Pecuária

Aprendendo a Morfologia da Cana-de-Açúcar

Daniel Vilar
Especialista
5 min de leitura
Aprendendo a Morfologia da Cana-de-Açúcar
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A cana-de-açúcar é da ordem das gramíneas. Desenvolve-se em forma de touceira (moita). A parte aérea é formada por colmos, caule típico das gramíneas, folhas, inflorescências (conjunto de flores arranjadas em haste) e frutos. A parte subterrânea por raízes e rizomas (caules subterrâneos, espessos e ricos em reserva nutritiva, providos de nós e entrenós e que crescem horizontalmente).

Raízes

As raízes são fasciculadas ou em cabeleira, podendo atingir até 4 m de profundidade sendo que, 85% delas encontram-se nos primeiros 50 cm e, aproximadamente, 60% entre os primeiros 20-30 cm de profundidade, havendo diferenças entre as variedades.

Os rizomas são constituídos por nódios ou nós, internódios ou entrenós e gemas, as quais são responsáveis pela formação dos perfilhos da touceira. As novas touceiras da soca ou ressoca se originam dos rizomas que brotarão após a colheita.

Colmo

O colmo é o caule das gramíneas. É caracterizado por nós bem marcados e entrenós distintos e fica acima do solo. O colmo é responsável pela sustentação das folhas e das panículas e seu porte pode ser ereto, semiereto ou decumbente, dependendo da idade da planta.

Chamados também de nódios ou região nodal. É uma região muito importante para a descrição das variedades de cana-de-açúcar, pois contém a gema, o anel de crescimento, a cicatriz foliar e a zona radicular, bastante variável entre os tipos de cana (Figura 2.2).

Gema

A gema caracteriza a definição das variedades. Além de reentrâncias, a gema possui um poro germinativo que, ao germinar, emite um broto, dando origem a um novo colmo.

Anel de crescimento

Situa-se na base do interno e difere das demais partes do colmo pela coloração. Variam de tamanho e de formato.

Cicatriz foliar

É a base da bainha da folha quando se destaca do colmo.

Zona radicular

A zona radicular é a região que abriga a gema e os primórdios radiculares. Ao germinar, a planta de cana-de-açúcar emite pontos de primórdios radiculares esbranquiçados, com ponto no centro lilás ou marrom. Esse será as raízes da nova planta.

Internódio ou entrenó

É a parte do colmo que se situa entre dois nódios, apresentando-se de várias formas, a saber: cilíndrica, em carretel, conoidal, obconoidal, tumescente ou ainda em barril (Figura 2.5).

Cada uma dessas formas pode se apresentar com formato reto, curvado ou em ziguezague em relação ao colmo. O diâmetro do internódio pode medir menos de 2 cm, ou estar entre 2 e 3 cm, ou ter mais de 3 cm. É, portanto, denominado, respectivamente, de internódios de diâmetro fino, médio e grosso. Essa estrutura pode ainda conter rachaduras, as quais variam em tamanho e profundidade dependendo da variedade e também pode conter ranhura na gema.

A exposição ao sol pode modificar a cor da casca do internódio podendo mostrar-se com coloração do amarelo ao vermelho, e a polpa pode ser branca, verde, creme ou castanha. Abaixo da cicatriz foliar situa-se a região cerosa mais espessa do internódio, a qual se denomina de distinto ou indistinto.

Folha

A folha completa da cana-de-açúcar é constituída pela lâmina foliar, bainha e colar. Ao longo de todo o colmo, especificamente na região nodal, a folha é ligada a ele, onde forma duas fileiras opostas e alternadas.

Lâmina foliar

As características morfológicas da lâmina foliar da cana-de-açúcar são variáveis, podendo ser ereta e rígida, ou flácida e arqueada, com ou sem manchas, sardas e pelos. O comprimento, a largura e a cor são variáveis de acordo com a variedade e com as condições do meio ambiente em que a cana está se desenvolvendo. A lâmina foliar pode ser ereta até o topo, dobrada ou curvada próximo ao topo e curvada em sua altura média, com a borda toda serrilhada.

Bainha

A bainha é a parte da folha compreendida entre o colmo e a borda inferior da lâmina, ou seja, é o ponto de ligação da lâmina na região nodal. É tão desenvolvida que abraça por completo o colmo.

Inflorescência

A inflorescência típica da cana-de-açúcar é uma panícula aberta, denominada bandeira ou flecha (Figura 2.6).

As flores muito pequenas formam espigas florais agrupadas em panículas e rodeadas por longas fibras sedosas, congregando-se em enormes pendões terminais de coloração cinza-prateada.

É formada por um eixo principal, a raque, de onde se originará ramificações secundárias e terciárias. Em cada espigueta encontra-se uma flor que produzirá um fruto.

Flor

A flor da cana-de-açúcar é hermafrodita. O órgão feminino (gineceu) é constituído por um ovário. Na extremidade superior do ovário encontram-se dois pistilos e dois estigmas plumosos de coloração vermelho-arroxeada.

O órgão masculino da flor (androceu) é constituído por três estames e anteras de coloração amarelada ou arroxeada, dependendo da variedade, e nas anteras estão os grãos de pólen.

Frutos

O fruto, resultante da fecundação da flor de cana-de-açúcar tem dimensões aproximadas de 1,5 x 0,5 mm, apresentando uma depressão na região do embrião.

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Fonte

DA SILVA, João Paulo Nunes; DA SILVA, Maria Regina Nunes. Noções da Cultura da Cana-de-Açúcar. 1ª ed. Inhumas – GO: IFG, 2012.

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