Petrobras retoma produção de ureia no Brasil
Essa retomada ocorre em um momento sensível para o mercado, com alta nos preços dos fertilizantes nitrogenados — principalmente a ureia — pressionados por fatores internacionais, como o conflito no Oriente Médio.
A Petrobras voltou a produzir ureia no país com a reativação da fábrica da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná. A operação foi retomada após cinco anos parada e faz parte da estratégia da companhia para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados.
A unidade estava hibernada desde 2020 e voltou a operar com investimentos de aproximadamente R$ 870 milhões. Segundo a empresa, essa retomada ocorre em um momento sensível para o mercado, com alta nos preços dos fertilizantes nitrogenados — principalmente a ureia — pressionados por fatores internacionais, como o conflito no Oriente Médio.
Com a Ansa novamente ativa, somada às unidades reativadas na Bahia (janeiro de 2026) e em Sergipe (dezembro de 2025), a Petrobras estima que poderá atender cerca de 20% da demanda nacional de ureia.
Para você que trabalha com culturas exigentes em nitrogênio — como milho, trigo, café e pastagens — essa informação é relevante. A ureia é uma das principais fontes de nitrogênio usadas no campo, nutriente essencial para crescimento, formação de proteínas e produtividade.
A fábrica de Araucária tem capacidade para produzir:
720 mil toneladas por ano de ureia (cerca de 8% do mercado nacional);
475 mil toneladas por ano de amônia;
450 mil m³ por ano de Arla 32 (usado em motores a diesel).
Na prática, o aumento da produção interna pode ajudar a reduzir riscos de abastecimento, principalmente em momentos de instabilidade global. Hoje, o Brasil ainda depende fortemente de importações de fertilizantes, o que expõe o produtor às variações cambiais, custos logísticos e crises internacionais.
Um exemplo recente é a alta no preço da ureia causada pela guerra envolvendo o Irã, que afetou o fluxo de insumos e elevou os custos no campo. Quando há interrupção em rotas estratégicas ou produção internacional, o impacto chega direto no bolso do produtor.
Com mais oferta interna, a tendência é ter mais segurança no fornecimento. Isso não significa queda imediata de preços, mas pode ajudar a reduzir oscilações bruscas e melhorar o planejamento de compra.
Outro ponto importante é o avanço do projeto da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), que tem previsão de entrar em operação em 2029. Se concluída, deve ampliar ainda mais a produção nacional de nitrogenados.
Para quem produz, especialmente em sistemas intensivos, isso reforça a importância de acompanhar o mercado de fertilizantes não só pelo preço, mas também pela disponibilidade.
🔧 Orientação prática:
Se você utiliza ureia na sua lavoura, vale acompanhar o momento de compra com mais estratégia. Sempre que possível, antecipe parte das aquisições fora dos picos de preço e ajuste o manejo para aumentar a eficiência do nitrogênio — como aplicação no momento certo, uso de umidade adequada no solo e, quando viável, tecnologias que reduzem perdas por volatilização. Isso ajuda a transformar custo alto em produtividade.