veículos, equipamentos e utensílios, dos animais de trabalho, e de produção.
Contudo o valor do capital circulante empregado é grande, investindo na atividade o dinheiro para o pagamento de salários, aquisições de insumos em geral, pagamentos de fretes, taxas, impostos, energia, combustíveis, etc.
Com relação à comercialização, o latifúndio pode ter uma grande participação no mercado, isto é, grande parte do que é produzida destina-se à venda, mantendo-se, no entanto, uma parte da produção para consumo dos parceiros.
A relação social de produção, na maioria das vezes, acontece em forma original, com a força do trabalho formada basicamente de trabalhadores que não são remunerados exclusivamente em dinheiro, a exemplo de parceiros e arrendatários.
De modo Geral é uma unidade especializada, ou possui poucas linhas de exploração, e tem área multi-modular, composta de grande quantidade de módulos regionais.
Empresa Capitalista
Apresenta as seguintes características: É uma unidade de produção com elevado nível de capital de exploração, com alto grau de comercialização, o que explica as naturezas intensivas de sua produção, que visa o mercado.
É uma unidade de produção especializada que visa lucro persistente. Numa empresa desse tipo, as relações sociais de produção são capitalistas, isto é, a força de trabalho é formada de trabalhadores assalariados, permanentes ou temporários.
Finalmente, constitui uma (ou várias) unidade(s) de produção profissionalmente especializada em conceitos dinâmicos (modernos) ou com poucas linhas de exploração, muitas vezes complementares, e tem áreas até multi-modulares.
Franco (1988) reforça apontando que, para obter os lucros na empresa rural, predominam os aspectos de natureza econômica.
Empresa Agrosilvopastoril
Constitui uma unidade de produção de caráter especializada ou com poucas linhas de exploração, no entanto (eventualmente rústicos), caracteriza-se pelo cultivo do solo e da criação de animais.
A unidade agro-silvo-pastoris pode ser de subsistência ou ter caráter comercial, especializando-se em algum produto para exportação ou para o mercado interno.
Segundo Valle (1985), o empreendedor agrário pode combinar com a sua capacidade de dirigente, para obter o máximo resultado líquido do empreendimento.
É uma empresa com alto grau de comercialização, uma vez que sua produção visa o mercado. Couffin (1970) acrescenta que a experiência demonstra que a capacidade de dirigir não é proporcional à dimensão da empresa, mas depende da mentalidade do empresário.
As relações sociais de produção são formadas pela força de trabalho assalariados e por membros da família.
Empresa Familiar
Unidade de produção com elevado nível de capital de exploração. Possui incentivos do governo e de instituições de crédito para contratação de empréstimos nesse tipo de empresa, sendo que as relações sociais de produção são caracterizadas pela predominância do trabalho não remunerado, realizado pelos membros da família.
Uma empresa familiar caracterizando-se quase sempre por possuir um alto grau de comercialização, uma produção geralmente especializada (quando a atividade principal é a agrícola), com poucas linhas de exploração (as criações de gado ou de outras espécies de animais), e uma área modular, do tamanho aproximado do módulo regional.
Unidade Camponesa
Neste tipo de unidade de produção, vamos encontrar, basicamente, um baixo nível de capital de exploração.
Aqui, as relações sociais de produção caracterizam-se pela predominante familiar. Numa unidade camponesa, o grau de comercialização tende a ser baixo, pois produz essencialmente, o que será consumido pela família. O produto comercializado geralmente é sobra da subsistência.
Muitas vezes essa sobra é resultado do subconsumo ou representa o subtrabalho da família. Em alguns casos, a subsistência é complementada pelo trabalho fora da unidade de produção e, na maioria das vezes, nas empresas capitalistas.
Por fim, é uma unidade de produção diversificada e possui área modular caracterizada como minifúndio (pequena propriedade rural).
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Fonte
BÜHLER, Oscar Dirceu. Manual de Administração de Agronegócios. 3ª ed. Paranavaí – PR: UNESPAR, 2010.