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Trigo terá menor oferta em 2026

Isso significa um cenário mais apertado para a oferta de trigo brasileiro, o que pode impactar diretamente o custo da farinha, rações e derivados utilizados pela indústria alimentícia.

Gustavo Loose
Especialista
5 min de leitura
Trigo
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A safra de trigo 2026/27 deve ser menor tanto no Brasil quanto no mercado internacional, segundo novos levantamentos divulgados pelo Cepea com base em dados do USDA e da Conab. A combinação entre redução de área plantada, menor produtividade e custos elevados já preocupa produtores, especialmente nos estados do Sul.

No cenário mundial, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta queda de 2,9% na produção global de trigo em comparação à safra anterior. Os estoques finais também devem recuar 1,5%, reduzindo a relação entre estoque e consumo para 33,4%.

Mesmo com o consumo mundial praticamente estável, estimado em 823,23 milhões de toneladas, a menor oferta global mantém o mercado atento ao comportamento dos preços e da disponibilidade do cereal nos próximos meses.

No Brasil, o cenário também é de retração. A Conab revisou a estimativa da produção nacional para 6,38 milhões de toneladas em 2026, volume 18,9% menor que o registrado na safra passada.

A principal razão para essa queda está na redução da área cultivada, especialmente nos estados do Paraná e Rio Grande do Sul, os dois maiores produtores nacionais. A área plantada no País deve somar 2,14 milhões de hectares, retração de 12,5% frente à temporada anterior.

Além disso, a produtividade média também deve cair. A expectativa atual é de rendimento médio de 2.985 quilos por hectare, queda de 7,3% em relação ao ciclo passado.

Na prática, isso significa um cenário mais apertado para a oferta de trigo brasileiro, o que pode impactar diretamente o custo da farinha, rações e derivados utilizados pela indústria alimentícia.

Apesar do cenário de cautela, o plantio já avança em algumas regiões. Até o dia 8 de maio, cerca de 17,5% da área destinada ao trigo no Brasil já havia sido semeada, segundo a Conab.

No Paraná, dados da Seab/Deral mostram que 35% da área prevista já foi implantada, com lavouras consideradas em boas condições até o momento.

Já no Rio Grande do Sul, muitos produtores ainda preparam as áreas, mas parte deles demonstra preocupação com os custos de produção, dificuldade de acesso ao crédito rural e limitações no seguro agrícola, fatores que vêm desestimulando a expansão do cultivo.

Se você produz trigo, este é um momento importante para acompanhar o custo dos insumos, o comportamento climático e as condições de financiamento da safra. Em um cenário de menor oferta, planejamento e gestão de custos podem fazer diferença no resultado final da lavoura.

🔧 Orientação prática:
Antes de ampliar ou reduzir área de plantio, avalie o custo total da operação, especialmente fertilizantes, defensivos e seguro agrícola. Em anos de maior risco, o controle financeiro e o escalonamento do plantio ajudam a reduzir perdas.

Fonte: Cepea

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