Custo da lavoura de café dispara no Brasil
O cenário climático também preocupa.
Produzir café no Brasil ficou mais caro em 2026, principalmente devido à alta dos fertilizantes, da energia e à volatilidade cambial. Segundo o Rabobank, a relação de troca piorou: em abril, o produtor precisou de 4,97 sacas de café arábica para comprar uma tonelada de fertilizante, contra 2,25 sacas no mesmo período de 2025.
O aumento dos custos ganhou força após as tensões no Oriente Médio, que elevaram os preços internacionais de energia e insumos agrícolas. Além disso, a volatilidade do dólar tem dificultado a fixação de preços e o planejamento financeiro dos cafeicultores.
Mesmo com oscilações positivas nos preços do café arábica — alta de 3% em março e 2% em abril — o avanço não foi suficiente para compensar totalmente o encarecimento da produção. No caso do café robusta (conilon), o mercado teve comportamento ainda mais instável, com queda de 9% em março e recuperação de 2% em abril.
O cenário climático também preocupa. O Rabobank alerta para a possibilidade de redução das chuvas nas principais regiões produtoras nos próximos meses, sob influência do fenômeno El Niño. Menor volume de precipitação pode impactar o desenvolvimento das lavouras e aumentar os custos com manejo e irrigação.
Apesar dos desafios, a estimativa para a safra brasileira 2026/27 segue elevada, em 73,3 milhões de sacas de 60 kg. Desse total, 48,7 milhões devem ser de café arábica e 24,6 milhões de conilon.
Na prática, o produtor enfrenta um cenário de margens mais apertadas. Mesmo com preços relativamente sustentados, o avanço dos custos exige maior atenção ao planejamento de compras, gestão de insumos e proteção financeira da atividade.
🔧 Orientação prática:
Se você produz café, vale acompanhar de perto a relação de troca entre café e fertilizantes antes de fechar compras. Em momentos de forte oscilação cambial e geopolítica, escalonar aquisições e monitorar custos pode ajudar a preservar margem na safra.
Fonte: CNN Brasil.