Suíça vira potência mundial do café
O crescimento das cápsulas de café impulsionou ainda mais esse mercado.
Mesmo sem produzir um único grão de café em seu território, a Suíça se consolidou como o segundo maior exportador mundial do produto, atrás apenas do Brasil. O avanço mostra como o mercado global de café vai muito além da lavoura e envolve logística, tecnologia, industrialização e comércio internacional.
Segundo informações publicadas pela RSI e pela SWI Swissinfo, o café já supera produtos tradicionais suíços, como queijo e chocolate, em valor de exportação. O segredo está no processo de torrefação, considerado pela legislação internacional como a etapa que define a origem final do produto.
Na prática, isso significa que grãos produzidos em países como Brasil, Colômbia e Vietnã podem ser oficialmente classificados como “café suíço” após serem torrados e processados no país europeu.
A região ao redor do Lago Genebra e do leste suíço abriga um grande polo industrial conhecido como “Vale do Café”. Ali operam empresas globais como a Nestlé, dona das marcas Nescafé e Nespresso, além de tradings internacionais, fabricantes de máquinas e empresas de tecnologia voltadas ao setor.
Outro dado que chama atenção é que mais de dois terços do comércio mundial de café passam por empresas sediadas na Suíça. O país também domina o mercado de máquinas automáticas de café: cerca de 70% dos equipamentos profissionais vendidos no mundo são fabricados por empresas suíças.
O crescimento das cápsulas de café impulsionou ainda mais esse mercado. As cápsulas da Nespresso comercializadas globalmente são produzidas exclusivamente em fábricas suíças, agregando alto valor ao produto.
Para o produtor brasileiro, o cenário mostra como a industrialização e o posicionamento de marca podem multiplicar o valor do café ao longo da cadeia. Enquanto o Brasil segue líder na produção mundial, países sem lavoura conseguem capturar parte importante da renda do setor por meio de tecnologia, processamento e comercialização.
🔧 Orientação prática:
Se você produz café, acompanhar tendências de industrialização, cafés especiais e rastreabilidade pode abrir portas para mercados premium e ampliar o valor da sua produção além da venda do grão cru.